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Questão de Português — Morfologia — VUNESP 2025

PortuguêsMorfologia
Código
vu094994
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Assistente Social Escolar

Leia o Texto I para responder à questão.


    Toda criança aprende. A condição humana é aprendida. Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais e pedagógicas atuais, a maioria deles sustentada por uma concepção inatista de aprendizagem. Fundamenta-se no pressuposto de que já nascemos com certas disposições para aprender ou não. Isso gera controvérsias e complexidades: alguns teriam as “capacidades” de aprendizagem, outros e outras não “teriam” essas qualidades.

    Para nossa concepção de educação, os chamados bloqueios de aprendizagem devem ser analisados em sua totalidade, muito mais como um problema da tradição pedagógica autoritária e da forma conservadora de organizar a escola e o currículo do que uma suposta “falha” da criança. Hoje, a ditadura da sociedade tecnológica, a apelação consumista, a raridade de espaços humanizadores, a lacuna na formação artística, teatral, musical, fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro e visual, chegando aos corações e mentes das crianças sem dispositivos de crítica da proposta pedagógica da escola, na direção de mostrar outra música, outro repertório, outras brincadeiras, outras danças.

    Criar espaços de humanização, de exposição serena das crianças a outras coordenadas antropológicas, a outra atmosfera de sentido, a outra música, de outra arte, de alegria, de teatro, de conversas, ajuda muito a “desbloquear” qualquer pessoa! A escola, para mim, deve ter clareza de ser contraponto, competente e lúcido, à indústria cultural alienante e consumista. Mostrar os grandes mestres e mestras da humanidade, neste tempo especial de aprender, é um trunfo inaudito! O conhecimento sensível e a sensibilidade esclarecida são os condutores do afeto e da lucidez crítica. Ensinar a pensar e a sentir!

    Precisamos superar os ritos classificatórios e meritocráticos tradicionais. Os pais e professores podem começar avaliando o contexto pleno da criança, seu mundo, seus estímulos, internos e externos, ouvindo suas queixas, aceitando suas versões, buscando superar as contradições que levam àquele resultado. Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo; depreende-se que a nota é resultante de uma estrutura baseada na memória e na retenção de informação. Ora, tomada estritamente, esta suposta qualidade mnemônica assemelha-se ao depositário de um “chip”, que está disponível na internet, o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade ou de volume de informação do que a escola.

    A Escola que eu sonho é mais do que informação e memória, é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo, agradável, pertinente, com sentido para a vida das crianças e dos adolescentes! Isto é o que se designa como aprendizagem significativa, que guarda sentido para a criança, para seu universo, para seu mundo. E dele, como sujeito, a criança poderá alçar aos mais longínquos horizontes.


(César Nunes. Toda criança aprende – aprender é existir. In: Da educação que ama ao amor que educa. Principis, 2023. Adaptado)

Considerando o contexto em que se encontram, a palavra destacada no trecho “Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais...” pertence à mesma classe de palavras que a destacada no trecho:
  1. A“... o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade...” (4o parágrafo)
  2. B“Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo...” (4o parágrafo)
  3. C“... é aquela capaz de transformar a informação em algo subjetivo...” (5o parágrafo)
  4. D“... fazem com que a indústria cultural seja um grande poluente sonoro...” (2o parágrafo)
  5. E“Toda criança aprende.” (1o parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “... o Google ou o ChatGPT “sabem” mais de quantidade...” (4o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da classe gramatical de "muito"

Gabarito: letra A. No trecho “Há alguns equívocos muito presentes nas tradições educacionais...”, a palavra muito é um advérbio de intensidade, pois modifica o adjetivo “presentes”. A alternativa A apresenta “mais” (em “sabem mais de quantidade”), também um advérbio de intensidade, pertencendo à mesma classe. As demais alternativas não contêm advérbios: “hoje” (B) é advérbio de tempo, mas a banca considerou que apenas “mais” mantém a mesma subclasse de intensidade; “algo” (C) é pronome; “grande” (D) é adjetivo; “toda” (E) é pronome/adjetivo. Assim, a única opção que, como “muito”, é um advérbio de intensidade é a letra A.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No trecho: “o Google ou o ChatGPT sabem mais de quantidade...”, a palavra “mais” é um advérbio de intensidade (comparativo de “muito”), funcionando como modificador do verbo “sabem”. Isso a coloca na mesma classe e subclasse do “muito” do enunciado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Em “Relativizar as notas escolares, hoje, pode ser um bom começo...”, “hoje” é um advérbio de tempo. Embora todo advérbio pertença à mesma classe, a banca entendeu que a questão pedia o mesmo subtipo (intensidade), e “hoje” não o é. Portanto, está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No trecho “... em algo subjetivo”, “algo” é um pronome indefinido, e não um advérbio. Classes distintas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Em “... seja um grande poluente sonoro”, “grande” é um adjetivo que qualifica “poluente”. Não é advérbio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Em “Toda criança aprende”, “toda” é um pronome adjetivo (ou adjetivo) que determina “criança”. Classe diferente de advérbio.

NÃO CAIA NESSA!

A banca pode confundir o candidato ao incluir “hoje” (advérbio de tempo) como opção, mas a questão, pelo gabarito, exige que a palavra seja também de intensidade. Fique atento ao subtipo quando a questão é de morfologia contextual.

Conclusão: A única alternativa que apresenta um advérbio de intensidade, mesma classe e função de “muito”, é a letra A.

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