Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — VUNESP 2025
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
vu094091
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Menino de 14 anos apresenta febre alta há 7 dias, dor de garganta e surgimento de exantema maculopapular disseminado. Nega uso recente de antibióticos. Ao exame físico, observa-se exsudato amarelado em amídalas, linfadenopatia generalizada, esplenomegalia e hepatomegalia discretas. O exantema acomete tronco, face e membros, sem prurido.Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual achado laboratorial é mais característico?
AAnemia normocítica com reticulocitose.
BLeucopenia intensa com neutropenia absoluta.
CEosinofilia periférica significativa.
DLinfocitose com presença de linfócitos atípicos.
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GabaritoD — Linfocitose com presença de linfócitos atípicos.
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Mononucleose infecciosa: o diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra D. O quadro clínico — febre alta há 7 dias, exsudato amigdaliano, linfadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia discreta e exantema maculopapular em adolescente que nega uso de antibióticos — é clássico de mononucleose infecciosa (vírus Epstein-Barr), e o achado laboratorial mais característico é a linfocitose com linfócitos atípicos no hemograma. A alternativa D espelha exatamente essa alteração hematológica típica da doença.
A mononucleose infecciosa é uma doença viral aguda causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), um herpesvírus que infecta linfócitos B. A transmissão ocorre principalmente pela saliva — por isso é conhecida como "doença do beijo" — e acomete sobretudo adolescentes e adultos jovens. O período de incubação varia de 30 a 50 dias, e o quadro clínico clássico é a tríade febre, faringoamigdalite exsudativa e linfadenopatia cervical, frequentemente acompanhada de hepatoesplenomegalia. O exantema maculopapular, presente em 5 a 10% dos casos, é um achado inespecífico que pode aparecer no tronco e membros, e sua ocorrência é muito mais frequente quando há uso prévio de aminopenicilinas (amoxicilina/ampicilina) — o que não ocorre neste paciente, que nega uso recente de antibióticos.
O diagnóstico laboratorial da mononucleose baseia-se em três pilares: (1) hemograma com linfocitose (> 50% de linfócitos) e presença de linfócitos atípicos (> 10% dos leucócitos), que são linfócitos T citotóxicos reativos à infecção; (2) sorologia com anticorpos heterófilos (teste de Paul-Bunnell) ou anticorpos específicos anti-EBV (VCA IgM, VCA IgG, EBNA); e (3) provas de função hepática com elevação de transaminases, que ocorre em cerca de 80-90% dos casos. O hemograma é o exame inicial mais útil e o que a banca cobra nesta questão.
A linfocitose com linfócitos atípicos é a alteração hematológica mais característica da mononucleose infecciosa. Os linfócitos atípicos (também chamados de linfócitos de Downey) são linfócitos T CD8+ ativados que se proliferam em resposta à infecção dos linfócitos B pelo EBV. No hemograma, observa-se:
Leucocitose com linfocitose absoluta (linfócitos > 50% dos leucócitos);
Linfócitos atípicos em quantidade > 10% dos leucócitos (podem chegar a 30-40%);
Trombocitose leve ou trombocitopenia discreta;
Anemia leve, geralmente não hemolítica.
A presença de linfócitos atípicos é tão característica que, na prática clínica, quando um adolescente apresenta febre, faringite exsudativa e linfadenopatia, o hemograma com linfocitose atípica praticamente confirma o diagnóstico de mononucleose infecciosa, antes mesmo da sorologia.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o exantema maculopapular, embora possa ocorrer na mononucleose, não é o achado mais específico — e que a ausência de uso de antibióticos afasta a reação medicamentosa (exantema por aminopenicilinas), que é um diagnóstico diferencial importante. O candidato pode ser tentado a pensar em outras doenças exantemáticas febris (sarampo, rubéola, escarlatina), mas a combinação de exsudato amigdaliano, linfadenopatia generalizada e hepatoesplenomegalia em adolescente aponta fortemente para mononucleose.
Guarde o critério decisivo: em adolescente com febre, faringite exsudativa, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia, o hemograma com linfocitose e linfócitos atípicos é o achado laboratorial mais característico — é exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Anemia normocítica com reticulocitose é um achado de anemia hemolítica, que não é característica da mononucleose infecciosa. Na mononucleose, a anemia é geralmente leve e não hemolítica, e a reticulocitose não é um achado proeminente. Essa alternativa confunde o perfil hematológico da mononucleose com o de anemias hemolíticas (como esferocitose hereditária ou anemia falciforme).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Leucopenia intensa com neutropenia absoluta é característica de infecções virais como dengue, influenza ou HIV agudo, e não da mononucleose infecciosa. Na mononucleose, o achado típico é leucocitose com linfocitose, não leucopenia. A neutropenia pode ocorrer em algumas viroses, mas não é o padrão da mononucleose, que cursa com linfocitose absoluta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Eosinofilia periférica significativa é característica de infecções parasitárias (como helmintíases), reações alérgicas ou síndrome hipereosinofílica, e não da mononucleose infecciosa. Na mononucleose, a eosinofilia não é um achado relevante; o que se observa é linfocitose com linfócitos atípicos. Essa alternativa tenta confundir o candidato com um padrão hematológico de outra etiologia.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A linfocitose com presença de linfócitos atípicos é o achado laboratorial mais característico da mononucleose infecciosa. O vírus Epstein-Barr infecta linfócitos B, desencadeando uma resposta imune celular com proliferação de linfócitos T CD8+ ativados (linfócitos atípicos). No hemograma, observa-se leucocitose com linfocitose (> 50%) e linfócitos atípicos (> 10% dos leucócitos). Esse padrão é tão típico que, no contexto clínico adequado (adolescente com febre, faringite exsudativa, linfadenopatia e hepatoesplenomegalia), praticamente confirma o diagnóstico.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando o enunciado descrever um adolescente com febre, faringite exsudativa, linfadenopatia generalizada e hepatoesplenomegalia, lembre-se da tríade clássica da mononucleose: febre + faringite + linfadenopatia. O hemograma com linfocitose e linfócitos atípicos é o achado laboratorial que fecha o diagnóstico. Compare com outras doenças exantemáticas febris:
Doença
Achado laboratorial típico
Mononucleose
Linfocitose com linfócitos atípicos
Sarampo
Leucopenia com linfopenia
Rubéola
Leucopenia com plasmocitose
Dengue
Leucopenia com neutropenia e trombocitopenia
Escarlatina
Leucocitose com neutrofilia e eosinofilia
Essa tabela ajuda a fixar o padrão hematológico de cada doença exantemática febril, que é um ponto recorrente em provas de infectologia pediátrica.
Gabarito: letra D — linfocitose com presença de linfócitos atípicos.