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Questão de Português — Problemas da língua culta — VUNESP 2025

PortuguêsProblemas da língua culta
Código
vu094154
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Jurídico do Ministério Público
Leia o texto para responder à questão:


Desemprego cai, precarização sobe

    A taxa de desemprego de 6,2% apurada pelo IBGE para o trimestre encerrado em maio não representa apenas o patamar mais baixo da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. O indicador reflete a mudança profunda de um mercado de trabalho marcado pela “uberização”, que vai muito além da informalidade dos aplicativos de transportes para se estender a inúmeras atividades criadas com a digitalização da economia.

    Os dados do IBGE, monitorados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, atestam que há 39,3 milhões de trabalhadores informais no País, o que não é pouco. E embora a taxa de informalidade tenha caído de 38,1% para 37,8% de um trimestre móvel para outro, é uma queda que deve ser relativizada, já que houve alta de 3,7% daqueles que trabalham como CNPJ, os autônomos da era da “pejotização”. Há alguns anos o emprego atravessa uma fase de precarização, fenômeno não apenas brasileiro, mas mundial.

    Num mundo sob novos parâmetros, faz-se necessário o aperfeiçoamento dos critérios de análise para compor um retrato mais fiel do mundo do trabalho. O gráfico do desemprego, em trajetória de queda desde o trimestre encerrado em maio de 2021, não pode ser traduzido como um caminho firme ao pleno emprego, por mais auspiciosos que os dados possam parecer.

    Nelson Marconi, professor da FGV Eaesp, comparou, em recente artigo, microdados da Pnad do ano de 2012, quando a taxa de desemprego estava baixa (média de 7,4%) com o ano fechado de 2024 (média de 6,9%). Em vez de abordar as condições de oferta de emprego, como nível de escolaridade e qualificação profissional, o trabalho de Marconi foi orientado pela demanda, buscando identificar quem contrata e para qual tipo de ocupação. Concluiu que o mercado de trabalho no ano passado estava tão aquecido quanto em 2012, mas com empregos de menor qualidade e remunerações mais baixas mesmo para ocupações que demandam maior qualificação.

    É o mesmo cenário deste ano, com perda de dinamismo do setor produtivo, redução de setores industriais relevantes e investimento insuficiente em setores tecnologicamente mais sofisticados. Um quadro distante do alvissareiro pleno emprego, já que, ao fim das contas, o saldo é a perda do poder de compra, embora a massa de salários em circulação tenha renovado a máxima da série do IBGE, chegando a R$ 354,605 bilhões no trimestre terminado em maio.

    Os dados confirmam que um indicador isolado pouco reflete a economia como um todo. Enquanto o poder de compra se mantiver corroído por uma inflação acima da meta, a queda no desemprego não significa felicidade.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.07.2025. Adaptado)
Identifica-se um vício de linguagem e uma figura de linguagem, respectivamente, em:
  1. ASe o poder de compra se manter corroído por uma inflação acima da meta, a queda no desemprego não significa felicidade. / O professor da FGV Eaesp chegou à conclusão de que não houve mudanças quanto às condições de trabalho no país.
  2. BA “uberização” vai muito além da informalidade dos aplicativos de transportes, englobando inúmeras atividades criadas com a digitalização da economia. / Os dados confirmam que um indicador isolado não simboliza a economia como um todo.
  3. CEm um mundo que vive sob novos parâmetros, é necessário o aperfeiçoamento dos critérios de análise para compor um retrato mais fiel do mundo do trabalho. / A perda de dinamismo do setor produtivo é uma bomba para a economia de qualquer país.
  4. DA taxa de desemprego de 6,2% apurada pelo IBGE não representa apenas o patamar mais baixo da série histórica da pesquisa, iniciada há 13 anos atrás. / O país acordou para a necessidade urgente de se combater a inflação acima da meta.
  5. EUma mão na economia do país implica garantir dinamismo do setor produtivo, e investimento em setores tecnologicamente mais sofisticados. / Um óbice à felicidade da população é a perda do poder de compra devido a uma inflação acima da meta.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — A taxa de desemprego de 6,2% apurada pelo IBGE não representa apenas o patamar mais baixo da série histórica da pesquisa, iniciada há 13 anos atrás. / O país acordou para a necessidade urgente de se combater a inflação acima da meta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vícios e figuras de linguagem no editorial

Gabarito: letra D. A alternativa D apresenta, respectivamente, um vício de linguagem (pleonasmo vicioso em "há 13 anos atrás") e uma figura de linguagem (personificação em "O país acordou"). A primeira parte é redundante – "há" já indica tempo decorrido, e "atrás" repete a ideia –, caracterizando pleonasmo vicioso. A segunda parte atribui ação humana a um ente inanimado (o país), configurando personificação, figura de pensamento.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar pleonasmo vicioso, procure por repetições desnecessárias, como "há anos atrás", "subir para cima", "entrar para dentro". Já a personificação ocorre quando se atribuem características ou ações humanas a seres não humanos, como "o país acordou".

Alternativa A — ❌ Incorreta

A primeira frase não contém vício de linguagem; é uma afirmação condicional literal. A segunda frase é uma paráfrase incorreta do texto (o professor concluiu que houve mudanças na qualidade do emprego) e não apresenta figura de linguagem – é uma informação factual. Portanto, não atende à exigência do enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A primeira parte é transcrição literal do texto, sem vício. A segunda parte parafraseia o texto, mas também não contém figura de linguagem – é uma constatação objetiva. Falta o par vice/figure.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A primeira parte contém uma personificação ("mundo que vive"), que é figura de linguagem, não vício. A segunda parte ("é uma bomba") é metáfora, outra figura. O enunciado exige primeiro vício, depois figura; aqui a ordem está invertida e falta o vício.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

  • Vício: "iniciada há 13 anos atrás" – redundância entre "há" (tempo decorrido) e "atrás" (mesma ideia). Pleonasmo vicioso claro.

  • Figura: "O país acordou" – personificação, pois atribui a um país a ação de acordar, algo próprio de seres humanos.

Ambas as ocorrências se encaixam perfeitamente no que se pede.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A primeira parte ("Uma mão na economia") é uma metáfora, figura de linguagem, não vício. A segunda parte é uma afirmação literal, sem figura. Assim, não há vício na primeira e não há figura na segunda, violando a ordem exigida.

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