Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu094120
Banca
VUNESP
Órgão
HIAE
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Pré-Requisito em Pediatria
Gestante de 39 semanas, em trabalho de parto da sua segunda gestação, realizou apenas duas consultas de pré-natal. Apresentava teste rápido positivo para sífilis uma semana antes do parto e recebeu apenas uma dose de penicilina benzatina na admissão hospitalar. O VDRL materno foi de 1:64. O parto ocorreu por via vaginal, o recém-nascido nasceu vigoroso, com exame físico normal, e o VDRL do neonato foi de 1:64 (igual ao materno).Nesse caso, o tratamento preconizado para o recém-nascido é
Aconservador, com seguimento ambulatorial.
Btratamento com penicilina cristalina por 10 dias.
Cantibioticoterapia no caso de alterações clínicas ou laboratoriais.
Ddose única de penicilina benzatina.
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GabaritoB — tratamento com penicilina cristalina por 10 dias.
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Sífilis congênita: manejo do recém-nascido exposto
Gabarito: letra B. O recém-nascido de mãe com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada — como no caso, em que a gestante recebeu apenas uma dose de penicilina benzatina na admissão, sem completar o esquema — deve ser tratado como sífilis congênita, mesmo na ausência de sinais clínicos, com penicilina cristalina por 10 dias (ou procaína, se afastada neurossífilis). A conduta é baseada no fluxograma de manejo da criança exposta à sífilis do Ministério da Saúde, que define o tratamento materno inadequado como indicação de tratamento do recém-nascido.
A sífilis congênita é a transmissão vertical do Treponema pallidum da gestante para o feto, principalmente por via transplacentária. O risco de transmissão é maior nas fases recentes da doença materna (primária, secundária e latente recente), quando há treponemia. No caso apresentado, a gestante tinha VDRL 1:64 (título alto, sugestivo de sífilis recente ou ativa), teste rápido positivo uma semana antes do parto e recebeu apenas uma dose de penicilina benzatina na admissão hospitalar — ou seja, o tratamento materno foi inadequado, pois o esquema completo para sífilis recente exige dose única de 2,4 milhões de UI, mas a primeira dose deve ser administrada até 30 dias antes do parto para ser considerada adequada. Aqui, a dose foi dada na admissão, já em trabalho de parto, portanto não atende ao critério temporal.
O VDRL do recém-nascido igual ao materno (1:64) é esperado, pois os anticorpos IgG atravessam a placenta. Esse achado, isoladamente, não confirma nem exclui infecção congênita — o diagnóstico é feito pela combinação de critérios clínicos, laboratoriais e epidemiológicos. A criança nasceu vigorosa e com exame físico normal, o que não afasta a necessidade de tratamento, pois a maioria dos recém-nascidos com sífilis congênita é assintomática ao nascimento.
O fluxograma do Ministério da Saúde para o manejo na maternidade orienta: se o tratamento materno foi inadequado (como no caso), o recém-nascido deve ser tratado, independentemente de sinais clínicos ou do título do VDRL. As opções terapêuticas são: penicilina cristalina 50.000 UI/kg IV (de 12/12h na primeira semana, de 8/8h após) por 10 dias, ou penicilina procaína 50.000 UI/kg IM uma vez ao dia por 10 dias, se afastada neurossífilis. A penicilina benzatina em dose única é reservada apenas para casos específicos de tratamento materno adequado com seguimento garantido — o que não se aplica aqui.
A pegadinha da questão está em considerar que, por o recém-nascido ser assintomático e o VDRL ser igual ao materno, a conduta seria conservadora. Na verdade, o critério decisivo é a adequação do tratamento materno: mãe não tratada ou inadequadamente tratada → tratar o recém-nascido. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Sífilis congênita: manejo do RN
1Tratamento materno adequado
Esquema completo
1ª dose até 30 dias antes do parto
RN assintomático
Seguimento ambulatorial
2Tratamento materno inadequado
Dose única na admissão
Esquema incompleto
Sem intervalo de 30 dias
Tratar RN como sífilis congênita
Penicilina cristalina IV 10 dias
Penicilina procaína IM 10 dias
se afastar neurossífilis
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A conduta conservadora com seguimento ambulatorial seria indicada apenas se o tratamento materno tivesse sido adequado (esquema completo com primeira dose até 30 dias antes do parto) e o recém-nascido assintomático com VDRL menor ou igual ao materno. No caso, o tratamento materno foi inadequado, o que obriga o tratamento do recém-nascido, mesmo sem sintomas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tratamento materno inadequado (apenas uma dose de penicilina benzatina na admissão, sem completar o esquema e sem respeitar o intervalo de 30 dias antes do parto) indica tratamento do recém-nascido como sífilis congênita. A opção preferencial é a penicilina cristalina 50.000 UI/kg IV por 10 dias, conforme o fluxograma do Ministério da Saúde. A criança nasceu vigorosa e assintomática, mas isso não muda a indicação — o tratamento é obrigatório nesse cenário.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A antibioticoterapia apenas no caso de alterações clínicas ou laboratoriais seria uma conduta de observação, que só se aplica quando o tratamento materno é considerado adequado e o recém-nascido é assintomático com VDRL não reagente ou menor que o materno. No caso, o tratamento materno foi inadequado, então o recém-nascido deve ser tratado independentemente de apresentar alterações clínicas ou laboratoriais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dose única de penicilina benzatina é uma opção terapêutica para o recém-nascido apenas em situações muito específicas, como quando o tratamento materno foi adequado e o recém-nascido é assintomático com seguimento garantido. No caso, o tratamento materno foi inadequado, e a dose única de benzatina não é o esquema recomendado para sífilis congênita — o tratamento padrão é com penicilina cristalina ou procaína por 10 dias.