Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094082
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Criança de 6 anos, em fase de manutenção da quimioterapia para leucemia linfoblástica aguda (diagnóstico há quatro meses), encontra-se clinicamente estável, sem febre ou sinais infecciosos. Pais desejam atualizar o calendário vacinal. O cartão mostra ausência da segunda dose da tríplice viral (SCR) e da vacina contra varicela.Qual é a orientação correta nessa situação?
AAplicar ambas as vacinas imediatamente, considerando a estabilidade clínica.
BContraindicar qualquer vacina até o término completo da quimioterapia.
CContraindicar ambas as vacinas durante a quimioterapia e por três meses após o término.
DAdministrar ambas as vacinas com vigilância, considerando o risco de formas graves.
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GabaritoC — Contraindicar ambas as vacinas durante a quimioterapia e por três meses após o término.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Imunização em crianças com imunossupressão: vacinas de vírus vivos atenuados
Gabarito: letra C. Durante a quimioterapia e por três meses após o término, as vacinas de vírus vivos atenuados (SCR e varicela) são contraindicadas, pois a imunossupressão impede a resposta imune adequada e há risco de doença pelo próprio vírus vacinal. A conduta correta é aguardar a recuperação imunológica, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é uma neoplasia do sistema linfático que compromete a produção de células sanguíneas na medula óssea. O tratamento quimioterápico, embora essencial para o controle da doença, suprime profundamente o sistema imunológico, reduzindo linfócitos e a capacidade de montar uma resposta vacinal eficaz. Nesse contexto, a vacinação com agentes vivos atenuados — como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a varicela — representa um risco duplo: a vacina pode não gerar proteção (pois o sistema imune não responde) e, mais grave, o vírus atenuado pode se replicar de forma descontrolada, causando a doença no paciente imunocomprometido.
A regra geral para imunossuprimidos é clara: vacinas inativadas (como hepatite B, influenza, pneumocócica) podem e devem ser administradas, pois não há risco de infecção pelo agente vacinal. Já as vacinas de vírus vivos atenuados (SCR, varicela, febre amarela, rotavírus, BCG) são contraindicadas enquanto durar a imunossupressão significativa. O período de contraindicação não se limita ao tempo de quimioterapia: estende-se por pelo menos três meses após o término do tratamento, quando se presume que o sistema imunológico tenha se recuperado o suficiente para responder com segurança. Em casos de transplante de medula óssea, esse intervalo pode ser ainda maior (geralmente 12 a 24 meses).
Na prática, a conduta para essa criança de 6 anos em fase de manutenção da quimioterapia é adiar a segunda dose da SCR e a vacina contra varicela até três meses após a conclusão do tratamento. Não se trata de contraindicação definitiva — as vacinas serão aplicadas assim que a imunidade for restaurada. A estabilidade clínica atual (sem febre, sem sinais infecciosos) não altera essa recomendação, pois o problema não é a presença de infecção ativa, mas sim a incapacidade do sistema imune de lidar com o vírus vacinal.
A pegadinha desta questão está em confundir "estabilidade clínica" com "competência imunológica". A criança está clinicamente bem, mas imunologicamente vulnerável. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que raciocina "está estável, então pode vacinar" cai na alternativa A. O critério decisivo não é o estado clínico momentâneo, e sim o status imunológico imposto pela quimioterapia. Guarde essa fronteira: vacinas de vírus vivos atenuados + imunossupressão ativa = contraindicação temporária, independentemente de o paciente estar assintomático.
Vacinas de vírus vivos atenuados: Exemplos (SCR (tríplice viral), Varicela, Febre amarela, Rotavírus, BCG); Em imunossupressão (quimioterapia) (Contraindicadas durante o tratamento, Contraindicadas por 3 meses após o término, Motivo: risco de doença pelo vírus vacinal); Vacinas inativadas (Podem ser administradas, Exemplos: hepatite B, influenza, pneumocócica)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Aplicar ambas as vacinas imediatamente, considerando a estabilidade clínica, é um erro grave. A estabilidade clínica não equivale a competência imunológica. Durante a quimioterapia, mesmo sem sintomas, o paciente está imunossuprimido, e a administração de vacinas de vírus vivos atenuados (SCR e varicela) pode causar doença vacinal disseminada. A conduta correta é adiar a vacinação até a recuperação imunológica, não aplicá-la imediatamente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Contraindicar qualquer vacina até o término completo da quimioterapia é uma generalização excessiva. A contraindicação se aplica especificamente às vacinas de vírus vivos atenuados. Vacinas inativadas (como hepatite B, influenza, pneumocócica, DTPa, VIP) podem e devem ser administradas durante a quimioterapia, pois não apresentam risco de infecção pelo agente vacinal e podem conferir proteção importante. A alternativa erra ao estender a contraindicação a todas as vacinas.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Contraindicar ambas as vacinas durante a quimioterapia e por três meses após o término é a orientação correta. A SCR e a varicela são vacinas de vírus vivos atenuados, contraindicadas em imunossupressão significativa. O período de contraindicação se estende por pelo menos três meses após o fim da quimioterapia, quando se presume a recuperação imunológica. Essa é a recomendação do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria para pacientes oncológicos em tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Administrar ambas as vacinas com vigilância, considerando o risco de formas graves, é uma conduta inadequada. A vigilância não elimina o risco de doença vacinal disseminada em paciente imunossuprimido. A contraindicação é absoluta durante o período de imunossupressão ativa — não há "vigilância" que torne seguro aplicar vacinas de vírus vivos atenuados nesse contexto. A conduta correta é adiar a vacinação, não administrá-la com observação.