Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu094107
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Recém-nascido prematuro extremo, nascido com 25 semanas de idade gestacional e peso de 900 g, encontra-se internado em UTI neonatal, atualmente com 4 semanas de vida. Apresenta uso prolongado de nutrição parenteral, restrição de movimentação, sem suplementação adequada de cálcio e fósforo nas primeiras semanas. Evolui com hipotonia axial discreta, diminuição da atividade espontânea e leve alargamento de metáfises ao exame físico.Diante da suspeita de doença metabólica óssea da prematuridade, os resultados laboratoriais esperados para confirmação dessa hipótese são:
  1. Afósforo baixo e fosfatase alcalina alta.
  2. Bfósforo alto e fosfatase alcalina alta.
  3. Cfósforo alto e fosfatase alcalina baixa.
  4. Dfósforo baixo e fosfatase alcalina baixa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — fósforo baixo e fosfatase alcalina alta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença Metabólica Óssea da Prematuridade (Osteopenia do Prematuro)

Gabarito: letra A. Na doença metabólica óssea da prematuridade, o padrão laboratorial clássico é fósforo baixo e fosfatase alcalina alta — resultado da depleção de fósforo (por baixa oferta e alta demanda para mineralização óssea) e do aumento da atividade osteoblástica, refletido pela elevação da fosfatase alcalina. Essa é a combinação que confirma a hipótese no contexto clínico descrito.

A doença metabólica óssea da prematuridade, também chamada de osteopenia do prematuro, é uma condição frequente em recém-nascidos pré-termo extremos, especialmente aqueles com menos de 28 semanas e peso inferior a 1.000 g. Ocorre porque o terceiro trimestre de gestação é o período de maior acúmulo de cálcio e fósforo no feto — cerca de 80% da mineralização óssea acontece nessa fase. O prematuro nasce antes desse pico de transferência placentária e, após o nascimento, enfrenta uma série de fatores que agravam a deficiência: uso prolongado de nutrição parenteral (que, nas primeiras formulações, tem baixo teor de cálcio e fósforo), restrição de movimentação, uso de diuréticos e corticoides, e dificuldade de oferta enteral adequada.

O mecanismo fisiopatológico central é a deficiência de fósforo. O fósforo é essencial para a mineralização óssea — sem ele, o osteoide produzido não se mineraliza adequadamente. Com a baixa oferta e a alta demanda (o osso está em crescimento acelerado), o fósforo sérico cai. Em resposta, o organismo tenta compensar: aumenta a reabsorção tubular renal de fósforo e, em fases mais avançadas, pode haver hipercalciúria e até hipercalcemia. A fosfatase alcalina, por sua vez, é uma enzima produzida pelos osteoblastos — as células que formam o osso. Quando há aumento da atividade osteoblástica (tentativa de formar osso), a fosfatase alcalina se eleva. Por isso, o padrão típico é fósforo baixo + fosfatase alcalina alta.

Na prática clínica, o diagnóstico é feito pela combinação de fatores de risco (prematuridade extrema, nutrição parenteral prolongada), achados clínicos (hipotonia, diminuição da atividade espontânea, alargamento de metáfises ao exame físico — sinal de raquitismo) e laboratoriais. O alargamento metafisário é um achado radiológico clássico de raquitismo, que na prematuridade se manifesta como doença metabólica óssea. A confirmação laboratorial é justamente o que a questão pede: fósforo baixo e fosfatase alcalina alta.

A pegadinha da banca está em inverter os valores de fósforo e fosfatase alcalina. O candidato que decora "doença óssea = fosfatase alcalina alta" pode marcar a alternativa B (fósforo alto e fosfatase alcalina alta), mas o fósforo está baixo, não alto. A combinação "fósforo alto e fosfatase alcalina baixa" (C) não faz sentido fisiopatológico — seria o oposto do esperado. E "fósforo baixo e fosfatase alcalina baixa" (D) também não, pois a fosfatase alcalina está elevada na tentativa de mineralização.

Guarde o par fósforo baixo + fosfatase alcalina alta como a assinatura laboratorial da osteopenia do prematuro — é exatamente esse contraste que as alternativas tentam confundir.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A traz exatamente o padrão esperado: fósforo baixo e fosfatase alcalina alta. O fósforo está baixo porque há deficiência de oferta (nutrição parenteral sem suplementação adequada) e alta demanda para mineralização óssea. A fosfatase alcalina está alta porque os osteoblastos estão em atividade aumentada, tentando formar osso. Essa combinação é o critério laboratorial clássico para confirmar a doença metabólica óssea da prematuridade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma fósforo alto e fosfatase alcalina alta. O erro está no fósforo: na osteopenia do prematuro, o fósforo está baixo, não alto. A fosfatase alcalina alta está correta, mas a combinação com fósforo alto não corresponde à fisiopatologia da doença. O fósforo alto poderia ocorrer em outras condições, como insuficiência renal, mas não é o caso aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma fósforo alto e fosfatase alcalina baixa. Ambos os valores estão invertidos em relação ao esperado. O fósforo deveria estar baixo, e a fosfatase alcalina deveria estar alta. Essa combinação não tem respaldo na fisiopatologia da doença metabólica óssea da prematuridade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma fósforo baixo e fosfatase alcalina baixa. O fósforo baixo está correto, mas a fosfatase alcalina baixa está errada — na osteopenia do prematuro, a fosfatase alcalina está alta, refletindo a atividade osteoblástica aumentada. A combinação fósforo baixo + fosfatase alcalina baixa não é o padrão esperado.

Gabarito: letra A — fósforo baixo e fosfatase alcalina alta.

Link permanente: /questoes/vu094107