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Questão de Direito Penal — Concurso de Pessoas — VUNESP 2025

Direito PenalConcurso de Pessoas
Código
vu094660
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista de Promotoria II (Agente de Promotoria)
Tendo em conta as regras constantes do Código Penal, sobre concurso de agentes, assinale a alternativa correta.
  1. AMévia, logo após parir e em estado puerperal, matou o bebê. Caio, por auxiliá-la, incorrerá no crime de homicídio qualificado, incidindo ainda a circunstância agravante do crime ter sido praticado contra descendente.
  2. BCaio, pelo roubo de celular, em conjunto com Mévio, menor de idade, será punido pelo crime de roubo, majorado pelo concurso de agentes.
  3. CTício e Mévio mataram Caio, filho de Tício. Tício e Mévio serão punidos, de forma agravada, em razão do crime ter sido praticado contra descendente.
  4. DTício, funcionário público, apropriou-se de bens da repartição, com o auxílio de Caio, que não era funcionário público, mas sabia da condição do comparsa. Caio será punido pelo crime de apropriação indébita e Tício por peculato.
  5. EMévio contratou Tício para matar o autor do estupro de sua filha. Tício matou a vítima, conforme o contratado, desconhecendo a motivação de Mévio. Tício e Mévio incorrerão no crime de homicídio privilegiado
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GabaritoB — Caio, pelo roubo de celular, em conjunto com Mévio, menor de idade, será punido pelo crime de roubo, majorado pelo concurso de agentes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concurso de Agentes no Código Penal

Gabarito: letra B. A alternativa B está correta porque, no crime de roubo praticado em concurso com um menor inimputável, a majorante do art. 157, §2º, II (concurso de duas ou mais pessoas) é aplicável ao agente imputável, independentemente da inimputabilidade do coautor, conforme entendimento consolidado e a literalidade da norma.

A questão exige conhecimento das regras de concurso de pessoas (arts. 29 a 31 do CP), especialmente a comunicabilidade de circunstâncias e a teoria monista.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A conduta de Mévia configura infanticídio (art. 123 CP), não homicídio. O auxílio de Caio, se prestado, o torna partícipe do infanticídio, desde que soubesse da condição de mãe e do estado puerperal (elementar do crime, comunicável nos termos do art. 30 CP). Não responde por homicídio qualificado nem incide a agravante de descendente, pois esta é pessoal e incomunicável.

Art. 123CP

Art. 123 — "Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena - detenção, de dois a seis anos."

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Caio e o menor Mévio praticaram roubo em concurso. A circunstância de Mévio ser menor de 18 anos (inimputável) não desnatura o concurso de agentes, pois a imputabilidade é condição pessoal e não interfere na tipicidade do concurso. O art. 157, §2º, II do CP prevê aumento de 1/3 a 1/2 se há concurso de duas ou mais pessoas, independentemente de todos serem imputáveis. Portanto, Caio responde pelo roubo com a majorante.

Art. 157, §2CP

Art. 157 — "Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência: Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos, e multa." § 2º — "A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:" II — "se há o concurso de duas ou mais pessoas."

Alternativa C — ❌ Incorreta

Tício (pai da vítima) e Mévio (estranho) mataram descendente de Tício. A agravante de crime praticado contra descendente (art. 61, II, e CP) é de caráter pessoal e, portanto, não se comunica ao coautor Mévio (art. 30 CP). Assim, apenas Tício sofre a agravação; Mévio responde pelo homicídio simples ou qualificado por outro motivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Tício, funcionário público, comete peculato (art. 312 CP) ao se apropriar de bens da repartição. Caio, particular que sabia da condição de funcionário público de Tício, auxilia no crime. A elementar "funcionário público" é elementar do peculato e, portanto, comunica-se ao partícipe (art. 30 CP). Logo, Caio também responde por peculato, e não por apropriação indébita.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O homicídio privilegiado (art. 121, §1º CP) exige que o agente atue sob relevante valor moral ou social. Mévio tinha motivação (vingança pelo estupro da filha), mas Tício, contratado, desconhecia essa motivação. A motivação é circunstância pessoal e incomunicável (art. 30 CP). Portanto, Mévio pode ser beneficiado pelo privilégio, mas Tício responde por homicídio qualificado (pago) ou doloso simples, não privilegiado.

Gabarito: letra B.

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