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Questão de Medicina — Geral — VUNESP 2025

MedicinaGeral
Código
vu095637
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Coloproctologia
Paciente feminina de 35 anos apresenta-se com queixa de dor em região anal após evacuação há 5 meses. Refere histórico de constipação e episódios de hematoquezia, sem outros antecedentes pessoais, sem dor abdominal e sem alteração das fezes. Ao exame físico, verifica-se o que segue na imagem:Imagem associada para resolução da questão(Arquivo pessoal; imagem utilizada com autorização)Com relação ao quadro, assinale a alternativa correta.
  1. AA paciente apresenta quadro de úlcera na região anal, o que está associado a infecções sexualmente transmissíveis. Deve-se realizar tratamento clínico com antibioticoterapia, não sendo necessária investigação adicional.
  2. BTrata-se de quadro de fissura anal crônica, que, por definição, é uma laceração da mucosa distal à linha denteada, localizada em 90% dos casos na região anterior (paciente em DDH). Por tratar-se de quadro crônico, o tratamento deve ser realizado com sintomáticos.
  3. CA paciente apresenta-se com quadro clínico de fissura anal crônica, patologia definida pelo tempo de sintomas e aspecto da lesão (fibrose e exposição de fibras do esfíncter anal interno). A manometria anorretal pode ter validade para o tratamento da paciente.
  4. DA fissura anal ocorre, na maioria dos casos, na linha média anterior, com exposição das fibras da musculatura esfincterina externa. Deve-se prosseguir na investigação para outras patologias possíveis.
  5. EA paciente apresenta uma úlcera única acima da linha pectínea com características típicas de infecção sexualmente transmissível. O tratamento deve ser realizado com doxiciclina.
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GabaritoC — A paciente apresenta-se com quadro clínico de fissura anal crônica, patologia definida pelo tempo de sintomas e aspecto da lesão (fibrose e exposição de fibras do esfíncter anal interno). A manometria anorretal pode ter validade para o tratamento da paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fissura Anal Crônica: Diagnóstico e Conduta

Gabarito: letra C. A paciente apresenta fissura anal crônica, definida pela persistência dos sintomas por mais de 4 a 8 semanas e pelo aspecto da lesão (fibrose, bordas endurecidas e exposição das fibras do esfíncter anal interno). A manometria anorretal pode ser útil para avaliar a hipertonia esfincteriana e guiar o tratamento, especialmente quando se considera a esfincterotomia cirúrgica. As demais alternativas erram ao associar o quadro a infecções sexualmente transmissíveis, ao localizar a fissura na região anterior ou ao indicar tratamento inadequado.

A fissura anal é uma laceração linear no canal anal, distal à linha denteada, que causa dor intensa durante e após a evacuação, frequentemente acompanhada de sangramento escasso. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito pela inspeção do canal anal, e a classificação em aguda ou crônica depende do tempo de evolução: aguda quando os sintomas duram entre 4 e 8 semanas, e crônica quando persistem além desse período. No caso da paciente, os sintomas já duram 5 meses, o que caracteriza cronicidade.

A patogênese da fissura crônica envolve um ciclo vicioso: o trauma inicial (passagem de fezes endurecidas) leva à hipertonia do esfíncter anal interno, que reduz o fluxo sanguíneo local e impede a cicatrização. Esse mecanismo explica por que o tratamento visa relaxar o esfíncter, seja com medidas clínicas (fibra, água, pomadas com nitrato ou bloqueadores de canal de cálcio) ou, em casos refratários, com procedimentos cirúrgicos como a esfincterotomia lateral interna. A manometria anorretal, ao quantificar a pressão de repouso do esfíncter, pode auxiliar na decisão terapêutica, especialmente quando há dúvida sobre a necessidade de intervenção cirúrgica.

É fundamental distinguir a fissura anal de outras causas de dor anal, como hemorroidas trombosadas, abscessos, fístulas e, principalmente, doenças infecciosas (sífilis, tuberculose, HIV) e inflamatórias (doença de Crohn). Fissuras múltiplas, localizadas fora da linha média, indolores ou com aspecto exuberante devem levantar suspeita de etiologia secundária. No caso apresentado, a fissura é única, na linha média posterior (localização típica), e a paciente não apresenta sinais de alarme, o que reforça o diagnóstico de fissura primária crônica.

A banca explora a confusão entre fissura anal e úlceras de origem infecciosa, além de inverter a localização típica da lesão. A fissura primária ocorre em 90% dos casos na linha média posterior (não anterior), e o tratamento inicial é clínico, não com antibióticos. A presença de uma única úlcera na linha média, com história de constipação e dor à evacuação, é altamente sugestiva de fissura anal, não de infecção sexualmente transmissível.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a úlcera anal está associada a infecções sexualmente transmissíveis e que o tratamento é com antibioticoterapia. A fissura anal primária é uma lesão traumática, não infecciosa, e o tratamento inicial é clínico, com medidas conservadoras (correção do hábito intestinal, higiene local e, se necessário, pomadas relaxantes do esfíncter). A antibioticoterapia não é indicada para fissura anal primária, e a investigação adicional é desnecessária quando o quadro é típico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa contém dois erros: primeiro, afirma que a fissura crônica está localizada em 90% dos casos na região anterior, quando na verdade a localização típica é na linha média posterior. Segundo, sugere que o tratamento deve ser apenas com sintomáticos, o que é insuficiente para a fissura crônica, que pode necessitar de medidas específicas para relaxar o esfíncter anal interno (como nitratos tópicos ou bloqueadores de canal de cálcio) e, em casos refratários, cirurgia.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao definir a fissura anal crônica pelo tempo de sintomas (mais de 4 a 8 semanas) e pelo aspecto da lesão (fibrose, bordas endurecidas e exposição das fibras do esfíncter anal interno). A manometria anorretal pode ter validade no tratamento, pois avalia a pressão de repouso do esfíncter, auxiliando na decisão entre tratamento clínico e cirúrgico. A paciente apresenta sintomas há 5 meses, o que confirma a cronicidade, e o quadro clínico é típico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a fissura anal ocorre na maioria dos casos na linha média anterior. A localização típica é na linha média posterior (90% dos casos). Além disso, a fissura expõe as fibras do esfíncter anal interno, não externo. A investigação para outras patologias é indicada apenas quando há sinais de alarme, como fissuras múltiplas, localização atípica ou ausência de resposta ao tratamento, o que não é o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao descrever a lesão como uma úlcera única acima da linha pectínea, característica de infecção sexualmente transmissível, e ao indicar tratamento com doxiciclina. A fissura anal é uma laceração distal à linha denteada, não uma úlcera acima dela. O quadro clínico da paciente (dor à evacuação, constipação, hematoquezia) é típico de fissura anal, não de IST, e o tratamento com doxiciclina não é indicado.

Gabarito: letra C

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