Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu094078
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Adolescente do sexo masculino, de 13 anos, apresenta dor em joelho esquerdo há algumas semanas, com piora após atividades esportivas, especialmente durante a aterrissagem em saltos. Ao exame físico, refere dor à flexo-extensão do joelho, com aumento de volume na tuberosidade anterior da tíbia, sem sinais inflamatórios sistêmicos ou derrame articular.Com base no quadro clínico e no exame físico, qual é o exame de imagem mais indicado para confirmar a principal hipótese diagnóstica?
ARessonância magnética para avaliação de estruturas ligamentares e cartilaginosas do joelho.
BRadiografia simples para identificação de alterações na tuberosidade anterior da tíbia.
CTomografia computadorizada para análise detalhada de estruturas ósseas e articulares.
DProvas inflamatórias e FAN para investigação de causas reumatológicas.
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GabaritoB — Radiografia simples para identificação de alterações na tuberosidade anterior da tíbia.
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Doença de Osgood-Schlatter: diagnóstico por imagem
Gabarito: letra B. O quadro clínico — adolescente masculino, dor no joelho piora com atividade esportiva (aterrissagem de saltos) e aumento de volume na tuberosidade anterior da tíbia — é clássico da doença de Osgood-Schlatter, uma apofisite por tração do tendão patelar. O exame de imagem inicial e mais indicado para confirmar a hipótese é a radiografia simples, que identifica alterações na tuberosidade anterior da tíbia (irregularidade, fragmentação ou avulsão da apófise).
A doença de Osgood-Schlatter é uma osteocondrose (apofisite) que acomete a tuberosidade anterior da tíbia, local de inserção do tendão patelar. Ocorre tipicamente em adolescentes em fase de crescimento, mais em meninos, especialmente os ativos em esportes com saltos e corridas. O mecanismo é a tração repetitiva do tendão patelar sobre a apófise ainda imatura, gerando microavulsões e inflamação local. O diagnóstico é essencialmente clínico, mas a radiografia é o exame complementar de primeira linha para confirmar e excluir outras causas.
Na radiografia, a lesão é mais bem visualizada na incidência lateral com rotação interna da perna, que mostra o perfil verdadeiro da tuberosidade tibial. Os achados incluem irregularidade, elevação ou fragmentação da apófise, e, em casos crônicos, ossículo acessório. A radiografia também ajuda a excluir outras causas de dor no joelho no adolescente, como fraturas, tumores ósseos ou infecções.
A escolha do exame de imagem deve seguir a lógica de custo-benefício e a capacidade de responder à pergunta clínica. Para uma suspeita de alteração óssea na tuberosidade tibial, a radiografia simples é suficiente, rápida, barata e de baixa radiação. Exames mais avançados, como ressonância magnética ou tomografia, são reservados para casos de dúvida diagnóstica, suspeita de complicações ou falha de tratamento.
A pegadinha desta questão está em associar a dor no joelho do adolescente a lesões ligamentares ou meniscais, que são mais comuns em adultos e atletas de maior impacto. A banca explora a confusão entre a doença de Osgood-Schlatter e outras causas de dor no joelho, oferecendo exames de imagem mais sofisticados que não são a primeira escolha. O candidato deve reconhecer o padrão clínico típico e lembrar que a radiografia é o exame inicial para suspeitas de alterações ósseas.
Guarde a sequência: suspeita clínica de Osgood-Schlatter → radiografia simples (incidência lateral) → confirmação. É esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.
1Suspeita clínica de Osgood-Schlatter
2Radiografia simples (incidência lateral)
3Confirmação do diagnóstico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A ressonância magnética é um exame excelente para avaliar estruturas ligamentares, meniscais e cartilaginosas, mas não é o exame de primeira linha para a suspeita de Osgood-Schlatter. A doença é uma alteração óssea na tuberosidade tibial, e a radiografia já é suficiente para confirmar. A RM seria indicada em casos de dúvida diagnóstica, suspeita de lesões associadas ou falha de tratamento, não como exame inicial.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A radiografia simples é o exame de imagem mais indicado para confirmar a doença de Osgood-Schlatter. Ela identifica alterações na tuberosidade anterior da tíbia, como irregularidade, fragmentação ou avulsão da apófise, que são os achados característicos. A incidência lateral com rotação interna da perna é a mais útil para visualizar o perfil verdadeiro da tuberosidade. É um exame rápido, barato, de baixa radiação e amplamente disponível, sendo a primeira escolha na investigação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada fornece detalhes ósseos e articulares, mas não é o exame inicial para a suspeita de Osgood-Schlatter. Ela seria útil em casos de dúvida sobre a extensão do traço de fratura ou envolvimento articular, mas não é necessária para o diagnóstico típico. A radiografia já responde à pergunta clínica com menor custo e radiação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
As provas inflamatórias e o FAN são exames laboratoriais para investigação de doenças reumatológicas, como artrite reumatoide ou lúpus. O quadro clínico apresentado — dor localizada na tuberosidade tibial, sem sinais inflamatórios sistêmicos ou derrame articular — não sugere causa reumatológica. A doença de Osgood-Schlatter é uma condição mecânica, não inflamatória sistêmica, e não há indicação desses exames.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a doença de Osgood-Schlatter e lesões ligamentares ou meniscais, comuns em adultos. O candidato pode ser tentado a escolher a ressonância magnética, mas o exame inicial para suspeita de alteração óssea na tuberosidade tibial é a radiografia simples. Lembre-se: adolescente + dor no joelho + aumento de volume na tuberosidade anterior da tíbia = Osgood-Schlatter → radiografia.