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Questão de Direito Penal — Tipicidade — VUNESP 2025

Direito PenalTipicidade
Código
vu094650
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista de Promotoria II (Agente de Promotoria)
Caio foi flagrado com 30 exemplares de cigarro eletrônico (vape), logo que cruzou a fronteira para o Brasil, vindo do Paraguai. Tício, por sua vez, foi flagrado com 200 maços de cigarro, também logo que cruzou a fronteira. Tício já tinha sido flagrado ingressando com cigarros clandestinos no País, por mais de uma vez. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa correta.
  1. ACaio e Tício praticaram o crime de contrabando, tentado.
  2. BCaio praticou o crime de contrabando, tentado. Tício, em razão do princípio da insignificância, dada a quantidade de cigarros, não praticou qualquer crime.
  3. CAs condutas de Caio e Tício são atípicas, visto que a ambos, em vista da quantidade de cigarros, aplica-se o princípio da insignificância.
  4. DTício praticou o crime de contrabando, consumado. Caio não praticou qualquer crime, em vista do princípio da insignificância, dada a quantidade de cigarros eletrônicos apreendidos.
  5. ECaio e Tício praticaram o crime de contrabando, consumado.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Caio e Tício praticaram o crime de contrabando, consumado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Contrabando e princípio da insignificância

Gabarito: letra E. Caio e Tício praticaram o crime de contrabando, consumado. O crime de contrabando (art. 334-A do CP) consuma-se no momento em que a mercadoria proibida ingressa no território nacional, independentemente de apreensão posterior. A jurisprudência do STF é pacífica no sentido de que o princípio da insignificância não se aplica ao contrabando, dada a nocividade social da conduta.

A banca testa dois pontos: (1) a consumação do contrabando ocorre com a entrada da mercadoria – não há tentativa quando o agente é flagrado logo após cruzar a fronteira, pois o crime já está consumado; (2) o princípio da insignificância é inaplicável ao contrabando, diferentemente do descaminho (cujo valor reduzido pode afastar a tipicidade).

Agente

Conduta

Crime

Consumação

Princípio da Insignificância

Fundamento

Caio

Ingresso com 30 cigarros eletrônicos (vape) do Paraguai

Contrabando (art. 334-A do CP)

Consumado (ingresso no território nacional)

Inaplicável (nocividade social)

STF HC 116.242

Tício

Ingresso com 200 maços de cigarro do Paraguai

Contrabando (art. 334-A do CP)

Consumado (ingresso no território nacional)

Inaplicável (nocividade social)

STF HC 116.242

1Consumação
Entrada da mercadoria no Brasil
Flagrante na fronteira = consumado
2Princípio da insignificância
Inaplicável ao contrabando
Aplicável ao descaminho (valor reduzido)
3Espécies
Cigarro eletrônico (vape)
Cigarro comum (maços)
Contrabando (art. 334-A)
LEVELsoulevel.com.br
Contrabando (art. 334-A): Consumação (Entrada da mercadoria no Brasil, Flagrante na fronteira = consumado); Princípio da insignificância (Inaplicável ao contrabando, Aplicável ao descaminho (valor reduzido)); Espécies (Cigarro eletrônico (vape), Cigarro comum (maços))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que ambos praticaram contrabando tentado. Erro: o crime já estava consumado com o ingresso dos cigarros no Brasil, conforme art. 14, I, do CP (crime consumado quando reúne todos os elementos legais).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que Caio praticou tentativa e Tício, por insignificância, não cometeu crime. Erro duplo: (a) a conduta de Caio é consumada, não tentada; (b) o princípio da insignificância não se aplica ao contrabando, conforme entendimento consolidado do STF (HC 116.242).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que ambas as condutas são atípicas por insignificância. Erro: o contrabando de cigarros – ainda que em pequena quantidade – afeta a saúde pública e o comércio lícito, não sendo insignificante. O STF rechaça a aplicação do princípio ao contrabando.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que Tício cometeu contrabando consumado (correto), mas que Caio não cometeu crime por insignificância. Erro parcial: a conclusão sobre Tício está certa, mas a de Caio está errada, pois também praticou contrabando consumado e a insignificância não incide.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Ambos praticaram contrabando consumado. A quantidade de cigarros (30 vapes ou 200 maços) é irrelevante para a tipicidade, e o fato de terem sido flagrados na fronteira não configura tentativa, mas sim consumação. Tício, por ser reincidente, confirma a reprovabilidade, mas a consumação se dá independentemente disso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre contrabando e descaminho. No descaminho, o valor do tributo sonegado pode levar à insignificância (art. 20 da Lei 10.522/2002). No contrabando (mercadoria proibida), não há limite mínimo – qualquer quantidade é criminalmente relevante. Além disso, muitos candidatos pensam que o flagrante na fronteira seria tentativa, mas o crime já se consumou com a introdução.

Gabarito: letra E

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