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Questão de Medicina — Geral — VUNESP 2025

MedicinaGeral
Código
vu095631
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Coloproctologia
Paciente de 74 anos, sexo feminino, vem ao ambulatório para avaliação de quadro iminentemente proctológico. Ao exame físico, à manobra de valsalva, encontra-se o seguinte achado:Imagem associada para resolução da questão(Arquivo pessoal; imagem utilizada com autorização)A respeito do caso apresentado, assinale a alternativa correta.
  1. AA paciente deve ter pontuação baixa pela Escala de Cleveland Clinic Florida (Wexner), que avalia a continência anal.
  2. BTratando-se de patologia cirúrgica, a abordagem é por via abdominal (retopexia e suas variantes).
  3. CA incidência de prolapso de órgãos pélvicos é de até 40% da população feminina, e até 30% destes casos apresentam prolapso retal.
  4. DObrigatoriamente a paciente deve apresentar grau severo de constipação intestinal.
  5. EA paciente não apresenta indicação de fisioterapia pélvica.
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GabaritoC — A incidência de prolapso de órgãos pélvicos é de até 40% da população feminina, e até 30% destes casos apresentam prolapso retal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prolapso Retal e Prolapso de Órgãos Pélvicos

Gabarito: letra C. A questão aborda o prolapso retal, condição em que o reto exterioriza-se pelo ânus, frequentemente associada ao prolapso de órgãos pélvicos (POP). A alternativa correta afirma que a incidência de POP é de até 40% na população feminina, e que até 30% desses casos apresentam prolapso retal — dado epidemiológico amplamente aceito na literatura. As demais alternativas contêm erros conceituais ou afirmações absolutas incorretas.

O prolapso retal (ou procidência) é a protrusão de toda a espessura da parede retal através do ânus. No exame físico, a manobra de Valsalva (esforço evacuatório) é utilizada na inspeção dinâmica para evidenciar o prolapso, como descrito no exame proctológico: "Na inspeção dinâmica, solicita-se ao paciente que faça esforço evacuatório, e podem ser observados os prolapsos mucosos e hemorroidários, o prolapso completo do reto, as fissuras, os pólipos ou outros tumores prolapsados". A imagem mostra uma massa protrusa pelo ânus, compatível com prolapso retal completo.

O prolapso de órgãos pélvicos é uma condição multifatorial, mais comum em mulheres idosas, associada a fatores como paridade, parto vaginal, obesidade, constipação crônica e fraqueza do assoalho pélvico. A epidemiologia citada na alternativa C (até 40% de incidência de POP e até 30% destes com prolapso retal) é um dado clássico, frequentemente cobrado em provas de residência e concursos. É importante notar que o prolapso retal pode ocorrer isoladamente ou em associação com outras formas de POP, como cistocele, retocele e prolapso uterino.

A abordagem terapêutica do prolapso retal é cirúrgica, mas a via de acesso pode ser abdominal (retopexia) ou perineal (procedimentos como Delorme e Altemeier), dependendo de fatores como idade, comorbidades e grau do prolapso. A escolha não é obrigatoriamente abdominal, como afirma a alternativa B. A fisioterapia pélvica (treinamento dos músculos do assoalho pélvico) tem papel importante no tratamento conservador, especialmente em casos leves ou como adjuvante no pós-operatório, contrariando a alternativa E. A constipação intestinal é um fator de risco e pode estar presente, mas não é obrigatória, como afirma a alternativa D.

A Escala de Cleveland Clinic Florida (Wexner) avalia a continência anal, pontuando a frequência de perda de fezes sólidas, líquidas, gases, uso de absorventes e alteração do estilo de vida. Em pacientes com prolapso retal, a incontinência pode estar presente, mas não é regra; a pontuação pode ser alta ou baixa, dependendo do caso. A alternativa A afirma que a paciente "deve" ter pontuação baixa, o que é uma generalização incorreta.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de associar o prolapso retal a uma única via de tratamento ou a um sintoma obrigatório, quando na verdade a condição é heterogênea e a abordagem é individualizada. A alternativa C, por ser um dado epidemiológico objetivo e correto, é a única que não contém erro.

Prolapso retal
  • 1Definição
    • Protrusão de toda a espessura da parede retal
    • Evidenciado na manobra de Valsalva
  • 2Epidemiologia
    • POP: até 40% das mulheres
    • Destes, até 30% com prolapso retal
  • 3Fatores de risco
    • Paridade/parto vaginal
    • Obesidade
    • Constipação crônica
    • Fraqueza do assoalho pélvico
  • 4Tratamento
    • Cirúrgico
      • Via abdominal (retopexia)
      • Via perineal (Delorme, Altemeier)
    • Fisioterapia pélvica
      • Casos leves
      • Adjuvante pós-operatório
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A Escala de Cleveland Clinic Florida (Wexner) avalia a continência anal, mas a pontuação não é necessariamente baixa em pacientes com prolapso retal. A incontinência fecal é uma comorbidade comum, mas não universal; muitos pacientes podem ter continência preservada. A alternativa erra ao afirmar que a paciente "deve" ter pontuação baixa, o que é uma generalização indevida.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A abordagem cirúrgica do prolapso retal pode ser por via abdominal (retopexia) OU por via perineal (Delorme, Altemeier). A escolha depende de fatores como idade, comorbidades, grau do prolapso e preferência do cirurgião. A alternativa erra ao afirmar que a abordagem é "por via abdominal", excluindo a via perineal, que é frequentemente utilizada em pacientes idosos e debilitados.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa traz um dado epidemiológico correto: a incidência de prolapso de órgãos pélvicos é de até 40% na população feminina, e até 30% desses casos apresentam prolapso retal. Esse dado é amplamente citado na literatura de ginecologia e coloproctologia, e a alternativa está correta ao apresentá-lo sem generalizações indevidas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A constipação intestinal é um fator de risco para o prolapso retal, mas não é um sintoma obrigatório. Muitos pacientes podem apresentar prolapso sem constipação, e alguns podem até ter incontinência fecal como sintoma predominante. A alternativa erra ao afirmar que "obrigatoriamente" a paciente deve apresentar grau severo de constipação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A fisioterapia pélvica (treinamento dos músculos do assoalho pélvico) tem indicação no tratamento conservador do prolapso retal, especialmente em casos leves ou como adjuvante no pós-operatório. A alternativa erra ao afirmar que a paciente "não apresenta indicação" de fisioterapia pélvica, o que contraria a prática clínica atual.

Gabarito: letra C

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