Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu094066
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Está em risco na liberação aberta da tenossinovite de Quervain o nervo
Ainterósseo anterior.
Binterósseo posterior.
Csensitivo radial.
Dmediano ramo palmar.
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GabaritoC — sensitivo radial.
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Tenossinovite de De Quervain: anatomia cirúrgica e riscos
Gabarito: letra C. Na liberação aberta da tenossinovite de De Quervain, o nervo em risco é o sensitivo radial (ramo superficial do nervo radial), devido à sua posição superficial e próxima ao primeiro compartimento extensor do punho. As demais alternativas citam nervos que não estão anatomicamente relacionados a essa região cirúrgica.
A tenossinovite de De Quervain é uma condição inflamatória que afeta os tendões do primeiro compartimento extensor do punho, que contém os tendões do abdutor longo do polegar e do extensor curto do polegar. O tratamento cirúrgico, indicado quando o tratamento conservador falha, consiste na liberação aberta desse compartimento, seccionando o retináculo que o recobre. O conhecimento da anatomia local é fundamental para evitar complicações, sendo a lesão do ramo sensitivo do nervo radial a mais temida.
O ramo sensitivo do nervo radial emerge na face radial do antebraço distal, aproximadamente 5 a 9 cm proximal ao processo estiloide do rádio, e cruza superficialmente o primeiro compartimento extensor, sobre a tabaqueira anatômica. Durante a incisão e a dissecção para a liberação do compartimento, esse nervo pode ser facilmente lesado, resultando em hipoestesia ou parestesia na região dorsal do polegar e da primeira comissura. A lesão pode ocorrer por secção direta, tração ou cauterização, e é uma das complicações mais comuns e evitáveis do procedimento.
A técnica cirúrgica adequada envolve uma incisão longitudinal ou transversa sobre o primeiro compartimento, com identificação e proteção do ramo sensitivo radial. A liberação deve ser feita sob visão direta, seccionando o retináculo dorsal, e é importante verificar se não há compartimentos acessórios, que podem ser fonte de persistência dos sintomas. O conhecimento da variação anatômica, como a presença de um septo separando os tendões, também é essencial para uma liberação completa.
A banca explora a confusão entre os nervos que inervam a mão e o punho. O nervo interósseo anterior (ramo do mediano) inerva músculos profundos do antebraço, o interósseo posterior (ramo profundo do radial) inerva músculos extensores, e o ramo palmar do mediano fornece sensibilidade à região tenar. Nenhum deles está no trajeto da incisão para a liberação do primeiro compartimento extensor, sendo o ramo sensitivo do radial o único em risco direto.
Liberação aberta de De Quervain
11º compartimento extensor
Abdutor longo do polegar
Extensor curto do polegar
2Nervo em risco
Ramo sensitivo do radial
cruza a tabaqueira anatômica
lesão → hipoestesia dorsal do polegar
3Nervos fora do trajeto
Interósseo anterior (motor profundo volar)
Interósseo posterior (extensores)
Ramo palmar do mediano (região tenar)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O nervo interósseo anterior é um ramo motor do nervo mediano que inerva os músculos flexores profundos dos dedos indicador e médio, o flexor longo do polegar e o pronador quadrado. Ele está localizado profundamente no antebraço, na face volar, e não tem relação com o primeiro compartimento extensor dorsal do punho. Portanto, não está em risco na liberação aberta da tenossinovite de De Quervain.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O nervo interósseo posterior é um ramo profundo do nervo radial que inerva os músculos extensores do antebraço. Ele passa pelo túnel do supinador e se distribui na região dorsal do antebraço, mas não cruza o primeiro compartimento extensor na região do punho. Sua localização é mais proximal e profunda, não sendo vulnerável durante a liberação do primeiro compartimento.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O ramo sensitivo do nervo radial (nervo sensitivo radial) é o principal nervo em risco na liberação aberta da tenossinovite de De Quervain. Ele emerge na face radial do antebraço distal e cruza superficialmente o primeiro compartimento extensor, sobre a tabaqueira anatômica. Durante a incisão e dissecção para a liberação do compartimento, esse nervo pode ser facilmente lesado, causando hipoestesia ou parestesia na região dorsal do polegar e da primeira comissura. A identificação e proteção desse nervo são essenciais para evitar essa complicação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ramo palmar do nervo mediano é um ramo sensitivo que inerva a região tenar e a parte central da palma da mão. Ele emerge na face volar do punho, proximal ao túnel do carpo, e não tem relação com o primeiro compartimento extensor dorsal. Portanto, não está em risco na liberação aberta da tenossinovite de De Quervain.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato com nervos que inervam a mão, mas que não estão no trajeto cirúrgico. O ramo sensitivo do radial é o único que cruza superficialmente o primeiro compartimento extensor, sendo o mais vulnerável. Lembre-se: a incisão é dorsal e radial, e o nervo que passa exatamente ali é o sensitivo radial.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar, associe a tenossinovite de De Quervain à tabaqueira anatômica, que é delimitada pelos tendões do primeiro compartimento. O nervo que cruza essa região é o ramo sensitivo do radial. Nas questões sobre complicações cirúrgicas do punho, o nervo sensitivo radial é sempre o mais citado.