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Questão de Medicina — Hematologia — VUNESP 2025

MedicinaHematologia
Código
vu094095
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Menino de 10 anos, portador de anemia falciforme, é admitido com febre, dor torácica e taquipneia. A gasometria arterial revela PaO₂ de 55 mmHg, e a radiografia de tórax demonstra infiltrado pulmonar multilobar, confirmando o diagnóstico de síndrome torácica aguda (STA). Iniciado tratamento com oxigenoterapia, hidratação venosa, ceftriaxona e azitromicina. Após 24 horas, a saturação de oxigênio permanece abaixo de 90%, e a hemoglobina caiu para 6,5 g/dL.Qual a conduta imediata indicada nesse momento?
  1. AIntroduzir corticosteroide sistêmico em alta dose.
  2. BIndicar transfusão sanguínea, simples ou de troca.
  3. CIniciar anticoagulação profilática com heparina.
  4. DObservar por 24h em UTI com suporte clínico.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Indicar transfusão sanguínea, simples ou de troca.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Torácica Aguda na Anemia Falciforme

Gabarito: letra B. Diante de síndrome torácica aguda (STA) com hipoxemia persistente (SpO₂ < 90%) e queda da hemoglobina para 6,5 g/dL após 24 horas de tratamento clínico, a conduta imediata indicada é a transfusão sanguínea, simples ou de troca (eritrocitoaférese). A transfusão melhora rapidamente a oxigenação e os parâmetros clínicos, sendo recomendada nos casos moderados a graves, especialmente quando há envolvimento multilobar e piora clínica, como no caso descrito.

A síndrome torácica aguda é uma complicação grave e potencialmente fatal da anemia falciforme, caracterizada por febre, dor torácica, taquipneia e infiltrado pulmonar novo na radiografia de tórax. O diagnóstico exige a presença de infiltrado pulmonar novo associado a pelo menos um sintoma respiratório, como dor torácica, febre, taquipneia, tosse, sibilância ou hipoxemia. No caso, o paciente preenche os critérios: febre, dor torácica, taquipneia, PaO₂ de 55 mmHg e infiltrado multilobar.

O tratamento inicial da STA inclui hidratação, analgesia, oxigenoterapia (se SpO₂ < 92%, com alvo ≥ 95%), antibioticoterapia empírica com cobertura para germes encapsulados (ceftriaxona) e atípicos (azitromicina), além de espirometria de incentivo. A transfusão sanguínea é uma medida terapêutica fundamental, pois melhora a oxigenação ao diluir a hemoglobina S e aumentar a hemoglobina A, reduzindo a falcização e a vaso-oclusão. A indicação de transfusão simples ou de troca depende da gravidade: casos leves podem receber transfusão simples com alvo de Hb ≥ 10 g/dL; casos moderados a graves, com envolvimento multilobar, necessidade de oxigênio em alto fluxo ou piora clínica, indicam eritrocitoaférese com alvo de HbS < 30% e Hb ≥ 10 g/dL.

No paciente em questão, a persistência de hipoxemia (SpO₂ < 90%) e a queda da hemoglobina para 6,5 g/dL após 24 horas de tratamento indicam falha da terapia inicial e gravidade do quadro. A transfusão é a conduta imediata mais adequada, pois pode reverter rapidamente a hipoxemia e estabilizar o paciente. A transfusão simples pode ser suficiente em alguns casos, mas a eritrocitoaférese é preferível em situações de maior gravidade, como envolvimento multilobar e piora clínica, pois reduz mais eficazmente a HbS e evita sobrecarga de volume.

A alternativa A (corticosteroide sistêmico em alta dose) não é indicada como rotina na STA, pois não há evidência de benefício e pode aumentar o risco de complicações. A alternativa C (anticoagulação profilática com heparina) é indicada para profilaxia de trombose venosa profunda em todos os pacientes, mas não é a conduta imediata para tratar a hipoxemia e a anemia. A alternativa D (observar por 24h em UTI com suporte clínico) é inadequada, pois o paciente já apresenta sinais de gravidade e piora clínica, necessitando de intervenção imediata.

A distinção crucial é entre a transfusão simples e a de troca: a simples é indicada em casos leves a moderados, enquanto a de troca (eritrocitoaférese) é preferida em casos graves, com envolvimento multilobar, hipoxemia refratária ou piora clínica. No caso, o envolvimento multilobar e a hipoxemia persistente favorecem a eritrocitoaférese, mas a transfusão simples também é uma opção válida, dependendo da disponibilidade e da avaliação clínica.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem razoáveis, mas não são a conduta imediata mais adequada. O corticosteroide não tem papel estabelecido na STA; a anticoagulação profilática é uma medida adjuvante, não a principal; e a observação prolongada sem intervenção é perigosa diante da piora clínica. A transfusão é a única alternativa que aborda diretamente a hipoxemia e a anemia, sendo a conduta imediata correta.

  1. 1Hidratação + analgesia
  2. 2Oxigenoterapia (alvo SpO₂ ≥ 95%)
  3. 3Antibióticos (ceftriaxona + azitromicina)
  4. 4Espirometria de incentivo
  5. 5Transfusão se hipoxemia/piora
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

O corticosteroide sistêmico em alta dose não é indicado na STA. Não há evidência de benefício e pode aumentar o risco de complicações, como infecções e hiperglicemia. O tratamento da STA se baseia em hidratação, analgesia, oxigenoterapia, antibióticos e transfusão, não em corticoides.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A transfusão sanguínea, simples ou de troca, é a conduta imediata indicada. A transfusão melhora a oxigenação ao diluir a HbS e aumentar a HbA, reduzindo a falcização e a vaso-oclusão. No caso, com hipoxemia persistente e Hb de 6,5 g/dL, a transfusão é necessária para estabilizar o paciente. A eritrocitoaférese é preferível em casos graves, com envolvimento multilobar, como neste paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anticoagulação profilática com heparina é indicada para prevenção de trombose venosa profunda em todos os pacientes com STA, exceto se houver contraindicação. No entanto, não é a conduta imediata para tratar a hipoxemia e a anemia. A transfusão é a medida prioritária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Observar por 24h em UTI com suporte clínico é inadequado, pois o paciente já apresenta sinais de gravidade (hipoxemia persistente e queda da Hb) e piora clínica após 24 horas de tratamento. A conduta imediata deve ser a transfusão, não a observação prolongada.

Gabarito: letra B

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