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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu094116
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Recém-nascido a termo, adequado para a idade gestacional, com 3 dias de vida, encontra-se em aleitamento materno exclusivo. A mãe relata que ele está com a pele mais amarelada, principalmente, em face e tronco superior. O lactente está ativo, mamando bem e sem alterações nos sinais vitais.No exame físico, apresenta icterícia correspondente à zona 3 de Kramer. A tipagem sanguínea da mãe é A positivo e a do recém-nascido é O negativo. O exame laboratorial evidencia bilirrubina total de 12 mg/dL.Diante dos achados clínicos e laboratoriais, é possível inferir que esse RN apresenta
  1. Aicterícia fisiológica do período neonatal.
  2. Bicterícia relacionada ao aleitamento materno.
  3. Cdoença hemolítica por incompatibilidade sanguínea.
  4. Datresia de vias biliares.
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GabaritoA — icterícia fisiológica do período neonatal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Icterícia neonatal: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra A. O recém-nascido apresenta icterícia fisiológica do período neonatal, pois é um RN a termo, adequado para a idade gestacional, com 3 dias de vida, em aleitamento materno exclusivo, ativo e mamando bem, com icterícia em zona 3 de Kramer (face e tronco superior) e bilirrubina total de 12 mg/dL — quadro compatível com o padrão fisiológico de hiperbilirrubinemia indireta que surge entre o 2º e o 5º dia de vida. A incompatibilidade ABO (mãe A+ e RN O−) é um fator de risco, mas não determina doença hemolítica neste caso, pois o lactente está clinicamente bem e o valor de bilirrubina ainda não ultrapassou o limiar de alerta (> 12 mg/dL) para investigação imediata.

A icterícia neonatal é a expressão clínica da hiperbilirrubinemia, condição que acomete cerca de 50% dos recém-nascidos a termo e 80% dos prematuros. Ela ocorre porque, no período neonatal, há uma imaturidade das vias enzimáticas e de transporte responsáveis pelo metabolismo da bilirrubina, especialmente da enzima UDP-glicuroniltransferase, que conjuga a bilirrubina indireta (não conjugada) em direta (conjugada). Além disso, a produção de bilirrubina está aumentada devido à maior massa eritrocitária e à menor vida média das hemácias fetais. Essa combinação — produção aumentada e conjugação deficiente — leva ao acúmulo de bilirrubina indireta, que se manifesta clinicamente como icterícia.

A icterícia fisiológica tem características bem definidas: inicia-se entre o 2º e o 3º dia de vida, atinge o pico por volta do 4º ao 5º dia e desaparece espontaneamente em 1 a 2 semanas. A progressão é cefalocaudal, ou seja, começa na face e vai descendo pelo tronco e membros conforme os níveis de bilirrubina aumentam. As Zonas de Kramer são uma ferramenta clínica para estimar o valor sérico de bilirrubina pela extensão da icterícia: zona 1 (face) corresponde a aproximadamente 5-6 mg/dL, zona 2 (tronco superior) a cerca de 8-10 mg/dL, zona 3 (tronco inferior e abdome) a aproximadamente 12 mg/dL, zona 4 (membros superiores e coxas) a cerca de 15 mg/dL e zona 5 (mãos e pés) a valores acima de 15 mg/dL. No caso apresentado, a icterícia em zona 3 de Kramer é compatível com a bilirrubina total de 12 mg/dL, confirmando a coerência entre o exame físico e o laboratorial.

É fundamental distinguir a icterícia fisiológica das formas patológicas. Os sinais de alerta que indicam necessidade de investigação imediata incluem: icterícia nas primeiras 24 horas de vida, bilirrubina total > 12 mg/dL independentemente da idade pós-natal, aumento rápido da bilirrubina (> 5 mg/dL/dia), icterícia que persiste por mais de 2 semanas no RN a termo, sinais de colestase (bilirrubina direta > 2 mg/dL ou > 20% da bilirrubina total, acolia fecal, colúria), e sinais clínicos de doença grave (letargia, recusa alimentar, apneia, convulsões). No caso em questão, o RN tem 3 dias de vida, está ativo, mamando bem e sem alterações nos sinais vitais — não há nenhum sinal de alerta, e o valor de bilirrubina de 12 mg/dL está no limite, mas não o ultrapassa, o que reforça o diagnóstico de icterícia fisiológica.

