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Questão de Medicina — Geral — VUNESP 2025

MedicinaGeral
Código
vu095614
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Coloproctologia
Paciente de 66 anos, masculino, apresenta dor em região anal e sangramento após evacuação. No exame físico, apresenta lesão de 4 cm de extensão situada 1 cm acima da linha denteada. Apresenta linfonodos inguinais palpáveis. Quadro clínico compatível com carcinoma espinocelular de canal anal, confirmado em anatomopatológico.A respeito do quadro, assinale a alternativa correta.
  1. AA cirurgia de excisão abdominoperineal do reto e canal anal é padrão-ouro.
  2. BA radioterapia pode causar retite actínica e, portanto, deve ser evitada e utilizada apenas para casos paliativos.
  3. CA quimiorradioterapia definitiva não deve ser realizada em tumores de grandes dimensões.
  4. DHá necessidade de biópsia dos linfonodos inguinais; se negativa, o paciente deve realizar tratamento cirúrgico.
  5. EO tratamento inicial padrão é a quiomiorradioterapia definitiva.
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GabaritoE — O tratamento inicial padrão é a quiomiorradioterapia definitiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma espinocelular de canal anal: tratamento

Gabarito: letra E. O carcinoma espinocelular de canal anal é uma das poucas neoplasias sólidas curáveis sem ressecção cirúrgica, e o tratamento padrão inicial é a quimiorradioterapia definitiva (quimioterapia com 5-FU e mitomicina associada à radioterapia), que pode evitar a necessidade de cirurgia de grande porte com colostomia permanente. As demais alternativas apresentam condutas ultrapassadas ou incorretas frente ao manejo atual.

O câncer anal é uma neoplasia maligna incomum, fortemente associada à infecção pelo HPV (tipos 16 e 18), que inativa os genes supressores de tumor TP53 e RB1 por meio das proteínas virais E6 e E7. É mais comum em indivíduos com HIV e naqueles que praticam relações sexuais anais receptivas, devido à baixa imunidade do hospedeiro e ao aumento da transmissão do HPV. O condiloma acuminado é uma lesão precursora. A histologia típica é de carcinoma espinocelular (CCE), com lâminas de células queratinizadas hiperproliferativas. A inflamação local crônica (doença inflamatória intestinal, fissuras e fístulas anais recorrentes) também pode levar ao câncer anal.

As manifestações iniciais comuns são localizadas: prurido ou dor, sangramento, corrimento e sensação de massa perianal. No caso de doença subjacente crônica (como doença de Crohn), uma lesão anal que não cicatriza apesar do bom controle da doença em outros locais deve levantar suspeita de neoplasia maligna. O diagnóstico é feito por exame físico e biópsia da lesão suspeita. A avaliação para disseminação distante inclui TC de tórax, abdome e pelve, com atenção especial ao exame dos linfonodos inguinais, que são locais comuns de disseminação precoce.

O tratamento do câncer anal é paradigmático: é uma das poucas neoplasias malignas sólidas passíveis de cura sem ressecção cirúrgica. Para lesões iniciais e muito pequenas, a excisão completa pode ser suficiente. Entretanto, na maioria dos casos, a modalidade curativa padrão consiste em quimioterapia combinada com 5-FU e mitomicina, juntamente com radioterapia — a chamada quimiorradioterapia definitiva. Esse esquema apresenta toxicidades significativas em curto prazo, que devem ser tratadas de forma agressiva, mas pode evitar a necessidade de uma cirurgia de grande porte que resultaria em colostomia permanente. Mais de 70% dos casos podem ser curados com quimiorradiação. A recidiva da doença é geralmente tratada com excisão cirúrgica (se local) ou quimioterapia sistêmica (se distante).

A pegadinha central desta questão é a tentação de tratar o câncer anal como se fosse um câncer de reto ou de cólon, nos quais a cirurgia é o pilar do tratamento. No canal anal, a quimiorradioterapia definitiva é o padrão-ouro inicial, e a cirurgia (excisão abdominoperineal) fica reservada para casos de recidiva ou doença residual após o tratamento quimiorradioterápico. A banca explora exatamente essa confusão entre a abordagem do câncer colorretal e a do câncer anal.

Guarde a fronteira decisiva: no carcinoma de canal anal, o tratamento inicial padrão é a quimiorradioterapia definitiva, e a cirurgia é reservada para falha terapêutica ou recidiva. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia de excisão abdominoperineal do reto e canal anal é padrão-ouro. Isso está incorreto: o câncer anal é uma das poucas neoplasias sólidas curáveis sem ressecção cirúrgica, e a quimiorradioterapia definitiva é o tratamento padrão inicial. A cirurgia abdominoperineal (que resulta em colostomia permanente) fica reservada para casos de recidiva ou doença residual após quimiorradioterapia, não como tratamento de primeira linha.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a radioterapia pode causar retite actínica e, portanto, deve ser evitada e utilizada apenas para casos paliativos. Embora a retite actínica seja uma toxicidade real da radioterapia pélvica, isso não contraindica seu uso curativo. A radioterapia é componente essencial da quimiorradioterapia definitiva, que é o tratamento padrão e curativo do câncer anal. As toxicidades em curto prazo devem ser tratadas de forma agressiva, mas não justificam evitar o tratamento curativo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a quimiorradioterapia definitiva não deve ser realizada em tumores de grandes dimensões. Isso é falso: a quimiorradioterapia definitiva é o tratamento padrão para a maioria dos casos de câncer anal, independentemente do tamanho tumoral, desde que não haja doença metastática à distância. O tamanho da lesão não contraindica a quimiorradioterapia; pelo contrário, é justamente nos tumores maiores que a quimiorradioterapia evita a necessidade de cirurgia mutiladora com colostomia permanente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que há necessidade de biópsia dos linfonodos inguinais e que, se negativa, o paciente deve realizar tratamento cirúrgico. Há dois erros: (1) a avaliação dos linfonodos inguinais é feita por exame físico e exames de imagem (TC), e a biópsia não é rotineiramente necessária para o estadiamento inicial; (2) mesmo que a biópsia fosse negativa, o tratamento padrão não seria cirúrgico, mas sim quimiorradioterapia definitiva. A cirurgia não é o tratamento inicial do câncer anal.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o tratamento inicial padrão é a quimiorradioterapia definitiva. Isso está correto: o câncer anal é uma das poucas neoplasias malignas sólidas passíveis de cura sem ressecção cirúrgica, e a modalidade curativa padrão consiste em quimioterapia combinada com 5-FU e mitomicina, juntamente com radioterapia. Esse tratamento pode evitar a necessidade de uma cirurgia de grande porte que resultaria em colostomia permanente, e mais de 70% dos casos podem ser curados com quimiorradiação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o tratamento do câncer colorretal (cirurgia como pilar) e o do câncer de canal anal (quimiorradioterapia como padrão). No canal anal, a cirurgia abdominoperineal com colostomia permanente é reservada para recidiva ou falha terapêutica, não para o tratamento inicial. Fique atento: quando a questão falar de carcinoma de canal anal, o tratamento inicial é sempre quimiorradioterapia definitiva.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar: no câncer de canal anal, a sequência mental é: diagnóstico por biópsia → estadiamento com TC de tórax/abdome/pelve e exame dos linfonodos inguinais → quimiorradioterapia definitiva (5-FU + mitomicina + radioterapia) → cirurgia apenas se recidiva ou doença residual. Essa é a regra de ouro que resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra E

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