Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094113
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Um recém-nascido é admitido na UTI neonatal com diagnóstico de cardiopatia congênita grave. Durante a estabilização, surge a dúvida sobre a necessidade de manter o canal arterial pérvio por meio de infusão contínua de prostaglandina E1 para garantir fluxo pulmonar ou sistêmico adequado. A equipe de cardiologia avalia o caso e orienta que a infusão contínua de prostaglandina E1 não é necessária.Dentre as condições a seguir, aquela que é a mais provável nesse recém-nascido é
Atronco arterial comum.
Bsíndrome do coração esquerdo hipoplásico.
Ctetralogia de Fallot com estenose pulmonar crítica.
Dtransposição das grandes artérias.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — tronco arterial comum.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Cardiopatias congênitas cianóticas e o papel do canal arterial
Gabarito: letra A. No tronco arterial comum, a infusão de prostaglandina E1 não é necessária porque o fluxo pulmonar já está garantido pela própria anatomia: um único vaso recebe sangue de ambos os ventrículos e se divide em aorta e artéria pulmonar, sem obstrução ao fluxo pulmonar. Nas demais opções — síndrome do coração esquerdo hipoplásico, tetralogia de Fallot com estenose pulmonar crítica e transposição das grandes artérias — o canal arterial é fundamental para manter a circulação pulmonar ou sistêmica adequada, sendo a prostaglandina E1 a ponte até a correção cirúrgica.
A prostaglandina E1 (PGE1) é um vasodilatador que mantém o canal arterial pérvio. No feto, o canal arterial é uma estrutura normal que desvia o sangue da artéria pulmonar para a aorta, contornando os pulmões não ventilados. Após o nascimento, com a queda da resistência vascular pulmonar e o aumento da oxigenação, o canal se fecha fisiologicamente. Em certas cardiopatias congênitas, porém, a manutenção do canal é vital para a sobrevivência do recém-nascido, pois ele permite um shunt que garante fluxo sanguíneo adequado para os pulmões (circulação pulmonar) ou para o corpo (circulação sistêmica).
A decisão de usar PGE1 depende do tipo de cardiopatia e da necessidade de manter o canal aberto. Vamos analisar cada condição:
Tronco arterial comum: há um único vaso (tronco) que recebe sangue de ambos os ventrículos e se divide em aorta e artéria pulmonar. O fluxo pulmonar é geralmente aumentado, sem obstrução, então o canal arterial não é necessário para garantir a circulação. Por isso, a PGE1 não é indicada.
Síndrome do coração esquerdo hipoplásico: o ventrículo esquerdo é hipoplásico e não consegue bombear sangue para a aorta. O canal arterial é essencial para permitir o fluxo sistêmico (da artéria pulmonar para a aorta). A PGE1 é vital para manter o canal aberto até a cirurgia.
Tetralogia de Fallot com estenose pulmonar crítica: há obstrução ao fluxo pulmonar (estenose infundibular/pulmonar). O canal arterial é necessário para garantir fluxo pulmonar adequado (shunt da aorta para a artéria pulmonar). A PGE1 é indicada.
Transposição das grandes artérias: a aorta origina-se do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, criando circulações paralelas. O canal arterial permite mistura entre as circulações, garantindo oxigenação sistêmica. A PGE1 é indicada para manter o canal aberto.
A pegadinha da banca está em reconhecer que, no tronco arterial comum, o fluxo pulmonar é aumentado (não obstruído), então a PGE1 não é necessária — diferente das outras, que dependem do canal para sobreviver.
Cardiopatias congênitas cianóticas
1Dependentes do canal arterial (PGE1 vital)
Síndrome do coração esquerdo hipoplásico
Fluxo sistêmico via canal
Tetralogia de Fallot com estenose crítica
Fluxo pulmonar via canal
Transposição das grandes artérias
Mistura das circulações via canal
2Não dependentes (PGE1 não necessária)
Tronco arterial comum
Fluxo pulmonar aumentado
Sem obstrução
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tronco arterial comum é a condição em que a infusão de prostaglandina E1 não é necessária. Nessa cardiopatia, um único vaso (tronco) recebe sangue de ambos os ventrículos e se divide em aorta e artéria pulmonar, sem obstrução ao fluxo pulmonar. O fluxo pulmonar é geralmente aumentado, então o canal arterial não é necessário para garantir a circulação pulmonar ou sistêmica. A PGE1 não é indicada, pois não há dependência do canal para a sobrevivência imediata.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A síndrome do coração esquerdo hipoplásico é uma cardiopatia dependente do canal arterial para o fluxo sistêmico. O ventrículo esquerdo é hipoplásico e não consegue bombear sangue para a aorta; o canal arterial permite o fluxo da artéria pulmonar para a aorta, garantindo perfusão sistêmica. A PGE1 é vital para manter o canal aberto até a correção cirúrgica. Portanto, a infusão é necessária, contrariando o enunciado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tetralogia de Fallot com estenose pulmonar crítica é uma cardiopatia dependente do canal arterial para o fluxo pulmonar. A estenose pulmonar obstrui o fluxo para os pulmões; o canal arterial permite um shunt da aorta para a artéria pulmonar, garantindo fluxo pulmonar adequado. A PGE1 é indicada para manter o canal aberto até a correção cirúrgica. Portanto, a infusão é necessária, contrariando o enunciado.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A transposição das grandes artérias é uma cardiopatia dependente do canal arterial para a mistura das circulações paralelas. A aorta origina-se do ventrículo direito e a artéria pulmonar do ventrículo esquerdo, criando circulações paralelas; o canal arterial permite mistura entre elas, garantindo oxigenação sistêmica. A PGE1 é indicada para manter o canal aberto até a correção cirúrgica. Portanto, a infusão é necessária, contrariando o enunciado.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre PGE1, identifique se a cardiopatia é dependente do canal arterial (fluxo pulmonar ou sistêmico obstruído) ou não dependente (fluxo já garantido). No tronco arterial comum, o fluxo pulmonar é aumentado, então PGE1 não é necessária. Nas demais, o canal é vital.