Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094046
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Quanto à classificação de Luck para as fases histológicas da doença de Dupuytren, é correto afirmar:
Aas cordas são características da fase proliferativa.
Bo colágeno tipo III é mais presente na fase residual.
Ca fase histológica, no momento da cirurgia, não interfere na taxa de recidiva.
Dna fase proliferativa, as fibras de colágeno estão desorganizadas.
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GabaritoD — na fase proliferativa, as fibras de colágeno estão desorganizadas.
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Doença de Dupuytren: classificação histológica de Luck
Gabarito: letra D. Na classificação de Luck, a fase proliferativa é caracterizada por fibras de colágeno desorganizadas, com hipercelularidade e atividade fibroblástica intensa — é a fase em que a doença está "ativa". As demais alternativas invertem ou distorcem as características das fases histológicas (proliferativa, involutiva e residual).
A doença de Dupuytren é uma fibromatose palmar progressiva que leva à formação de nódulos e cordas, causando contratura em flexão dos dedos. A classificação de Luck descreve três fases histológicas que refletem a evolução da doença: proliferativa, involutiva e residual. Compreender cada uma delas é essencial para interpretar o comportamento clínico e a taxa de recidiva após o tratamento cirúrgico.
A fase proliferativa é o estágio inicial e mais "ativo" da doença. Histologicamente, observa-se intensa proliferação de fibroblastos e miofibroblastos, com alta celularidade e fibras de colágeno desorganizadas, formando um aspecto nodular. É nessa fase que os nódulos são mais evidentes clinicamente. A fase involutiva é intermediária: há alinhamento das células e do colágeno na direção da tensão, com diminuição da celularidade. Já a fase residual é a mais "madura": predomina colágeno denso e organizado, com poucas células — é a fase das cordas bem estabelecidas.
Um ponto crucial é a relação entre a fase histológica e a recidiva. Estudos mostram que a fase proliferativa está associada a maior taxa de recidiva após a cirurgia, pois representa a doença em atividade. Portanto, a afirmativa de que a fase histológica não interfere na recidiva está incorreta — ela interfere sim, e a fase proliferativa é a de pior prognóstico nesse aspecto.
A pegadinha da banca está em inverter as características: as cordas são típicas da fase residual (não proliferativa), e o colágeno tipo III é mais presente na fase proliferativa (não residual). A alternativa correta é justamente a que descreve a desorganização das fibras de colágeno na fase proliferativa, que é a marca histológica dessa fase.
Guarde a tríade: proliferativa = desorganização + hipercelularidade, involutiva = alinhamento celular, residual = colágeno denso e organizado. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Fase Histológica (Luck)
Celularidade
Colágeno
Organização das Fibras
Correlato Clínico
Taxa de Recidiva
Proliferativa
Alta (hipercelularidade)
Tipo III (predominante)
Desorganizadas
Nódulos
Alta
Involutiva
Diminuída
—
Alinhadas à direção da tensão
Transição
—
Residual
Baixa (poucas células)
Tipo I (denso)
Organizadas e densas
Cordas
Menor
Fases histológicas de Luck: Proliferativa (Fibras de colágeno desorganizadas, Hipercelularidade, Colágeno tipo III, Nódulos, Maior recidiva); Involutiva (Alinhamento celular, Diminuição da celularidade); Residual (Colágeno denso e organizado, Colágeno tipo I, Cordas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que as cordas são características da fase proliferativa. Na verdade, as cordas são típicas da fase residual, quando o colágeno já está denso e organizado. Na fase proliferativa, o que se observa são nódulos hipercelulares, não cordas. A banca troca o achado histológico da fase inicial pelo da fase final.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o colágeno tipo III é mais presente na fase residual. O colágeno tipo III é predominante na fase proliferativa, refletindo a síntese ativa de matriz extracelular pelos fibroblastos. Na fase residual, o colágeno predominante é o tipo I, mais denso e organizado. A alternativa inverte a composição do colágeno entre as fases.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a fase histológica no momento da cirurgia não interfere na taxa de recidiva. Isso é falso: a fase proliferativa está associada a maior taxa de recidiva após a cirurgia, pois representa doença ativa com alta atividade fibroblástica. A fase residual, por ser mais "quiescente", tende a ter menor recidiva. Portanto, a fase histológica é um fator prognóstico relevante.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. Na fase proliferativa, as fibras de colágeno estão desorganizadas, acompanhadas de intensa proliferação fibroblástica e miofibroblástica, formando nódulos. Essa desorganização é a característica histológica central dessa fase, contrastando com o alinhamento da fase involutiva e a organização densa da fase residual.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as características das fases de Luck. O candidato confunde "nódulo" com "corda" e troca o colágeno tipo III (proliferativa) pelo tipo I (residual). Decore a tríade: proliferativa = desorganizado e hipercelular; involutiva = alinhado; residual = denso e organizado. Com esse mapa, você elimina as três primeiras alternativas sem hesitar.