Questão de Medicina — Cirurgia Geral — VUNESP 2025
Medicina›Cirurgia Geral
Código
vu094071
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
Nas queimaduras de espessura parcial superficial (2o grau superficial), qual é o achado típico?
ABolhas e dor intensa, porque os nervos estão preservados.
BAusência de dor devido à destruição completa das terminações nervosas.
CPele carbonizada com ausência de sangramento.
DExposição de estruturas profundas, como tendão e osso.
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GabaritoA — Bolhas e dor intensa, porque os nervos estão preservados.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Queimaduras: classificação pela profundidade
Gabarito: letra A. Na queimadura de espessura parcial superficial (2º grau superficial), o achado típico é a presença de bolhas (flictenas) e dor intensa, porque a lesão atinge epiderme e derme papilar, preservando as terminações nervosas e os anexos cutâneos que permitem a reepitelização espontânea. As demais alternativas descrevem características de queimaduras mais profundas (2º grau profundo, 3º grau e 4º grau), nas quais há destruição progressiva das camadas da pele e das estruturas nervosas.
A classificação das queimaduras quanto à profundidade é um dos pilares do atendimento inicial, pois define a conduta (conservadora ou cirúrgica), a necessidade de internação e o prognóstico. A queimadura de 1º grau (espessura superficial) atinge apenas a epiderme, apresentando eritema, edema e dor, sem formação de bolhas, e não é computada no cálculo da superfície corporal queimada (SCQ). A queimadura de 2º grau (espessura parcial) divide-se em superficial e profunda: na superficial, a base da bolha é rósea, úmida e muito dolorosa, com exsudato moderado a abundante, e a cicatrização ocorre espontaneamente em cerca de 14 a 21 dias; na profunda, a base é branca, pouco secretiva e com menor intensidade de dor, pois há comprometimento da derme reticular, e a restauração é mais demorada, podendo exigir tratamento cirúrgico. A queimadura de 3º grau (espessura total) destrói todas as camadas da pele, apresentando-se como ferida esbranquiçada ou enegrecida, indolor (pela destruição das terminações nervosas), inelástica e coriácea, sem reepitelização espontânea, necessitando de enxertia. Já a queimadura de 4º grau atinge tecidos profundos, como subcutâneo, músculos, tendões e ossos, sendo comum em lesões elétricas de alta tensão.
A dor intensa na queimadura de 2º grau superficial é um sinal clínico de bom prognóstico, pois indica que as terminações nervosas sensitivas estão preservadas. Isso contrasta com a queimadura de 3º grau, em que a destruição completa das terminações nervosas leva à ausência de dor, mesmo em áreas extensas. Essa diferença é fundamental para o diagnóstico diferencial e para a decisão terapêutica: enquanto a lesão superficial tende a cicatrizar com cuidados locais e analgesia, a lesão profunda frequentemente requer desbridamento cirúrgico e enxertia.
Na prática, o exame físico é o método mais utilizado para avaliar a profundidade, mas tem acurácia limitada (60–70% mesmo para cirurgiões experientes). Por isso, a observação da base da bolha, da coloração, da umidade e da sensibilidade é essencial. A presença de bolhas íntegras ou rompidas com fundo róseo e brilhante, associada a dor intensa, aponta para lesão superficial; já a base esbranquiçada, seca e com pouca dor sugere lesão profunda. Essa distinção é exatamente o que a questão explora: a banca descreve características de outras profundidades para testar o conhecimento da classificação.
Guarde a fronteira entre dor preservada (2º grau superficial) e ausência de dor (3º grau): é nela que as alternativas se dividem.
Bolhas (flictenas), base rósea, úmida, exsudato moderado/abundante
Intensa (nervos preservados)
Espontânea, 14–21 dias
2º grau profundo (espessura parcial profunda)
Epiderme e derme reticular
Bolhas, base branca, pouco secretiva
Menor intensidade
Mais demorada, pode exigir cirurgia
3º grau (espessura total)
Todas as camadas da pele
Esbranquiçada/enegrecida, coriácea, inelástica, sem reepitelização
Ausente (destruição das terminações nervosas)
Não espontânea, requer enxertia
4º grau
Subcutâneo, músculos, tendões, ossos
Exposição de estruturas profundas, carbonização
Ausente
Requer desbridamento e reconstrução
Queimaduras (profundidade): 1º grau (Eritema, sem bolha, Doloroso); 2º grau superficial (Bolhas, base rósea, Dor intensa (nervos preservados)); 2º grau profundo (Bolhas, base branca, Dor menor); 3º grau (Indolor (nervos destruídos), Coriáceo, sem reepitelização); 4º grau (Expõe tendão e osso)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o achado típico da queimadura de espessura parcial superficial: bolhas (flictenas) e dor intensa, porque a lesão atinge epiderme e derme papilar, preservando as terminações nervosas. O texto de apoio confirma: "Lesões de espessura parcial-superficial: a base da bolha é rósea, úmida e muito dolorosa" e "São clinicamente reconhecidas pela presença de vesículas ou flictenas que, se rompidas, apresentam fundo rosado, uniforme e brilhante. São bastante dolorosas e apresentam exsudato moderado a abundante." A dor é um sinal de vitalidade tecidual e de potencial de cicatrização espontânea.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há ausência de dor devido à destruição completa das terminações nervosas. Isso é característico da queimadura de 3º grau (espessura total), na qual todas as camadas da pele são destruídas, incluindo os nervos. Na queimadura de 2º grau superficial, as terminações nervosas estão preservadas, por isso a dor é intensa. A banca inverte o achado típico da lesão superficial com o da lesão profunda.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve pele carbonizada com ausência de sangramento, o que corresponde à queimadura de 3º grau (espessura total) ou mesmo 4º grau, com necrose e carbonização dos tecidos. Na queimadura de 2º grau superficial, a pele não está carbonizada; ao contrário, apresenta bolhas e base rósea, úmida e sangrante ao desbridamento, pois a derme papilar é vascularizada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Menciona exposição de estruturas profundas, como tendão e osso, o que é típico da queimadura de 4º grau, que atinge tecidos subcutâneo, muscular, tendíneo e ósseo. Na queimadura de 2º grau superficial, a lesão limita-se à epiderme e derme papilar, sem exposição de estruturas profundas. A alternativa confunde a profundidade da lesão, atribuindo à lesão superficial uma característica das queimaduras mais graves.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as profundidades das queimaduras. O candidato que memoriza apenas "2º grau = bolha" pode marcar a alternativa B, que também menciona bolha, mas erra ao dizer que há ausência de dor. A chave é associar dor intensa à preservação nervosa (2º grau superficial) e ausência de dor à destruição nervosa (3º grau). Fique atento: a presença de bolhas não é exclusiva do 2º grau superficial — o que diferencia é a base da bolha (rósea e dolorosa vs. branca e pouco dolorosa) e a sensibilidade.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental com as quatro profundidades e seus achados-chave: 1º grau (eritema, sem bolha, doloroso), 2º grau superficial (bolha, base rósea, dor intensa), 2º grau profundo (bolha, base branca, dor menor), 3º grau (indolor, coriáceo, sem reepitelização), 4º grau (exposição de estruturas profundas). Na prova, leia a alternativa e pergunte: "essa descrição corresponde a qual profundidade?" — isso evita cair nas trocas.