Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094086
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Durante consulta de rotina, o pediatra não consegue palpar o testículo direito na bolsa escrotal de um menino de 1 ano e 6 meses, e ainda observa hipotrofia da bolsa testicular correspondente. Considerando o diagnóstico de criptorquidia, assinale a alternativa correta em relação às informações que devem ser dadas à família.
AInfertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular.
BO tratamento cirúrgico da criptorquidia deveria ter sido realizado antes dos 6 meses de idade.
CO testículo criptorquídico deve ser removido cirurgicamente assim que o diagnóstico for estabelecido, devido ao risco de câncer testicular.
DO tratamento deve ser conservador, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses de idade.
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GabaritoA — Infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e variam conforme a localização testicular.
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Criptorquidia: diagnóstico e orientações à família
Gabarito: letra A. A criptorquidia, falha na migração testicular, associa-se a complicações como infertilidade e risco aumentado de malignidade, e a magnitude desses riscos varia conforme a localização do testículo não descido — testículos intra-abdominais têm pior prognóstico. O tratamento é cirúrgico (orquidopexia), indicado precocemente, em torno dos 6 meses de idade, e não deve ser adiado até os 18 meses.
A criptorquidia é a falha na migração de um ou ambos os testículos, que podem se localizar em qualquer ponto do trajeto normal da migração testicular — da cavidade abdominal até a bolsa escrotal. No recém-nascido a termo, os testículos já se encontram dentro da bolsa escrotal; quando isso não ocorre, o diagnóstico deve ser considerado. É fundamental distinguir a criptorquidia dos testículos retráteis, que são uma variação fisiológica: no testículo retrátil, a bolsa escrotal é bem desenvolvida, o testículo pode ser palpado em sua localização normal e, quando se retrai, pode ser facilmente trazido de volta à bolsa. Na criptorquidia, a bolsa escrotal é hipodesenvolvida do lado acometido e não se consegue trazer o testículo até ela.
A principal preocupação com o testículo criptorquídico é a degeneração progressiva. Os testículos podem descer ao escroto sem tratamento até os 3 meses de idade; após os 6 meses, pode ocorrer fibrose intersticial progressiva, redução do desenvolvimento tubular e diminuição do volume testicular. A espermatogênese fica prejudicada devido à atrofia dos túbulos seminíferos, perda de células germinativas, células de Sertoli e células de Leydig. A lesão tubular se correlaciona diretamente com parâmetros de fertilidade e inversamente com a idade da orquidopexia — ou seja, quanto mais precoce a cirurgia, melhor o prognóstico de fertilidade. Além disso, o risco de transformação maligna é 5 a 10 vezes maior nos testículos criptorquídicos do que nos eutópicos, e esse risco é ainda maior para tumores mais agressivos (seminomas) quando o testículo permanece intra-abdominal.
O tratamento indicado é a cirurgia, com liberação e fixação do testículo na bolsa escrotal (orquidopexia). A cirurgia é ambulatorial, com anestesia geral. Devido à possibilidade de degeneração após os 6 meses de idade e à maior chance de tumor, sugere-se indicação cirúrgica aos 6 meses. Para o testículo intra-abdominal, a orquidopexia deve ser realizada precocemente, no intervalo entre 3 e 6 meses de vida, quando a possibilidade de cirurgia em um tempo e sem a ligadura dos vasos espermáticos é maior. A videolaparoscopia é o padrão-ouro para o diagnóstico do testículo impalpável e permite a orquidopexia videolaparoscópica, que deve ser realizada precocemente, a partir dos 4 ou 6 meses de vida.
A banca explora a confusão entre o momento do diagnóstico e o momento do tratamento. O diagnóstico de criptorquidia pode ser feito ao nascimento, mas o tratamento cirúrgico não é imediato — aguarda-se até os 6 meses para permitir a descida espontânea, que pode ocorrer até os 3 meses. A alternativa que sugere cirurgia antes dos 6 meses está incorreta, pois a descida espontânea ainda é possível. A alternativa que sugere remoção cirúrgica imediata do testículo está incorreta, pois o tratamento é a orquidopexia (fixação na bolsa), não a orquiectomia. A alternativa que sugere tratamento conservador após os 18 meses está incorreta, pois a cirurgia deve ser realizada aos 6 meses, e não se aguarda até os 18 meses.
A alternativa correta é a que reconhece que infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis e que variam conforme a localização testicular — testículos intra-abdominais têm pior prognóstico. Essa é a informação que deve ser dada à família, de forma clara e realista.
Complicação
Variação conforme localização
Observação
Infertilidade
Pior prognóstico em testículos intra-abdominais
Lesão tubular mais grave; espermatogênese prejudicada
Malignidade
Risco maior em testículos intra-abdominais
Risco 5–10x maior que em testículos eutópicos; seminomas mais agressivos
Criptorquidia
1Diagnóstico
Testículo não palpável na bolsa
Bolsa escrotal hipodesenvolvida
Distinguir de testículo retrátil
2Evolução
Descida espontânea até 3 meses
Fibrose progressiva após 6 meses
3Complicações
Infertilidade (lesão tubular)
Risco de malignidade (5-10x)
Pior prognóstico: intra-abdominal
4Tratamento
Orquidopexia aos 6 meses
Intra-abdominal: 3-6 meses
Videolaparoscopia (impalpável)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que infertilidade e risco de malignidade são complicações possíveis nos testículos não descidos e que variam conforme a localização testicular. A lesão tubular, que prejudica a fertilidade, é mais grave nos testículos intra-abdominais, que são os mais afetados. O risco de transformação maligna é 5 a 10 vezes maior nos testículos criptorquídicos, e esse risco é ainda maior para tumores mais agressivos quando o testículo permanece intra-abdominal. A localização testicular é, portanto, um fator prognóstico importante, e essa informação deve ser transmitida à família.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o tratamento cirúrgico deveria ter sido realizado antes dos 6 meses de idade. Isso está incorreto, pois os testículos podem descer ao escroto sem tratamento até os 3 meses de idade. A indicação cirúrgica é aos 6 meses, não antes. A cirurgia precoce, antes dos 6 meses, não é recomendada, pois a descida espontânea ainda é possível. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a cirurgia deveria ter sido feita antes dos 6 meses, quando na verdade a cirurgia é indicada aos 6 meses.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o testículo criptorquídico deve ser removido cirurgicamente assim que o diagnóstico for estabelecido, devido ao risco de câncer testicular. Isso está incorreto, pois o tratamento indicado é a orquidopexia (liberação e fixação do testículo na bolsa escrotal), não a orquiectomia (remoção). A remoção cirúrgica do testículo não é o tratamento padrão para criptorquidia; a orquidopexia é realizada para posicionar o testículo na bolsa, facilitando o diagnóstico precoce de tumor pela palpação. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir a remoção imediata, quando na verdade o tratamento é a fixação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o tratamento deve ser conservador, pois a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses de idade. Isso está incorreto, pois a descida espontânea ocorre até os 3 meses de idade, não após os 18 meses. A cirurgia é indicada aos 6 meses, e não se aguarda até os 18 meses. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a maioria dos casos se resolve espontaneamente após os 18 meses, quando na verdade a descida espontânea é rara após os 3 meses e a cirurgia é necessária.