Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094054
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Amputações digitais por mecanismo de avulsão são tratadas preferencialmente
Apor meio de enxerto de veia invertida, já que não é possível realizar arteriorrafia primária adequada sem tensão.
Bpor arteriorrafia primária, uma vez que é incomum ocorrer lesão da íntima e necessidade de encurtamento das artérias.
Ccom enxerto de veia dorsal do antebraço proximal, sem necessidade de inverter o fluxo vascular ao realizar a arteriorrafia.
Ddesconsiderando a incompatibilidade de calibre entre vasos doadores e receptores, por se tratar de urgência.
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GabaritoA — por meio de enxerto de veia invertida, já que não é possível realizar arteriorrafia primária adequada sem tensão.
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Amputações digitais por avulsão: reconstrução vascular
Gabarito: letra A. Nas amputações digitais por mecanismo de avulsão, a lesão vascular é extensa, com dano à íntima das artérias, o que impede a arteriorrafia primária sem tensão; por isso, o tratamento preferencial é o enxerto de veia invertida (reverso), conforme a literatura de cirurgia da mão e microcirurgia. As demais alternativas contrariam esse princípio ao sugerir sutura direta ou desconsiderar a necessidade de inversão do enxerto.
O mecanismo de avulsão é um dos mais desafiadores na reimplante de extremidades. Diferentemente das amputações por guilhotina (corte limpo) ou por esmagamento, na avulsão o membro é arrancado por tração, o que provoca lesão por estiramento dos vasos, nervos e tendões. Nas artérias digitais, esse estiramento causa ruptura da íntima em uma extensão maior do que a visível externamente, com trombose e dano endotelial difuso. Por isso, a simples aproximação das extremidades arteriais (arteriorrafia primária) frequentemente resulta em falência do fluxo, pois as bordas suturadas estão comprometidas e a sutura fica sob tensão, favorecendo nova trombose.
A solução clássica é o enxerto venoso interposto. Utiliza-se uma veia (geralmente da face dorsal do antebraço ou do dorso da mão) que é invertida antes da interposição, ou seja, o segmento venoso é colocado com a extremidade distal da veia anastomosada à extremidade proximal da artéria, e vice-versa. Essa inversão é necessária porque as veias possuem válvulas que impedem o fluxo sanguíneo no sentido retrógrado; ao inverter o enxerto, as válvulas passam a permitir o fluxo no sentido correto (da artéria proximal para a distal). Sem a inversão, as válvulas funcionariam como obstáculo, bloqueando a perfusão do dedo reimplantado.
Na prática, o cirurgião avalia a extensão da lesão arterial após o desbridamento. Se a perda de substância for pequena e as extremidades estiverem saudáveis, a arteriorrafia primária pode ser tentada. Porém, na avulsão, a zona de lesão é longa e a ressecção das extremidades comprometidas deixa um gap que impede a sutura direta sem tensão. Nesse cenário, o enxerto venoso invertido é a conduta preferencial, pois restabelece o fluxo com um vaso de calibre compatível e sem tensão na anastomose.
A banca explora exatamente essa distinção: enquanto a alternativa A descreve corretamente a necessidade do enxerto venoso invertido, as demais propõem arteriorrafia primária (inadequada na avulsão), enxerto sem inversão (que não funciona por causa das válvulas) ou ignoram a incompatibilidade de calibre (que é um problema real, mas não é o motivo principal da escolha do enxerto). Guarde o par avulsão → lesão extensa da íntima → enxerto venoso invertido: é esse raciocínio que separa a alternativa correta das incorretas.
Amputação digital por avulsão
1Mecanismo
Tração/arrancamento
Lesão extensa da íntima
Dano além do visível
2Conduta preferencial
Enxerto de veia invertida
Inversão obrigatória (válvulas)
Restabelece fluxo sem tensão
3Condutas inadequadas
Arteriorrafia primária (tensão/trombose)
Enxerto sem inversão (válvulas bloqueiam)
Ignorar incompatibilidade de calibre
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque descreve com precisão a conduta preferencial nas amputações digitais por avulsão. O mecanismo de avulsão provoca lesão da íntima arterial em extensão maior que a visível, tornando a arteriorrafia primária inviável sem tensão. O enxerto de veia invertida (reverso) é a técnica de escolha, pois permite interpor um segmento venoso com as válvulas orientadas a favor do fluxo, restabelecendo a perfusão digital. A inversão é essencial: sem ela, as válvulas venosas bloqueiam o fluxo arterial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a arteriorrafia primária é possível porque é incomum a lesão da íntima e a necessidade de encurtamento arterial. Isso é exatamente o oposto do que ocorre na avulsão. Nesse mecanismo, a lesão da íntima é a regra, não a exceção, e o encurtamento arterial (ressecção das extremidades lesadas) é frequentemente necessário, o que impede a sutura direta sem tensão. A banca inverte a fisiopatologia: na avulsão, a arteriorrafia primária é contraindicada, não preferencial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa propõe enxerto de veia dorsal do antebraço proximal, mas sem necessidade de inverter o fluxo vascular. Isso é um erro grave: a inversão do enxerto venoso é obrigatória para que as válvulas não obstruam o fluxo arterial. Sem a inversão, o enxerto funcionaria como uma via de mão única invertida, impedindo a perfusão. A alternativa acerta ao indicar o enxerto, mas erra ao negar a inversão, que é o detalhe técnico crucial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que se deve desconsiderar a incompatibilidade de calibre entre vasos doadores e receptores por se tratar de urgência. Isso é incorreto: a incompatibilidade de calibre é um fator relevante na escolha do enxerto, pois pode levar a turbulência do fluxo, trombose e falência do reimplante. Embora a urgência exista, o cirurgião deve selecionar um enxerto de calibre adequado (ou realizar adaptações técnicas) para minimizar o risco. A alternativa sugere negligência técnica, o que não é aceitável na prática microcirúrgica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os mecanismos de amputação. Na avulsão, a lesão da íntima é extensa e a arteriorrafia primária é inviável; já em amputações por guilhotina, a sutura direta pode ser possível. O candidato que generaliza a conduta para todos os mecanismos cai na alternativa B. Lembre-se: avulsão = enxerto venoso invertido.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, compare os mecanismos: guilhotina (corte limpo, arteriorrafia primária possível), esmagamento (lesão localizada, pode exigir enxerto curto) e avulsão (lesão extensa, enxerto venoso invertido obrigatório). Na prova, ao ver "avulsão", associe imediatamente a "enxerto venoso invertido".