Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094115
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Durante a avaliação rotineira na UTI neonatal, um pediatra depara-se com diferentes recém-nascidos internados, cada um apresentando condições clínicas específicas que impactam na escolha da via de nutrição.Considerando as indicações formais para o início da nutrição parenteral, qual das situações a seguir representa uma indicação adequada para o início da nutrição parenteral precoce?
ARN de 34 semanas em ventilação não invasiva.
BRN de 38 semanas com fenda palatina.
CRN de 32 semanas com síndrome do desconforto respiratório.
DRN de 29 semanas com sépsis neonatal.
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GabaritoD — RN de 29 semanas com sépsis neonatal.
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Nutrição parenteral precoce no recém-nascido
Gabarito: letra D. A nutrição parenteral (NP) precoce está formalmente indicada no recém-nascido de 29 semanas com sépsis neonatal, pois a sepse configura condição de estresse catabólico grave com alto risco nutricional, em que o trato gastrointestinal (TGI) frequentemente não pode ser utilizado ou não supre as necessidades — situação clássica de indicação de NP precoce. As demais alternativas representam situações em que a via enteral é preferencial ou não há contraindicação absoluta ao uso do TGI.
A nutrição parenteral é a administração de nutrientes diretamente na corrente sanguínea, por via venosa, contornando o trato gastrointestinal. Ela é indicada quando o TGI não pode ser usado (contraindicação absoluta) ou quando, mesmo utilizável, não consegue atingir as metas nutricionais do paciente. No recém-nascido prematuro, a NP precoce é particularmente importante porque as reservas energéticas são mínimas e o risco de desnutrição e de déficit de crescimento é alto.
As indicações clássicas de NP incluem: fístulas digestivas de alto débito, íleo paralítico prolongado, obstrução ou suboclusão intestinal, síndrome do intestino curto (fase inicial), vômitos ou diarreia incoercíveis, e situações em que a nutrição enteral não atinge a meta calórica (déficit absortivo, processos inflamatórios intestinais). No paciente grave, o suporte nutricional deve ser iniciado precocemente, objetivando que após três dias o paciente receba pelo menos dois terços das necessidades nutricionais.
No recém-nascido prematuro extremo (< 30 semanas), a sepse neonatal é uma condição de alto risco nutricional e estresse catabólico grave. Nesses casos, a NP precoce (nas primeiras 24-48 horas) é recomendada para evitar subnutrição, pois o TGI é imaturo, frequentemente hipoperfundido e com risco de enterocolite necrosante, não sendo capaz de suprir as necessidades. A diretriz da ASPEN/SCCM recomenda o início precoce da nutrição enteral (24-48h) em pacientes de UTI que não atingem metas com dieta oral, mas, quando o TGI não é utilizável ou é insuficiente, a NP deve ser iniciada precocemente, especialmente em desnutridos ou com grande risco nutricional.
A distinção crucial é entre situações em que o TGI é utilizável (e a via enteral é preferencial) e situações em que o TGI é inviável ou insuficiente (e a NP se impõe). A sepse neonatal no prematuro extremo se enquadra na segunda categoria, pois cursa com íleo paralítico, hipoperfusão esplâncnica e risco de enterocolite, tornando a NP precoce a via mais segura e adequada.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas com condições que, embora graves, não contraindicam o uso do TGI (como desconforto respiratório ou prematuridade isolada) ou que têm via enteral preferencial (como fenda palatina). O candidato deve identificar qual situação representa contraindicação absoluta ou insuficiência do TGI, que é o gatilho para a NP precoce.
Guarde o critério decisivo: a NP precoce é indicada quando o TGI não pode ser usado ou não supre as necessidades — e a sepse neonatal no prematuro extremo é o exemplo clássico dessa situação.
Indicações de nutrição parenteral (NP)
1TGI não pode ser usado
Fístula digestiva de alto débito
Íleo paralítico prolongado
Obstrução/suboclusão intestinal
Síndrome do intestino curto (fase inicial)
Vômitos/diarreia incoercíveis
2TGI insuficiente
Déficit absortivo
Processos inflamatórios intestinais
Estresse catabólico grave (sepse)
3Via enteral preferencial (não indica NP)
Prematuridade isolada
Ventilação não invasiva
Fenda palatina (usar sonda)
Desconforto respiratório
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Alternativa A — ❌ Incorreta
RN de 34 semanas em ventilação não invasiva. A ventilação não invasiva não contraindica o uso do TGI. Pelo contrário, a nutrição enteral precoce é recomendada e preferencial nesses casos, desde que o paciente esteja hemodinamicamente estável. Não há indicação formal de NP precoce apenas pela prematuridade ou pelo suporte ventilatório não invasivo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
RN de 38 semanas com fenda palatina. A fenda palatina é uma contraindicação para a via oral, mas não para a via enteral. O TGI é funcional e pode ser utilizado por sonda nasogástrica ou orogástrica. A NP não é indicada; a nutrição enteral é a via de escolha.
Alternativa C — ❌ Incorreta
RN de 32 semanas com síndrome do desconforto respiratório. A síndrome do desconforto respiratório (SDR) é uma condição grave, mas não contraindica o uso do TGI. A nutrição enteral precoce é recomendada e preferencial, desde que o paciente esteja estável. A NP não é indicada apenas pela SDR.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
RN de 29 semanas com sépsis neonatal. A sepse neonatal no prematuro extremo é uma condição de estresse catabólico grave, com alto risco nutricional e frequentemente associada a íleo paralítico, hipoperfusão esplâncnica e risco de enterocolite necrosante. Nesses casos, o TGI não é utilizável ou é insuficiente, e a NP precoce (nas primeiras 24-48 horas) é formalmente indicada para evitar subnutrição e atingir as metas nutricionais.