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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu094104
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Durante a orientação de alta de um recém-nascido a termo da maternidade, a mãe questiona sobre o resultado da triagem auditiva neonatal (teste de Emissões Otoacústicas), buscando confirmar se o filho tem uma boa audição.Para orientá-la corretamente, é importante saber que o teste de Emissões Otoacústicas avalia
  1. Aas funções neurológica e ossicular.
  2. Bapenas a função coclear, não avaliando a via neurológica.
  3. Capenas a função ossicular, não avaliando a função coclear.
  4. Dtanto a função coclear quanto a neurológica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — apenas a função coclear, não avaliando a via neurológica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Emissões Otoacústicas: o que o teste avalia

Gabarito: letra B. O teste de Emissões Otoacústicas (EOA) avalia apenas a função coclear, mais especificamente a integridade das células ciliadas externas da cóclea, não avaliando a via neurológica (nervo auditivo e vias centrais). Essa é a base fisiológica do exame: as EOA são geradas pela motilidade das células ciliadas externas durante a transdução mecanoelétrica e eletromecânica do som, e sua captação no meato acústico externo confirma que a orelha interna respondeu ao estímulo — mas nada diz sobre o que acontece depois, na via neural.

Para entender por que a resposta é a letra B, é preciso compreender o que são as emissões otoacústicas e como elas se inserem na avaliação auditiva. Durante o processo de transdução do som na cóclea, as células ciliadas externas do órgão de Corti se contraem e geram uma energia acústica de baixa intensidade, que pode ser captada de forma retrógrada no meato acústico externo por um microfone acoplado ao aparelho. Essa energia é o que chamamos de emissão otoacústica. O registro dessas emissões é um teste objetivo, não invasivo e indolor, aplicável em qualquer faixa etária — por isso é a base da triagem auditiva neonatal (o famoso "teste da orelhinha").

A grande utilidade clínica das EOA está em avaliar o sistema auditivo periférico pré-neural. Em outras palavras, o exame confirma que o som chegou até a cóclea e que as células ciliadas externas responderam adequadamente. Porém, ele não informa se o estímulo foi transmitido pelo nervo auditivo até o tronco encefálico e o córtex. Para avaliar a via neurológica, utilizam-se os Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico (PEATE ou BERA), que registram a atividade elétrica do nervo auditivo e das vias auditivas centrais. Essa distinção é fundamental na prática clínica: um recém-nascido pode ter EOA presentes (cóclea íntegra) e ainda assim apresentar neuropatia auditiva, condição em que a via neural está comprometida — por isso, em casos de risco, a triagem combina EOA e PEATE.

Outro ponto importante: para que as EOA sejam registradas, é necessário que o sistema tímpano-ossicular esteja íntegro e a cavidade timpânica aerada. Isso significa que o exame depende da integridade da orelha média, mas não avalia a função ossicular em si — a função ossicular é avaliada pela imitanciometria (timpanometria e reflexo acústico). Assim, a cadeia de eventos é: o som passa pelo meato, vibra a membrana timpânica, move os ossículos, chega à cóclea e gera a EOA. Se houver uma alteração na orelha média (como otite média com efusão), a EOA pode estar ausente mesmo com cóclea normal — mas isso é uma interferência, não o objeto de avaliação do teste.

A pegadinha desta questão está em confundir o que cada teste avalia. A banca oferece alternativas que misturam as funções coclear, ossicular e neurológica, explorando a dificuldade do candidato em separar os componentes da via auditiva. Guarde o mapa: EOA = cóclea (células ciliadas externas); imitanciometria = orelha média (tímpano e ossículos); PEATE = via neurológica (nervo e tronco). É exatamente essa fronteira que separa as alternativas.

Testes auditivos objetivos
  • 1EOA (Emissões Otoacústicas)
    • Avalia: cóclea (células ciliadas externas)
    • Não avalia: via neurológica
  • 2Imitanciometria
    • Avalia: orelha média (tímpano e ossículos)
  • 3PEATE (BERA)
    • Avalia: via neurológica (nervo e tronco)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as EOA avaliam as funções neurológica e ossicular. Erro duplo: o teste não avalia a via neurológica (isso é papel do PEATE) nem a função ossicular (papel da imitanciometria). As EOA dependem da integridade da orelha média para serem captadas, mas não a avaliam — avaliam a resposta da cóclea.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Exatamente o que o teste faz: avalia apenas a função coclear, por meio da captação da energia gerada pelas células ciliadas externas. Não avalia a via neurológica — por isso, um resultado normal não exclui neuropatia auditiva, e a triagem neonatal pode combinar EOA com PEATE para uma avaliação mais completa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Inverte o alvo: afirma que avalia apenas a função ossicular, não a coclear. É o contrário — as EOA avaliam a cóclea (função coclear) e dependem da orelha média íntegra, mas não a avaliam. A função ossicular é avaliada pela imitanciometria.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que avalia tanto a função coclear quanto a neurológica. A primeira parte está correta (avalia a coclear), mas a segunda não: a via neurológica não é avaliada pelas EOA. Essa é a confusão clássica entre EOA e PEATE.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os testes objetivos da avaliação auditiva. O candidato que sabe que as EOA "avaliam a audição" pode marcar a letra D, achando que o teste cobre tudo. Mas a pegadinha está no detalhe: EOA avaliam só a cóclea; a via neurológica é avaliada pelo PEATE. Lembre-se: EOA = orelha interna (cóclea), PEATE = via neural, imitanciometria = orelha média. Com esse mapa, você não cai mais.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental dos testes objetivos:

Teste

O que avalia

Emissões Otoacústicas (EOA)

Cóclea (células ciliadas externas)

Imitanciometria (timpanometria + reflexo)

Orelha média (tímpano e ossículos)

PEATE (BERA)

Via neurológica (nervo auditivo e tronco)

Na prova, quando perguntarem "o que o teste X avalia", pergunte-se: "qual parte da via auditiva ele testa?" — e associe cada teste à sua estrutura.

Gabarito: letra B

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