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Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
vu094691
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista de Promotoria II (Agente de Promotoria)
Leia o texto a seguir para responder à questão.


O ECA digital é um bom avanço


    O Congresso aprovou o Projeto de Lei no 2.628/2022, batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”, que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do Senado, o texto passou por transformações que merecem ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio por ter-se evitado um desastre.

    A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial, a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias, abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao Judiciário.

    Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno? Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra arbitrariedades.

    Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada qual no âmbito de sua função.

    O Brasil tem a chance de implementar uma regulação que concilie a proteção integral da infância com o respeito às liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir rumos quando for preciso.


(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.08.2025. Adaptado)
Na passagem do último parágrafo do texto “... nenhum texto legal substituirá a ‘aldeia inteira’ necessária para educar e proteger crianças.”, a expressão destacada corresponde a uma
  1. Asinédoque, reportando à ideia de que cabe ao ECA a proteção e a educação das crianças.
  2. Bmetáfora, reportando a todos os responsáveis pela educação e proteção das crianças.
  3. Csinestesia, reportando diferentes nuances como a sociedade educa e protege suas crianças.
  4. Dcomparação, reportando aos grupos que privilegiam a educação e proteção das crianças.
  5. Emetonímia, reportando ao papel fundamental da família para educar e proteger as crianças.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — metáfora, reportando a todos os responsáveis pela educação e proteção das crianças.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Figuras de linguagem no último parágrafo

Gabarito: letra B. A expressão "aldeia inteira" no trecho "nenhum texto legal substituirá a 'aldeia inteira' necessária para educar e proteger crianças" é uma metáfora — transferência de sentido que equipara o conjunto de responsáveis pela proteção infantil a uma "aldeia". O próprio texto esclarece esse conjunto: "família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto". A metáfora é implícita, sem conectivo comparativo, e tem função expressiva.

"nenhum texto legal substituirá a 'aldeia inteira' necessária para educar e proteger crianças."

"Proteger os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto"

1Metáfora (✅ Gabarito)
Comparação implícita
Sem conectivo
Sentido conotativo
2Sinédoque (❌)
Parte-todo / espécie-gênero
3Sinestesia (❌)
Cruzamento de sensações
4Comparação (❌)
Conectivo explícito (como, tal qual)
5Metonímia (❌)
Contiguidade semântica
Figuras de linguagem
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Figuras de linguagem: Metáfora (✅ Gabarito) (Comparação implícita, Sem conectivo, Sentido conotativo); Sinédoque (❌) (Parte-todo / espécie-gênero); Sinestesia (❌) (Cruzamento de sensações); Comparação (❌) (Conectivo explícito (como, tal qual)); Metonímia (❌) (Contiguidade semântica)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A sinédoque é a substituição de um termo por outro com relação de parte-todo, espécie-gênero etc. "Aldeia inteira" não representa uma parte no lugar do todo (ex.: "cabeças" por "pessoas") — representa todos os agentes de forma figurada. A alternativa erra ao classificar a figura como sinédoque.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A metáfora é uma comparação implícita. "Aldeia inteira" é empregada em sentido conotativo para designar o conjunto de todos os responsáveis (família, escola, Estado, empresas), sem uso de conectivo. O texto confirma essa correspondência nos parágrafos anteriores.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A sinestesia envolve a mistura de sensações de diferentes sentidos (ex.: "som amargo", "cor fria"). No trecho, não há qualquer cruzamento sensorial. A alternativa foge ao conteúdo do fragmento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A comparação (ou símile) exige um termo comparativo explícito, como "como", "tal qual", "assim como". A expressão "aldeia inteira" é usada sem esses conectivos, caracterizando metáfora, não comparação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A metonímia baseia-se em uma relação de contiguidade semântica (autor pela obra, continente pelo conteúdo, etc.). "Aldeia inteira" não se liga por contiguidade direta com "responsáveis" — é uma transferência por semelhança (o conjunto da sociedade age como uma aldeia que cuida de suas crianças). Portanto, é metáfora, não metonímia.

NÃO CAIA NESSA!

O candidato pode confundir metáfora com metonímia, pois ambas são figuras de substituição. A dica é verificar se há relação de semelhança (metáfora) ou de contiguidade/associação (metonímia). No texto, "aldeia" é comparada implicitamente ao grupo de agentes, o que caracteriza metáfora.

Gabarito: letra B.

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