Questão de História — Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura — VUNESP 2025
História›Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura
Código
vu095342
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialista Cultural e Artístico - História
Leia o texto a seguir:Levada a cabo pelo então Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), desde sua criação em 1937, essa política preservacionista deixou um saldo de bens imóveis tombados, referentes aos setores dominantes da sociedade. Preservaram-se as igrejas barrocas, os fortes militares, as casas-grandes e os sobrados coloniais.(Ricardo Oriá, “Memória e ensino de História”. Em: Circe M. F. Bittencourt, O saber histórico na sala de aula, 1997. Adaptado)Considerando o contexto abordado, está correto afirmar que a referida política preservacionista
Adeixou senzalas, quilombos, vilas operárias e cortiços no esquecimento, excluindo a pluralidade étnico-cultural da formação histórica do Brasil.
Bcontribuiu para ampliar a representatividade da diversidade cultural brasileira, institucionalizando processos para a preservação da memória popular.
Ccolaborou para a descentralização administrativa dos processos de tombamento, possibilitando maior participação dos entes subnacionais nas decisões finais.
Dvalorizou a formação de equipe técnica de natureza multidisciplinar, para evitar uma visão elitista e excludente do conceito de patrimônio histórico e artístico.
Edescaracterizou aspectos da arte e da arquitetura do Período Colonial e Barroco, em razão de sua ênfase na visão modernista de preservação patrimonial.
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GabaritoA — deixou senzalas, quilombos, vilas operárias e cortiços no esquecimento, excluindo a pluralidade étnico-cultural da formação histórica do Brasil.
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Política preservacionista do SPHAN (1937)
Gabarito: letra A. O texto critica a política do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), que priorizou bens dos setores dominantes (igrejas barrocas, fortes, casas-grandes, sobrados coloniais) e deixou de lado espaços como senzalas, quilombos, vilas operárias e cortiços – evidenciando uma visão excludente da pluralidade étnico-cultural brasileira.
A banca testa a capacidade de identificar, a partir de um texto crítico, o caráter elitista e seletivo da primeira política federal de preservação patrimonial no Brasil, criada em 1937 no contexto do Estado Novo.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa capta exatamente a tese do autor: a política do SPHAN deixou de lado as manifestações culturais e os espaços ligados a grupos subalternizados (escravizados, indígenas, trabalhadores urbanos), concentrando-se na herança das elites coloniais. Isso resultou no esquecimento de senzalas, quilombos, vilas operárias e cortiços, silenciando a diversidade étnico-cultural que compõe a história do Brasil.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto afirma o contrário: a política não ampliou a representatividade, mas restringiu-se aos bens dos "setores dominantes da sociedade". Não houve institucionalização de processos para preservar a memória popular; ao contrário, a memória popular foi omitida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A descentralização administrativa não é mencionada nem sugerida. O SPHAN era um órgão federal e centralizador; os tombamentos eram decididos em âmbito nacional, sem participação significativa de estados e municípios na época.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A equipe do SPHAN, liderada por modernistas como Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco de Andrade, tinha sim uma visão ampla, mas a política efetiva de tombamento, conforme o texto, privilegiou o patrimônio das elites. A afirmativa de que a equipe multidisciplinar evitou o elitismo é desmentida pelo saldo apontado pelo autor.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Não há no texto qualquer referência a uma "visão modernista" que descaracterizasse a arte barroca ou colonial. A crítica é sobre o que foi preservado (e o que foi excluído), não sobre a forma de intervenção nos bens tombados.
NÃO CAIA NESSA!
A banca poderia tentar confundir com o discurso de que o SPHAN "valorizou a diversidade" (alternativa B). Mas o texto é explícito: houve exclusão. Leia com atenção os exemplos dados (igrejas, fortes, casas-grandes) e compare com os excluídos (senzalas, quilombos, cortiços). A chave está na oposição entre "setores dominantes" e "pluralidade étnico-cultural".