Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094096
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Um recém-nascido com suspeita de atresia de esôfago realiza radiografia de abdome que evidencia ar no estômago.Das interpretações a seguir, a que está correta é:
Aestá descartado o diagnóstico de atresia de esôfago.
Bpode haver atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica no coto proximal e sem fístula distal.
Cpode haver atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal e sem fístula proximal.
Dpode haver atresia de esôfago com ou sem fístula traqueoesofágica.
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GabaritoC — pode haver atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal e sem fístula proximal.
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Atresia de esôfago: interpretação radiológica
Gabarito: letra C. A presença de ar no estômago em um recém-nascido com suspeita de atresia de esôfago indica que há comunicação entre a traqueia e o esôfago distal, permitindo a passagem de ar para o estômago — ou seja, confirma a presença de fístula traqueoesofágica distal, sem fístula proximal. Essa é a forma mais comum da anomalia (cerca de 85-90% dos casos), e a alternativa C descreve exatamente essa situação.
A atresia de esôfago é uma malformação congênita em que o esôfago termina em fundo cego, sem continuidade com o estômago. A classificação mais utilizada é a de Gross, que divide a anomalia em cinco tipos (A a E), com base na presença e localização das fístulas traqueoesofágicas. O tipo mais frequente é o III (ou C), caracterizado por atresia com fístula traqueoesofágica distal — o coto proximal termina em fundo cego e o coto distal se comunica com a traqueia. Nesse cenário, o ar inspirado passa pela fístula e chega ao estômago, produzindo o achado radiológico de gás gástrico.
A radiografia de abdome é um exame fundamental na avaliação inicial. Quando há ar no estômago, isso praticamente confirma a existência de uma fístula distal, pois o ar não consegue chegar ao estômago por outra via — o esôfago proximal é um fundo cego e não há outra comunicação com o trato gastrointestinal. Por outro lado, a ausência de ar gástrico sugere atresia sem fístula (tipo A) ou com fístula proximal apenas (tipo B), situações em que o ar não tem como alcançar o estômago.
A presença de ar no estômago, portanto, não descarta o diagnóstico de atresia de esôfago — pelo contrário, é um achado que ajuda a caracterizar o tipo de malformação. A alternativa A está incorreta porque afirma que o diagnóstico está descartado, o que é falso. A alternativa B está incorreta porque descreve uma situação em que a fístula está no coto proximal e não há fístula distal — nesse caso, o ar não chegaria ao estômago, pois o coto proximal é um fundo cego e a fístula proximal não permite a passagem de ar para o estômago. A alternativa D está incorreta porque afirma que pode haver atresia com ou sem fístula traqueoesofágica, mas a presença de ar no estômago indica especificamente a existência de fístula distal — sem fístula, o ar não chegaria ao estômago.
A alternativa C é a correta porque descreve exatamente a situação em que há ar no estômago: atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal e sem fístula proximal. Essa é a forma mais comum da anomalia, e o achado radiológico de gás gástrico é um sinal clássico dessa condição.
Atresia de esôfago
1Classificação de Gross
Tipo A (sem fístula)
Tipo B (fístula proximal)
Tipo C (fístula distal) — mais comum
2Radiografia de abdome
Com ar no estômago
Fístula distal presente
Sem ar no estômago
Sem fístula distal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o diagnóstico de atresia de esôfago está descartado. Isso é falso: a presença de ar no estômago não exclui a atresia, mas sim confirma a existência de uma fístula distal, que é uma das formas da malformação. O ar chega ao estômago através da fístula, não por um esôfago pérvio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descreve uma situação em que a fístula está no coto proximal e não há fístula distal. Nesse caso, o ar não chegaria ao estômago, pois o coto proximal é um fundo cego e a fístula proximal não permite a passagem de ar para o estômago. Portanto, a presença de ar no estômago não é compatível com essa descrição.
Alternativa C — ✅ Correta
Descreve exatamente a situação em que há ar no estômago: atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal e sem fístula proximal. Essa é a forma mais comum da anomalia, e o achado radiológico de gás gástrico é um sinal clássico dessa condição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que pode haver atresia com ou sem fístula traqueoesofágica. A presença de ar no estômago indica especificamente a existência de fístula distal — sem fístula, o ar não chegaria ao estômago. Portanto, a alternativa D é muito ampla e não reflete a especificidade do achado radiológico.