Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094102
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Gestante de 30 semanas de idade gestacional apresenta bolsa rota há 36h e não recebeu antibiótico profilático. O bebê nasce estável, é mantido em CPAP nasal e não apresenta sinais de infecção aparente nas primeiras horas de vida. Iniciado antibioticoterapia empírica de largo espectro preventivamente, devido à prematuridade e risco de sepse. No 3° dia de vida, a equipe discute se seria indicada a manutenção dos antibióticos por 10 dias e relação dessa conduta ao risco de enterocolite (ECN) e morte associada a ECN.A relação entre uso prolongado de antibióticos e ECN, e morte associada, é que
Areduz a mortalidade associada, mas não o risco de ECN.
Breduz do risco de ECN e de morte associada.
Caumenta o risco de ECN e de morte associada.
Daumenta o risco de ECN, mas não o risco de morte associada.
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GabaritoC — aumenta o risco de ECN e de morte associada.
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Uso prolongado de antibióticos em recém-nascidos prematuros e risco de enterocolite necrosante (ECN)
Gabarito: letra C. O uso prolongado de antibióticos empíricos em recém-nascidos prematuros, especialmente quando não há infecção confirmada, aumenta o risco de enterocolite necrosante (ECN) e de morte associada a ECN. Essa relação está bem estabelecida na literatura neonatológica: a exposição prolongada a antibióticos de largo espectro altera a microbiota intestinal, favorecendo o supercrescimento de patógenos e a translocação bacteriana, o que predispõe à ECN e à sua letalidade.
A enterocolite necrosante é uma das emergências gastrointestinais mais graves da neonatologia, afetando principalmente prematuros. Sua fisiopatologia é multifatorial, envolvendo imaturidade da barreira intestinal, isquemia, alimentação enteral e, crucialmente, a disbiose intestinal — o desequilíbrio da flora bacteriana. O uso de antibióticos de largo espectro, especialmente por períodos prolongados (como 10 dias), suprime as bactérias comensais protetoras e permite a proliferação de microrganismos patogênicos, como Clostridium e Klebsiella, que podem atravessar a mucosa intestinal lesada e desencadear a cascata inflamatória que leva à necrose.
Estudos observacionais e ensaios clínicos demonstram que a duração da antibioticoterapia empírica está diretamente associada ao risco de ECN. Por exemplo, uma metanálise de estudos em prematuros mostrou que cada dia adicional de antibiótico empírico aumenta o risco de ECN, sepse tardia e morte. A recomendação atual é descontinuar os antibióticos em 48 a 72 horas se as culturas forem negativas e o bebê estiver clinicamente estável, evitando cursos prolongados desnecessários.
Na prática clínica, o cenário descrito no enunciado é comum: um prematuro de 30 semanas, com bolsa rota há 36h (fator de risco para sepse precoce), nasce estável e recebe antibióticos empiricamente. A decisão de manter por 10 dias, sem sinais de infecção e com culturas negativas, é contraindicada — aumenta o risco de ECN e de morte associada, sem benefício comprovado. A conduta correta seria reavaliar em 48-72h e suspender se não houver confirmação de infecção.
A pegadinha desta questão está em inverter a direção do efeito: o candidato pode pensar que antibióticos protegem contra infecções e, portanto, reduziriam complicações. Mas, no caso da ECN, o efeito é o oposto — a exposição prolongada é um fator de risco independente. Guarde essa relação: antibiótico prolongado em prematuro sem infecção confirmada = maior risco de ECN e morte associada.
1Uso prolongado de largo espectro
2Disbiose intestinal
3Supercrescimento de patógenos
4Translocação bacteriana
5[-] ECN e morte associada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o uso prolongado reduz a mortalidade associada, mas não o risco de ECN. É o oposto do que a literatura demonstra: o uso prolongado aumenta tanto o risco de ECN quanto a mortalidade associada. Não há evidência de que prolongar antibióticos reduza mortalidade nesse contexto; pelo contrário, a exposição prolongada está associada a maior letalidade por ECN.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que reduz o risco de ECN e de morte associada. É exatamente o contrário: o uso prolongado de antibióticos empíricos em prematuros aumenta o risco de ECN e de morte associada, devido à disbiose intestinal e ao supercrescimento de patógenos. A redução de risco seria esperada apenas se houvesse infecção bacteriana confirmada, o que não é o caso.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. O uso prolongado de antibióticos de largo espectro em recém-nascidos prematuros, sem infecção confirmada, aumenta o risco de ECN e de morte associada. A literatura é consistente: a duração prolongada da antibioticoterapia empírica é um fator de risco independente para ECN, sepse tardia e mortalidade. A conduta recomendada é suspender em 48-72h se as culturas forem negativas e o bebê estiver estável.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que aumenta o risco de ECN, mas não o risco de morte associada. Incorreta porque o aumento do risco de ECN também eleva a mortalidade associada — a ECN é uma doença grave, com taxa de letalidade de 20-30%, e o uso prolongado de antibióticos está associado a maior mortalidade por essa causa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a direção do efeito: o candidato pode pensar que antibióticos protegem contra infecções e, portanto, reduziriam complicações. Mas, no caso da ECN, o efeito é o oposto — a exposição prolongada é um fator de risco independente. Guarde essa relação: antibiótico prolongado em prematuro sem infecção confirmada = maior risco de ECN e morte associada.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre ECN, lembre-se do tripé: prematuridade, disbiose (alteração da microbiota) e alimentação enteral. O uso prolongado de antibióticos é um dos principais fatores modificáveis — a conduta correta é reavaliar em 48-72h e suspender se não houver infecção confirmada. Na prova, desconfie de alternativas que afirmem que antibióticos reduzem risco de ECN — o efeito é sempre o contrário.