A incompatibilidade sanguínea ABO (mãe A e RN O) é a causa mais comum de doença hemolítica neonatal, mas nem toda incompatibilidade resulta em hemólise clinicamente significativa. Na doença hemolítica ABO, os anticorpos anti-A ou anti-B da mãe (geralmente IgG) atravessam a placenta e causam hemólise das hemácias fetais. No entanto, a apresentação clássica inclui icterícia precoce (nas primeiras 24 horas), anemia, hepatoesplenomegalia e níveis de bilirrubina que aumentam rapidamente, frequentemente ultrapassando os limiares para fototerapia. No caso descrito, o RN tem 3 dias de vida, está clinicamente bem e a bilirrubina é de 12 mg/dL — um valor que, embora seja um fator de risco, não configura doença hemolítica estabelecida, pois o quadro clínico é de um RN saudável com icterícia fisiológica.

A icterícia relacionada ao aleitamento materno pode se manifestar de duas formas: a icterícia do aleitamento materno precoce, que ocorre na primeira semana de vida e está associada à ingesta insuficiente de leite, desidratação e perda de peso > 7%, e a síndrome do leite materno, que ocorre após a primeira semana e está relacionada a fatores presentes no leite que inibem a conjugação da bilirrubina. No caso apresentado, o RN está em aleitamento materno exclusivo, mas não há relato de dificuldade na amamentação, perda de peso excessiva ou qualquer outro sinal de ingesta insuficiente — o que afasta essa hipótese. A atresia de vias biliares, por sua vez, é uma causa de hiperbilirrubinemia conjugada (direta), que se manifesta com icterícia persistente, acolia fecal e colúria, geralmente após a segunda semana de vida. No caso, a icterícia é de bilirrubina indireta (não conjugada), o que exclui essa possibilidade.

A pegadinha desta questão está em dois pontos: primeiro, a presença da incompatibilidade ABO, que pode levar o candidato a pensar imediatamente em doença hemolítica, quando na verdade o quadro clínico é de icterícia fisiológica; segundo, o valor de bilirrubina de 12 mg/dL, que é um limiar de alerta, mas não é, por si só, indicativo de patologia — é preciso avaliar o contexto clínico completo. O RN está ativo, mamando bem, sem sinais de gravidade, e a icterícia apareceu no 3º dia de vida, o que é o padrão típico da icterícia fisiológica. A banca explora exatamente essa confusão entre fator de risco e doença estabelecida.

Guarde o critério decisivo: a icterícia fisiológica é um diagnóstico de exclusão, mas se caracteriza por surgir entre o 2º e o 5º dia de vida, em RN a termo e saudável, com progressão cefalocaudal e sem sinais de alerta. A presença de incompatibilidade ABO é um fator de risco que exige vigilância, mas não transforma o quadro em doença hemolítica se o RN estiver clinicamente bem e os níveis de bilirrubina não ultrapassarem os limiares de intervenção. É exatamente essa fronteira entre fator de risco e doença que separa as alternativas.

