Questão de Português — Interpretação de Textos — VUNESP 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
vu094693
Banca
VUNESP
Órgão
MPE-SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista de Promotoria II (Agente de Promotoria)
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O ECA digital é um bom avanço
O Congresso aprovou o Projeto de Lei no
2.628/2022,
batizado de “Estatuto da Criança e do Adolescente Digital”,
que aguarda a sanção do Executivo. Entre a versão que foi
ao plenário da Câmara e a que saiu para a aprovação do
Senado, o texto passou por transformações que merecem
ser reconhecidas: afastaram-se riscos claros e imediatos à
liberdade de expressão e foram refinadas medidas de proteção mais consistentes para crianças e adolescentes. No
balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido
melhor, e, pelos riscos incorridos numa tramitação desnecessariamente atabalhoada, resta uma sensação de alívio
por ter-se evitado um desastre.
A Câmara quase entregou um arcabouço que permitiria
remoções indiscriminadas de conteúdo, sem ordem judicial,
a partir de denúncias genéricas. Quase concedeu ao Executivo poderes para suspender redes inteiras por ato administrativo. Quase institucionalizou uma guerra de denúncias,
abrindo a porta à censura privada. Esses desastres foram
revertidos, felizmente, por pressão da oposição: a legitimidade de denúncia foi limitada a vítimas, responsáveis e órgãos
competentes, e a interrupção de plataformas ficou restrita ao
Judiciário.
Mas a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades. Persistem conceitos vagos, como a exigência de evitar
o “uso compulsivo”, que pode ser interpretado de múltiplas
maneiras. Permanecem dúvidas sobre a futura “autoridade
nacional” responsável por regulamentar e fiscalizar a lei: terá
autonomia real, ou será capturada pelo governo de turno?
Como se sabe, o diabo mora nos detalhes – mas também, às
vezes, na falta deles. Um marco regulatório só se sustenta se
for tecnicamente sólido e institucionalmente blindado contra
arbitrariedades.
Além disso, é preciso reconhecer que leis, sozinhas, não
resolverão o problema. A exploração infantil nas redes é real
e abjeta, mas não será contida apenas por notificações de
conteúdo. O avanço regulatório sobre as plataformas não
pode servir de pretexto para aliviar responsabilidades dos
agentes públicos, transferir culpas e alimentar a ilusão de que
a vigilância digital substitui a investigação criminal. Proteger
os menores exige corresponsabilidade: família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto, cada
qual no âmbito de sua função.
O Brasil tem a chance de implementar uma regulação
que concilie a proteção integral da infância com o respeito às
liberdades. Para tanto, precisará resistir às tentações do sentimentalismo e do voluntarismo, e assumir que nenhum texto
legal substituirá a “aldeia inteira” necessária para educar e
proteger crianças. Uma lei robusta é um começo. Mas sua
aplicação exigirá vigilância, prudência e a coragem de corrigir
rumos quando for preciso.
Ao analisar a aprovação do Projeto de Lei no 2.628/2022, o editorial deixa claro que ele
Aé um marco expressivo para a proteção da infância, ainda que originalmente contivesse falhas, corrigidas, e, na versão final, tenha deixado lacunas e ambiguidades.
Btem a chance de resolver satisfatoriamente a questão do uso das redes digitais, porque se trata de um documento amplamente discutido e analisado com cuidado.
Cserá de fácil implementação, porque sua votação rápida permitiu que falhas, lacunas e ambiguidades fossem devidamente analisadas e retiradas do texto final.
Dimpõe aos agentes públicos a responsabilidade com a proteção integral da infância, considerando que a família, na maioria das vezes, não sabe como fazê-lo.
Eestá eivado de problemas, uma vez que pode ser um marco regulatório ao qual falta suporte técnico e, além do mais, não conta com apoio da maioria da população.
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GabaritoA — é um marco expressivo para a proteção da infância, ainda que originalmente contivesse falhas, corrigidas, e, na versão final, tenha deixado lacunas e ambiguidades.
