Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094099
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Um recém-nascido a termo, filho de mãe com diabetes mellitus, apresenta tremores e cianose central com 3 horas de vida. A glicemia plasmática é de 30 mg/dL.Qual deve ser a primeira conduta?
AAdministrar glicose endovenosa em push de 200 mg/kg.
BIniciar infusão contínua de glicose EV a 4 mg/kg/min.
COferecer seio materno.
DOferecer fórmula infantil adequada.
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GabaritoA — Administrar glicose endovenosa em push de 200 mg/kg.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipoglicemia neonatal: conduta inicial
Gabarito: letra A. Em recém-nascido sintomático com hipoglicemia grave (glicemia < 40 mg/dL), a primeira conduta é administrar glicose endovenosa em push (bolus) de 200 mg/kg, seguida de infusão contínua de manutenção. A via oral (seio materno ou fórmula) é reservada para hipoglicemias assintomáticas ou leves, e a infusão contínua isolada, sem o bolus inicial, não corrige rapidamente a glicemia em um RN sintomático.
A hipoglicemia neonatal é uma das emergências metabólicas mais comuns na sala de parto e na enfermaria neonatal, especialmente em recém-nascidos de mães diabéticas. O RN de mãe diabética, por exposição crônica à hiperglicemia materna, apresenta hiperplasia das células beta pancreáticas e hiperinsulinemia, o que leva a um consumo acelerado de glicose após o clampeamento do cordão, resultando em queda rápida da glicemia nas primeiras horas de vida. Os sintomas clássicos incluem tremores, irritabilidade, cianose, apneia, hipotonia, letargia e, em casos graves, convulsões. O limiar de hipoglicemia neonatal é definido como glicemia < 40 mg/dL (ou < 45 mg/dL em algumas diretrizes), e valores abaixo de 30 mg/dL, como no caso, configuram hipoglicemia grave e sintomática, exigindo intervenção imediata e agressiva.
A conduta em hipoglicemia neonatal sintomática segue uma sequência lógica: primeiro, corrige-se a glicemia com um bolus de glicose EV (200 mg/kg, geralmente em solução a 10%, na dose de 2 mL/kg), que eleva rapidamente a glicemia plasmática; em seguida, inicia-se uma infusão contínua de glicose (4 a 8 mg/kg/min) para manter a normoglicemia, pois o bolus tem efeito transitório. A via oral (seio materno ou fórmula) só é utilizada em RN assintomáticos ou com hipoglicemia leve, após a estabilização, e nunca como primeira conduta em um RN sintomático com glicemia de 30 mg/dL. A infusão contínua isolada, sem o bolus, é insuficiente para corrigir rapidamente a hipoglicemia grave, pois a glicemia demoraria a subir, prolongando o risco de dano neurológico.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem razoáveis (infusão contínua, seio materno, fórmula), mas que não são a primeira conduta em um RN sintomático com hipoglicemia grave. O candidato deve lembrar que, em emergência, a via endovenosa com bolus é a única capaz de corrigir rapidamente a glicemia e prevenir sequelas neurológicas. A via oral é contraindicada em RN sintomático, pois há risco de aspiração e a absorção é lenta. A infusão contínua é o passo seguinte, não o primeiro.
Guarde a sequência: bolus EV (200 mg/kg) → infusão contínua (4-8 mg/kg/min) → reavaliar glicemia em 30-60 min → investigar causa. É exatamente essa ordem que as alternativas testam.
1Bolus EV 200 mg/kg
2Infusão contínua 4-8 mg/kg/min
3Reavaliar glicemia em 30-60 min
4Investigar causa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A administração de glicose endovenosa em push de 200 mg/kg é a primeira conduta correta em RN sintomático com hipoglicemia grave. O bolus eleva rapidamente a glicemia plasmática, corrigindo os sintomas e prevenindo dano neurológico. A dose usual é de 200 mg/kg (2 mL/kg de glicose a 10%), seguida de infusão contínua de manutenção. Esta é a conduta preconizada pelas principais diretrizes de neonatologia (AAP, SBP) para hipoglicemia neonatal sintomática.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Iniciar infusão contínua de glicose EV a 4 mg/kg/min é a conduta de manutenção, mas não a primeira. Em RN sintomático com glicemia de 30 mg/dL, a infusão contínua isolada não corrige rapidamente a hipoglicemia, pois a glicemia demoraria a subir, prolongando o risco de dano neurológico. O bolus inicial é indispensável para elevar a glicemia de forma imediata; a infusão contínua é o passo seguinte, para manter a normoglicemia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Oferecer seio materno é conduta para hipoglicemia assintomática ou leve, não para RN sintomático com glicemia de 30 mg/dL. Em RN sintomático, a via oral é contraindicada como primeira conduta, pois há risco de aspiração, a absorção é lenta e a correção da glicemia é demorada. A via oral pode ser utilizada após a estabilização, como parte da manutenção, mas nunca como primeira intervenção em emergência.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Oferecer fórmula infantil adequada tem o mesmo problema da alternativa C: é via oral, inadequada para RN sintomático com hipoglicemia grave. A correção da glicemia por via oral é lenta e insuficiente em emergência, além do risco de aspiração. A primeira conduta deve ser sempre endovenosa, com bolus de glicose.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a conduta de manutenção (infusão contínua) e a conduta de emergência (bolus EV). O candidato que sabe que a infusão contínua é usada na hipoglicemia pode marcar a letra B, esquecendo que, em RN sintomático, o bolus vem primeiro. Lembre-se: sintomático + glicemia < 40 mg/dL = bolus EV imediato.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar a sequência, memorize: Bolus (200 mg/kg) → Infusão (4-8 mg/kg/min) → Reavaliar em 30-60 min. A via oral só entra em RN assintomático ou após estabilização. Na prova, se o RN está sintomático, a resposta quase sempre envolve glicose EV em bolus.