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Questão de História — Fundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura — VUNESP 2025

HistóriaFundamentos da História : Tempo, Memória e Cultura
Código
vu095353
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Especialista Cultural e Artístico - História
Leia o texto a seguir:Não estamos longe da definição de Lucien Febvre, um especialista no século XVI, o qual, junto com Marc Bloch, fundou nos idos de 1929 a prestigiosa escola dos Annales, que teria papel fundamental na constituição de um novo modelo de historiografia. Segundo Febvre, a “história era filha de seu tempo”, o que já demonstrava a intenção do grupo de problematizar o próprio “fazer histórico” e sua capacidade de observar.(Lilia M. Schwarcz, “Apresentação à edição brasileira – Por uma historiografia da reflexão”. Em: Marc Bloch, Apologia da História, 2001)Considerando o exposto, de acordo com a corrente historiográfica abordada, está correto afirmar que
  1. Aas mudanças sociais têm uma sequência e regularidade que obedecem a determinados padrões.
  2. Bcada época elenca temas de pesquisa que revelam mais de suas próprias inquietações e convicções.
  3. Ca História é o grande princípio explicativo da conduta, dos valores e dos elementos da cultura humana.
  4. Da ciência histórica deve buscar aproximação cada vez maior com os métodos das ciências naturais.
  5. Eum corpo metodológico estruturado evita juízos prévios de valor e pressupostos subjetivos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — cada época elenca temas de pesquisa que revelam mais de suas próprias inquietações e convicções.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escola dos Annales: a história como filha do seu tempo

Gabarito: letra B. A frase de Lucien Febvre — "a história era filha de seu tempo" — sintetiza a proposta dos Annales: cada época produz uma historiografia que reflete suas próprias inquietações e convicções, e não uma verdade absoluta ou neutra. A alternativa B traduz exatamente esse princípio, consagrado na obra de Febvre e Marc Bloch.

A banca testa a compreensão da ruptura promovida pelos Annales com a historiografia positivista do século XIX. Enquanto o positivismo buscava leis gerais e neutralidade, os Annales defendiam que o historiador é um sujeito situado no seu tempo, e que os temas e perguntas que ele escolhe são condicionados pelos valores e problemas da sua época.

Escola dos Annales
  • 1Ruptura com o positivismo
    • Leis universais e progresso linear
    • Neutralidade absoluta
    • Método das ciências naturais
  • 2História-problema
    • Historiador situado no seu tempo
    • Temas refletem inquietações da época
    • Diálogo com ciências sociais
  • 3Máxima de Febvre
    • "História era filha de seu tempo"
    • Cada época produz sua historiografia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "as mudanças sociais têm uma sequência e regularidade que obedecem a determinados padrões". Essa visão é típica do positivismo histórico (Comte, Ranke), que acreditava em leis universais e progresso linear. Os Annales, ao contrário, criticavam essa teleologia e valorizavam a complexidade, as rupturas e as múltiplas temporalidades.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Cada época elenca temas de pesquisa que revelam mais de suas próprias inquietações e convicções." Perfeita correspondência com a máxima febreviana. A história não é neutra: o historiador é fruto do seu contexto e, ao escolher seu objeto de estudo, projeta as questões do presente sobre o passado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que "a História é o grande princípio explicativo da conduta, dos valores e dos elementos da cultura humana". Essa é uma visão determinista e totalizante, incompatível com o pensamento dos Annales. Para Febvre e Bloch, a história é uma ciência em construção, que dialoga com outras disciplinas, e não um princípio absoluto de explicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A ciência histórica deve buscar aproximação cada vez maior com os métodos das ciências naturais." Os Annales romperam exatamente com esse ideal — os fundadores propuseram uma história-problema, aberta às ciências sociais (sociologia, geografia, economia), e não às ciências naturais. A obra de Marc Bloch, Apologia da História, defende métodos específicos das humanidades.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Um corpo metodológico estruturado evita juízos prévios de valor e pressupostos subjetivos." Os Annales reconheciam que o historiador tem subjetividade e que a metodologia não elimina os valores de seu tempo. Pelo contrário, eles incentivavam a consciência crítica do historiador sobre seus próprios pressupostos, e não a ilusão de neutralidade.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre a Escola dos Annales, lembre-se do tripé: 1) história-problema (não história-narrativa), 2) diálogo interdisciplinar (com ciências sociais, não naturais), 3) o historiador como sujeito situado socialmente. A frase "história é filha do seu tempo" é o carro-chefe. Compare com o positivismo: este buscava leis gerais e neutralidade; os Annales buscavam compreender as estruturas e os sujeitos históricos sem pretensão de universalidade.

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