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Interpretação do editorial sobre o ECA Digital
Gabarito: Alternativa A. O editorial deixa claro que o projeto de lei é um avanço positivo, mas que, apesar da correção de riscos iniciais, ainda apresenta lacunas e ambiguidades. Isso está explícito no texto: “No balanço geral, o resultado é positivo, mas poderia ter sido melhor” e “a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades”. A alternativa A parafraseia fielmente essa posição.
Análise das alternativas
Alternativa
Posição do editorial sobre o PL 2.628/2022
Relação com o texto do editorial
A
Marco positivo, com falhas originais corrigidas, mas com lacunas e ambiguidades remanescentes.
✅ Correta. Parafraseia fielmente o texto: “resultado positivo”, “riscos afastados”, “lacunas e ambiguidades”.
B
Resolverá satisfatoriamente a questão, pois foi amplamente discutido e analisado com cuidado.
❌ Incorreta. O editorial critica a “tramitação açodada” e “atabalhoada”, opondo-se à ideia de discussão cuidadosa.
C
Será de fácil implementação, pois a votação rápida eliminou falhas, lacunas e ambiguidades.
❌ Incorreta. O texto afirma que a pressa “deixou lacunas e ambiguidades”, não que as eliminou.
D
Impõe responsabilidade exclusiva aos agentes públicos, já que a família não sabe proteger a infância.
❌ Incorreta. O editorial defende corresponsabilidade entre família, escola, instituições e empresas.
E
Está eivado de problemas, sem suporte técnico e sem apoio popular.
❌ Incorreta. O editorial considera o resultado “positivo” e não menciona falta de suporte técnico ou apoio popular.
Editorial sobre o ECA Digital
1Resultado positivo
Riscos iniciais afastados
Liberdade de expressão preservada
2Lacunas e ambiguidades
Tramitação açodada
Poderia ter sido melhor
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O editorial afirma que, no balanço geral, o resultado é positivo, e que os riscos iniciais foram afastados (“afastaram-se riscos claros e imediatos à liberdade de expressão”). Em seguida, aponta que persistem lacunas e ambiguidades (“a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades”). A alternativa sintetiza essa ideia: “marco expressivo” corresponde ao resultado positivo; “originalmente contivesse falhas, corrigidas” refere-se aos riscos afastados; “na versão final, tenha deixado lacunas e ambiguidades” é cópia do texto. Portanto, correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o projeto “tem a chance de resolver satisfatoriamente […] porque se trata de um documento amplamente discutido e analisado com cuidado.” O editorial, porém, diz o contrário: “tramitação desnecessariamente atabalhoada” e “tramitação açodada”. Não houve discussão ampla e cuidadosa; houve pressa. Erro: contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que “será de fácil implementação, porque sua votação rápida permitiu que falhas, lacunas e ambiguidades fossem devidamente analisadas e retiradas do texto final.” O editorial afirma que “a tramitação açodada deixou lacunas e ambiguidades” – exatamente o oposto. Erro: contradiz o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Impõe aos agentes públicos a responsabilidade com a proteção integral da infância, considerando que a família, na maioria das vezes, não sabe como fazê-lo.” O editorial defende corresponsabilidade: “família, escola, instituições públicas e empresas precisam agir em conjunto”. Não há afirmação de que a família não sabe fazê-lo, nem que a responsabilidade recai exclusivamente sobre agentes públicos. Erro: acrescenta opinião não sustentada e restringe a corresponsabilidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
“Está eivado de problemas, uma vez que pode ser um marco regulatório ao qual falta suporte técnico e, além do mais, não conta com apoio da maioria da população.” O editorial classifica o resultado como positivo e afirma que “uma lei robusta é um começo”. Não diz que falta suporte técnico (apenas que o diabo mora na falta de detalhes, mas isso não invalida o marco) e não menciona falta de apoio popular. Erro: extrapola e distorce o tom positivo do texto.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de o candidato superdimensionar os problemas ou acreditar em soluções fáceis. A palavra-chave é “deixa claro”: a resposta deve se ater ao que está explicitamente afirmado, sem inferências exageradas.
Conclusão: Somente a alternativa A reflete com exatidão o que o editorial diz. As demais ou contradizem o texto ou acrescentam dados não presentes.