Critério

Icterícia Fisiológica

Icterícia do Aleitamento Materno

Doença Hemolítica ABO

Atresia de Vias Biliares

Início

2º–5º dia de vida

Precoce: 1ª semana; Tardia: após 1ª semana

Primeiras 24 horas

Após 2ª semana

Tipo de bilirrubina

Indireta (não conjugada)

Indireta (não conjugada)

Indireta (não conjugada)

Direta (conjugada)

Sinais clínicos

RN ativo, mamando bem, sem sinais de alerta

Precoce: perda de peso > 7%, desidratação; Tardia: RN saudável

Anemia, hepatoesplenomegalia, aumento rápido da bilirrubina

Acolia fecal, colúria, icterícia persistente

Valor típico de bilirrubina

Até ~12 mg/dL no pico (zona 3 de Kramer)

Pode ultrapassar limiares para fototerapia

Aumento rápido, frequentemente > limiar de fototerapia

Bilirrubina direta > 2 mg/dL ou > 20% do total

Relação com o caso (RN 3 dias, BT 12 mg/dL, zona 3)

✅ Compatível — quadro típico

❌ Ausência de ingesta insuficiente ou perda de peso

❌ RN clinicamente bem, sem anemia ou hepatoesplenomegalia

❌ Icterícia indireta, sem colestase

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A icterícia fisiológica do período neonatal é a hipótese diagnóstica correta. O RN é a termo, adequado para a idade gestacional, tem 3 dias de vida, está em aleitamento materno exclusivo, ativo e mamando bem. A icterícia em zona 3 de Kramer (face e tronco superior) com bilirrubina total de 12 mg/dL é compatível com o padrão fisiológico de hiperbilirrubinemia indireta, que surge entre o 2º e o 5º dia de vida e atinge o pico por volta do 4º ao 5º dia. Não há sinais de alerta: a icterícia não apareceu nas primeiras 24 horas, o valor de bilirrubina não ultrapassou 12 mg/dL, e o RN está clinicamente bem. A incompatibilidade ABO é um fator de risco, mas não determina doença hemolítica neste contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A icterícia relacionada ao aleitamento materno pode ocorrer de duas formas: a precoce, associada à ingesta insuficiente de leite, desidratação e perda de peso > 7%, e a tardia (síndrome do leite materno), que ocorre após a primeira semana de vida. No caso apresentado, o RN está em aleitamento materno exclusivo, mas não há relato de dificuldade na amamentação, perda de peso excessiva ou qualquer outro sinal de ingesta insuficiente. Além disso, a icterícia do aleitamento materno precoce geralmente se manifesta com valores de bilirrubina mais elevados e pode estar associada a sinais de desidratação. O quadro descrito é de um RN saudável, mamando bem, o que afasta essa hipótese.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A doença hemolítica por incompatibilidade sanguínea ABO é uma possibilidade, pois a mãe é A+ e o RN é O−, o que configura incompatibilidade. No entanto, a doença hemolítica ABO se manifesta com icterícia precoce (nas primeiras 24 horas de vida), anemia, hepatoesplenomegalia e níveis de bilirrubina que aumentam rapidamente, frequentemente ultrapassando os limiares para fototerapia. No caso, o RN tem 3 dias de vida, está ativo, mamando bem e sem alterações nos sinais vitais, com bilirrubina de 12 mg/dL — um quadro compatível com icterícia fisiológica, não com doença hemolítica estabelecida. A incompatibilidade é um fator de risco que exige vigilância, mas não é, por si só, diagnóstico de doença hemolítica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A atresia de vias biliares é uma causa de hiperbilirrubinemia conjugada (direta), que se manifesta com icterícia persistente, acolia fecal (fezes acólicas, cor de massa de vidraceiro) e colúria (urina escura), geralmente após a segunda semana de vida. No caso apresentado, o RN tem 3 dias de vida, a icterícia é de bilirrubina indireta (não conjugada), e não há relato de acolia fecal ou colúria. Além disso, a atresia de vias biliares é uma condição grave que cursa com colestase, o que não é o caso. Portanto, essa hipótese está completamente afastada.

Gabarito: letra A — o RN apresenta icterícia fisiológica do período neonatal, pois o quadro clínico e laboratorial é compatível com o padrão fisiológico de hiperbilirrubinemia indireta, sem sinais de alerta ou doença hemolítica estabelecida.

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