Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
- Código
- vu094056
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- HIAE
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
- AI
- BIIA
- CIIB
- DIII
GabaritoC — IIB
Gabarito: letra C. A alternativa IIB corresponde à neoplasia de alto grau e extracompartimental na classificação cirúrgica de Enneking, que combina o grau histológico (baixo/alto) com a extensão anatômica (intra/extracompartimental). As demais opções não preenchem simultaneamente esses dois critérios: I é baixo grau e intracompartimental, IIA é alto grau mas intracompartimental, e III representa doença metastática, independentemente do grau ou compartimento.
A classificação de Enneking, também conhecida como sistema de estadiamento cirúrgico da Musculoskeletal Tumor Society (MSTS), é amplamente utilizada para tumores ósseos e sarcomas de partes moles. Ela se baseia em três parâmetros: o grau histológico (G), a extensão anatômica (T) e a presença de metástases (M). O grau é dividido em baixo (G1) e alto (G2), refletindo o potencial de agressividade e o risco de recidiva. A extensão anatômica é classificada como intracompartimental (T1), quando o tumor está confinado a um compartimento anatômico (como um osso, um músculo ou uma fáscia), ou extracompartimental (T2), quando invade estruturas além desses limites, como vasos, nervos, articulações ou tecidos adjacentes.
A combinação desses fatores gera os estágios: I (baixo grau, intracompartimental), II (alto grau, intracompartimental) e III (qualquer grau, com metástases). Cada estágio é subdividido em A (intracompartimental) e B (extracompartimental). Assim, o estágio IIB é definido como tumor de alto grau (G2) e extracompartimental (T2), exatamente o que a questão pede. Essa classificação orienta a conduta terapêutica: tumores de baixo grau e intracompartimentais podem ser tratados com ressecção ampla, enquanto tumores de alto grau e extracompartimentais frequentemente necessitam de abordagem multidisciplinar, com quimioterapia neoadjuvante, radioterapia e cirurgia mais agressiva, além de vigilância para metástases.
Na prática, um exemplo clássico de tumor que se enquadra em IIB é um osteossarcoma de alto grau que rompe o córtex ósseo e invade os tecidos moles adjacentes, ultrapassando o compartimento anatômico original. Já um tumor de baixo grau, como um condrossarcoma grau I, confinado ao osso, seria classificado como IA. A distinção entre intra e extracompartimental é crucial, pois tumores extracompartimentais têm pior prognóstico e maior risco de recidiva local, exigindo margens cirúrgicas mais amplas.
A pegadinha desta questão está em confundir o estágio IIA (alto grau, mas intracompartimental) com o IIB, ou em esquecer que o estágio III é reservado para doença metastática, não para tumores localizados. A banca explora exatamente a necessidade de memorizar a combinação correta de grau e compartimento para cada subestágio.
Guarde a lógica: o número romano indica o grau (I = baixo, II = alto, III = metástase) e a letra indica o compartimento (A = intra, B = extra). É essa chave que separa as alternativas.
O estágio I corresponde a tumor de baixo grau e intracompartimental (IA) ou baixo grau e extracompartimental (IB). A alternativa não especifica a subdivisão, mas, de qualquer forma, não é alto grau, portanto não atende ao enunciado.
O estágio IIA é de alto grau, porém intracompartimental. A alternativa erra ao não considerar a extensão extracompartimental, que é requisito da questão. É um distrator clássico: o candidato que lembra do alto grau, mas esquece do compartimento, marca esta opção.
O estágio IIB é exatamente a neoplasia de alto grau (G2) e extracompartimental (T2), conforme a classificação de Enneking. É a combinação pedida no enunciado.
O estágio III é reservado para tumores com metástases à distância, independentemente do grau ou da extensão local. Não se aplica à descrição de tumor localizado de alto grau e extracompartimental.
Gabarito: letra C
Link permanente: /questoes/vu094056