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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
vu094045
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Paciente masculino, vítima de queda com a mão espalmada durante partida de futebol há 2 dias. Procura o pronto atendimento com quadro de dor, limitação de movimento e aumento de volume dorsorradial do punho direito. As radiografias iniciais evidenciam fratura do polo proximal do escafóide, com preservação do ângulo escafosemilunar.Considerando os dados apresentados, qual a melhor opção para o tratamento do paciente em questão?
  1. AImobilização gessada por 10 a 12 semanas.
  2. BMini-open e fixação com parafuso autocompressivo sem cabeça via dorsal.
  3. CEnxerto ósseo vascularizado (Zaidenberg) via dorsal e fixação com fios de Kirschner.
  4. DEnxerto ósseo vascularizado (Matholin) via volar e fixação com placa específica para escafóide.
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GabaritoB — Mini-open e fixação com parafuso autocompressivo sem cabeça via dorsal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fratura do polo proximal do escafóide: tratamento

Gabarito: letra B. A fratura do polo proximal do escafóide, por ser uma região de vascularização precária, tem alto risco de pseudartrose e necrose avascular, o que justifica o tratamento cirúrgico com fixação interna. A melhor opção entre as apresentadas é a fixação percutânea ou mini-open com parafuso de compressão sem cabeça, via dorsal, que permite a estabilização do foco de fratura com menor dano aos tecidos e à vascularização já comprometida.

A fratura do escafóide é a mais comum entre os ossos do carpo e a segunda mais frequente do punho, atrás apenas das fraturas da extremidade distal do rádio. O mecanismo típico é a queda com a mão espalmada, que gera hiperextensão do punho, exatamente o que o enunciado descreve. O escafóide tem cerca de 80% de sua superfície revestida por cartilagem articular e sua nutrição depende de vasos que penetram principalmente pela região distal e dorsal, o que torna o polo proximal particularmente vulnerável: a irrigação é retrógrada e precária, e uma fratura nesse local interrompe o fluxo sanguíneo para o fragmento proximal, elevando o risco de necrose avascular e pseudartrose.

A classificação da fratura quanto à localização é fundamental para a decisão terapêutica. Fraturas do terço distal e da cintura, sem desvio, podem ser tratadas conservadoramente com imobilização gessada por 6 a 12 semanas. Já as fraturas do polo proximal, mesmo sem desvio, têm indicação cirúrgica na maioria dos casos, pois a consolidação é lenta e o risco de complicações é alto. A preservação do ângulo escafossemilunar, mencionada no enunciado, indica que não há instabilidade cárpica associada (padrão DISI), o que simplifica o tratamento, mas não elimina a necessidade de fixação.

A via de acesso para a fixação do polo proximal pode ser dorsal ou volar. A via dorsal é preferida para fraturas do polo proximal, pois permite a inserção do parafuso perpendicularmente ao traço de fratura, com melhor compressão e menor risco de desvio. O parafuso sem cabeça, do tipo Herbert ou Acutrak, é o implante de escolha, pois proporciona compressão interfragmentária e pode ser inserido de forma percutânea ou mini-open, com menor dano aos tecidos moles. O enxerto ósseo vascularizado, como o de Zaidenberg (base do 1º ou 2º metacarpo), é reservado para casos de pseudartrose ou necrose avascular já estabelecida, não para o tratamento da fratura aguda. O enxerto de Matholin e a placa específica para escafóide são opções menos comuns e não são a primeira escolha para uma fratura aguda do polo proximal.

A pegadinha da questão está em associar a fratura do polo proximal a um tratamento mais complexo, como o enxerto vascularizado, quando na verdade a fratura aguda, sem desvio e sem instabilidade, é tratada com fixação simples. O candidato que não domina a diferença entre fratura aguda e pseudartrose pode ser induzido a escolher a alternativa C ou D. A alternativa A, com imobilização gessada por 10 a 12 semanas, é uma opção para fraturas da cintura ou do polo distal sem desvio, mas não é a melhor para o polo proximal, devido ao alto risco de pseudartrose. A alternativa D, com enxerto de Matholin e placa, é uma técnica mais complexa, indicada para casos de pseudartrose com perda óssea, não para fratura aguda.

Guarde a distinção entre fratura aguda e pseudartrose: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A fratura aguda do polo proximal, sem desvio, é tratada com fixação interna com parafuso; a pseudartrose, com enxerto ósseo, vascularizado ou não.

Fratura do polo proximal do escafóide
  • 1Por que tratar cirurgicamente
    • Vascularização retrógrada precária
    • Alto risco de pseudartrose
    • Alto risco de necrose avascular
  • 2Tratamento de escolha (fratura aguda)
    • Fixação com parafuso sem cabeça
    • Via dorsal (perpendicular ao traço)
    • Técnica percutânea ou mini-open
  • 3Tratamentos reservados (pseudartrose)
    • Enxerto ósseo vascularizado (Zaidenberg)
    • Enxerto + placa (Matholin)
  • 4Tratamento conservador (gesso)
    • Indicado para cintura ou polo distal
    • Não é ideal no polo proximal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A imobilização gessada por 10 a 12 semanas é o tratamento conservador indicado para fraturas do escafóide sem desvio, mas é mais adequada para fraturas do terço distal ou da cintura, onde a vascularização é melhor. No polo proximal, o risco de pseudartrose e necrose avascular é alto, e o tratamento conservador prolongado não é a melhor opção, mesmo em fraturas sem desvio. A literatura atual recomenda a fixação cirúrgica para fraturas do polo proximal, pois a consolidação é mais previsível e o tempo de imobilização é menor.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fixação mini-open com parafuso autocompressivo sem cabeça via dorsal é a melhor opção para a fratura aguda do polo proximal do escafóide. A via dorsal permite a inserção do parafuso perpendicularmente ao traço de fratura, com melhor compressão e menor risco de desvio. O parafuso sem cabeça proporciona estabilidade suficiente para permitir mobilização precoce, reduzindo o risco de rigidez. Essa técnica é minimamente invasiva, preservando a vascularização já comprometida do polo proximal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O enxerto ósseo vascularizado de Zaidenberg é uma técnica avançada, indicada para o tratamento de pseudartrose do escafóide com necrose avascular do polo proximal, não para a fratura aguda. Na fratura aguda, o osso ainda é viável e o objetivo é a estabilização para permitir a consolidação. O enxerto vascularizado é uma cirurgia mais complexa, com maior morbidade, e não é a primeira escolha para uma fratura recente sem desvio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O enxerto ósseo vascularizado de Matholin via volar com fixação com placa é uma técnica ainda mais específica, indicada para casos de pseudartrose com perda óssea significativa ou deformidade. Não é o tratamento de escolha para uma fratura aguda do polo proximal. A placa para escafóide é um implante de uso limitado, reservado para situações especiais, e não é a opção padrão para a fratura aguda.

Gabarito: letra B

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