Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094072
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Ortopedia e Traumatologia ou Cirurgia Plástica
a principal indicação da transferência fascicular do nervo ulnar para o ramo motor do bíceps nas lesões do plexo braquial são as lesões
Ade C5–C6 ou C5–C7 com preservação de C8–T1.
Bisoladas de C8 e T1.
Cpré-ganglionares de C5 a C8.
Ddo nervo mediano proximais.
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GabaritoA — de C5–C6 ou C5–C7 com preservação de C8–T1.
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Transferência fascicular do nervo ulnar para o ramo motor do bíceps (Oberlin)
Gabarito: letra A. A transferência fascicular do nervo ulnar para o ramo motor do bíceps (técnica de Oberlin) é indicada nas lesões do plexo braquial C5–C6 ou C5–C7 com preservação de C8–T1, pois o fascículo doador do nervo ulnar depende justamente das raízes C8–T1, que permanecem funcionantes nesses casos. Essa é a base anatômica e funcional da cirurgia: usar um fascículo de um nervo íntegro para reinervar um músculo cuja raiz foi avulsionada.
A transferência nervosa (neurotização) é uma técnica da cirurgia de nervos periféricos que consiste em redirecionar um fascículo de um nervo doador saudável para o nervo de um músculo-alvo paralisado. No plexo braquial, a lesão de C5–C6 (tipo Erb-Duchenne) ou C5–C7 compromete a flexão do cotovelo (bíceps e braquial, inervados pelo musculocutâneo, C5–C6) e a abdução do ombro (deltoide, axilar, C5–C6). Como C8–T1 estão preservadas, o nervo ulnar — formado principalmente por C8–T1 — tem fascículos íntegros que podem ser doados sem prejuízo funcional significativo da mão. O fascículo doador é anastomosado ao ramo motor do bíceps, restaurando a flexão ativa do cotovelo, que é a função prioritária nesses pacientes.
A lógica da técnica de Oberlin é dupla: (1) o doador (ulnar) é funcional porque suas raízes de origem (C8–T1) estão preservadas; (2) o receptor (ramo do bíceps) é um nervo curto e próximo ao músculo, o que encurta a distância de regeneração axonal e melhora o resultado funcional. Por isso, a indicação clássica é exatamente a lesão alta do plexo (C5–C6 ou C5–C7) com C8–T1 íntegras. Quando a lesão é baixa (C8–T1) ou extensa (C5–C8), o nervo ulnar não é um doador viável, pois estaria igualmente comprometido.
A distinção crucial que a banca explora é entre o nível da lesão e a viabilidade do doador. Nas lesões pré-ganglionares (avulsão radicular), o tratamento cirúrgico é diferente — frequentemente envolve transferências de nervos extraplexuais (acessório espinhal, intercostais, frênico) — e a técnica de Oberlin não é a principal indicação. Já nas lesões isoladas de C8–T1 (tipo Klumpke), a mão é o território acometido e o ulnar não pode ser doador. A alternativa D (nervo mediano proximal) não tem relação com a indicação da transferência ulnar-bíceps.
Guarde o critério decisivo: a transferência de Oberlin exige um doador íntegro (C8–T1 preservadas) e um receptor proximal (bíceps). É exatamente essa combinação que separa a alternativa correta das demais.
Transferência de Oberlin (ulnar → bíceps): Indicação clássica (Lesão C5–C6 ou C5–C7, C8–T1 preservadas); Doador (ulnar) (Origem C8–T1, Íntegro se raízes preservadas); Receptor (bíceps) (Flexão do cotovelo, Nervo curto e proximal); Contraindicações (Lesão C8–T1 (Klumpke), Lesão pré-ganglionar extensa)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A lesão de C5–C6 ou C5–C7 com preservação de C8–T1 é a indicação clássica da transferência fascicular do ulnar para o ramo motor do bíceps. O fascículo doador do ulnar depende de C8–T1, que estão íntegras, e o bíceps (C5–C6) é o músculo-alvo a ser reinervado. Essa é a técnica de Oberlin, descrita para restaurar a flexão do cotovelo em paralisia alta do plexo braquial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Nas lesões isoladas de C8–T1 (tipo Klumpke), o nervo ulnar está comprometido, pois é formado predominantemente por essas raízes. Não há fascículo doador íntegro para transferir — a técnica de Oberlin é contraindicada. A lesão baixa acomete a mão, não a flexão do cotovelo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Nas lesões pré-ganglionares de C5 a C8, há avulsão radicular extensa, comprometendo também C8–T1. O nervo ulnar não é um doador viável. Nesses casos, a estratégia cirúrgica envolve transferências de nervos extraplexuais (acessório espinhal, intercostais, frênico), não a transferência ulnar-bíceps.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A transferência fascicular do ulnar para o bíceps não tem relação com lesões proximais do nervo mediano. O mediano é um nervo terminal do plexo, e sua lesão proximal compromete a flexão dos dedos e a oposição do polegar, não a flexão do cotovelo. A indicação da técnica de Oberlin é específica para lesão alta do plexo com C8–T1 preservadas.