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Questão de Medicina — Geral — VUNESP 2025

MedicinaGeral
Código
vu095640
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Coloproctologia
Com relação à doença hemorroidária e suas características, classificação e etiologia, assinale a alternativa correta.
  1. AA “teoria do coxim deslizante”, proposta por Thompson, baseia-se na substituição do tecido elástico por fibrose.
  2. BTanto a gestação quanto o envelhecimento acarretam o desenvolvimento da doença hemorroidária devido a mecanismos que levam à congestão arterial.
  3. CAs hemorroidas internas são coxins vasculares que auxiliam na dinâmica do canal anal, sendo possível a ocorrência de incontinência fecal após procedimento de hemorroidectomia.
  4. DAs hemorroidas podem ser classificadas em dois grupos: internas e externas, de acordo com a posição em relação à linha denteada. Nas externas, por possuírem inervação visceral, quando realizados procedimentos cirúrgicos, estes são menos dolorosos.
  5. EAs hemorroidas internas são estruturas puramente venosas, cuja drenagem ocorre pelas veias pudendas.
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GabaritoC — As hemorroidas internas são coxins vasculares que auxiliam na dinâmica do canal anal, sendo possível a ocorrência de incontinência fecal após procedimento de hemorroidectomia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença Hemorroidária: Anatomia, Classificação e Etiologia

Gabarito: letra C. As hemorroidas internas são coxins vasculares que auxiliam na dinâmica do canal anal, e a hemorroidectomia pode levar à incontinência fecal, pois o procedimento pode lesar o esfíncter anal interno ou o complexo esfincteriano. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a teoria do coxim deslizante, a etiologia da doença, a inervação das hemorroidas e a drenagem venosa.

A doença hemorroidária é uma condição extremamente comum, caracterizada pela hipertrofia e prolapso dos plexos hemorroidários, que são coxins de tecido vascular localizados na submucosa do canal anal. Esses coxins contêm uma rede de arteríolas, vênulas e tecido conectivo elástico, sendo sustentados pela musculatura anal submucosa. É fundamental distinguir os termos "hemorroidas" (estruturas anatômicas normais) de "doença hemorroidária" (plexos anormais que provocam sintomas).

A etiologia exata ainda é desconhecida, mas a teoria mais aceita é a do coxim deslizante, proposta por Thompson. Segundo essa teoria, o esforço evacuatório repetitivo causa o estiramento do tecido de sustentação dos plexos, levando ao seu deslizamento e prolapso. Fatores de risco como constipação, esforço evacuatório prolongado e gestação estão implicados no desenvolvimento da doença. A gestação, por exemplo, aumenta a pressão intra-abdominal e pode comprimir as veias hemorroidárias, contribuindo para o desenvolvimento da doença, mas não por um mecanismo de "congestão arterial" como afirma a alternativa B.

As hemorroidas são classificadas conforme sua localização anatômica em relação à linha pectínea (ou denteada): as externas localizam-se abaixo da linha pectínea, e as internas, acima dela. As hemorroidas mistas apresentam ambos os componentes. Essa distinção é crucial porque a inervação difere: a região acima da linha pectínea tem inervação visceral (autônoma), enquanto a região abaixo tem inervação somática (nervos pudendos). Isso explica por que as hemorroidas internas são menos dolorosas que as externas, e não o contrário.

A classificação clínica de gravidade das hemorroidas internas orienta o tratamento e é dividida em quatro graus: Grau I (sangramento, sem prolapso), Grau II (prolapso à evacuação, com redução espontânea), Grau III (prolapso à evacuação, com necessidade de redução manual) e Grau IV (sempre prolapsadas, redução manual inefetiva).

A hemorroidectomia é o tratamento cirúrgico para casos avançados, e uma das complicações possíveis é a incontinência fecal, que pode ocorrer devido à lesão do esfíncter anal interno ou do complexo esfincteriano durante o procedimento. Essa é uma complicação rara, mas real, e é exatamente o que a alternativa C afirma.

Guarde a fronteira entre a anatomia (linha pectínea), a inervação (visceral vs. somática) e a vascularização (artérias retais superiores vs. veias pudendas) — é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Hemorroidas
  • 1Anatomia
    • Coxins vasculares
      • arteríolas, vênulas, tecido elástico
    • Auxiliam na continência
  • 2Classificação (linha pectínea)
    • Internas (acima)
      • Inervação visceral
      • Menos dolorosas
    • Externas (abaixo)
      • Inervação somática (pudendos)
      • Mais dolorosas
  • 3Etiologia
    • Teoria do coxim deslizante (Thompson)
      • Esforço evacuatório → estiramento → prolapso
    • Fatores de risco
      • Constipação
      • Gestação (congestão venosa)
      • Envelhecimento
  • 4Tratamento cirúrgico
    • Hemorroidectomia
      • Risco de incontinência fecal (lesão esfincteriana)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A "teoria do coxim deslizante", proposta por Thompson, não se baseia na substituição do tecido elástico por fibrose. Essa teoria postula que o esforço evacuatório repetitivo causa o estiramento do tecido de sustentação dos plexos hemorroidários, levando ao seu deslizamento e prolapso. A substituição do tecido elástico por fibrose é uma descrição de um processo degenerativo, mas não é o fundamento da teoria de Thompson. A alternativa confunde o mecanismo proposto por Thompson com um processo de degeneração tecidual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A gestação e o envelhecimento são fatores de risco para a doença hemorroidária, mas o mecanismo não é a "congestão arterial". Na gestação, o aumento da pressão intra-abdominal e a compressão das veias hemorroidárias pelo útero gravídico contribuem para o desenvolvimento da doença. No envelhecimento, há uma degeneração do tecido conjuntivo de sustentação. O mecanismo é de congestão venosa, não arterial. A alternativa troca o mecanismo fisiopatológico.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As hemorroidas internas são coxins vasculares que auxiliam na dinâmica do canal anal, contribuindo para a continência fecal. A hemorroidectomia, ao remover esses coxins, pode levar à incontinência fecal, pois o procedimento pode lesar o esfíncter anal interno ou o complexo esfincteriano. Essa é uma complicação reconhecida da cirurgia, e a alternativa está correta ao afirmar essa possibilidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As hemorroidas podem ser classificadas em internas e externas de acordo com a posição em relação à linha denteada, mas a afirmação sobre a inervação está invertida. As hemorroidas internas, localizadas acima da linha pectínea, possuem inervação visceral (autônoma), enquanto as externas, abaixo da linha pectínea, possuem inervação somática (nervos pudendos). Portanto, as hemorroidas externas são mais dolorosas, e não menos, como afirma a alternativa. A alternativa inverte a relação entre localização e inervação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As hemorroidas internas não são estruturas puramente venosas. Elas contêm uma rede de arteríolas, vênulas e tecido conectivo elástico, ou seja, são estruturas vasculares mistas, com componente arterial e venoso. Além disso, a drenagem venosa das hemorroidas internas é feita pelas veias retais superiores (que drenam para o sistema porta), e não pelas veias pudendas. As veias pudendas drenam a região abaixo da linha pectínea, ou seja, as hemorroidas externas. A alternativa erra tanto na composição quanto na drenagem venosa.

Gabarito: letra C

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