Dosagem de prolactina (PRL) e diagnóstico de hiperprolactinemia
Gabarito: letra C. O diagnóstico de hiperprolactinemia não deve se basear em um único exame, a menos que a prolactina esteja inequivocamente elevada (por exemplo, > 100 ng/mL), pois a secreção de PRL é pulsátil e sujeita a variações fisiológicas e de estresse. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre os métodos de dosagem e diagnóstico.
A prolactina (PRL) é um hormônio secretado pela hipófise anterior, cuja principal função é a lactação. Sua secreção é pulsátil e sofre influência de diversos fatores fisiológicos, como sono, estresse, exercício físico, alimentação e estímulo mamário. Por isso, uma dosagem isolada pode refletir um pico secretório ou uma variação momentânea, não representando o estado basal do paciente. A hiperprolactinemia é definida como níveis persistentemente elevados de PRL, e o diagnóstico exige confirmação laboratorial, geralmente com repetição da dosagem em condições padronizadas (jejum, repouso, evitando estresse e exercício).
A macroprolactinemia é uma condição em que a PRL circula ligada a imunoglobulinas, formando complexos de alto peso molecular (macroprolactina), que têm menor atividade biológica. O diagnóstico é feito pela precipitação com polietilenoglicol (PEG), que precipita a macroprolactina, permitindo a dosagem da PRL monomérica (biologicamente ativa). Esse é o método de triagem mais empregado, por sua simplicidade e boa correlação com o método de referência (cromatografia em gel de filtração). A cromatografia em gel de filtração é o método de referência, mas é mais complexa e cara, sendo usada para confirmar casos duvidosos, não como triagem inicial.
A banca explora a confusão entre os métodos de triagem e de referência, e entre a necessidade de confirmação diagnóstica. O candidato deve lembrar que a PRL é pulsátil e que a confirmação exige repetição, exceto em casos de elevação marcante. A pegadinha está em alternativas que parecem corretas, mas invertem o papel dos métodos ou ignoram a variabilidade fisiológica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A atividade física intensa causa aumento da prolactina, não redução. O exercício é um estímulo fisiológico que eleva a PRL, assim como estresse, sono e estímulo mamário. A alternativa inverte o efeito, o que é um erro conceitual clássico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A secreção de PRL é pulsátil, não contínua e estável. Por isso, um único exame não é suficiente para estabelecer o diagnóstico de hiperprolactinemia, pois pode refletir um pico secretório ou variação momentânea. A alternativa contraria a necessidade de confirmação laboratorial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta. O diagnóstico de hiperprolactinemia não deve se basear em um único exame, a menos que a PRL esteja inequivocamente elevada (por exemplo, > 100 ng/mL). Nesses casos, a elevação é tão marcante que a confirmação é desnecessária. A alternativa reflete a prática clínica e a necessidade de evitar diagnósticos falsos-positivos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A precipitação com polietilenoglicol (PEG) é o método de triagem para macroprolactinemia, não o padrão-ouro. O padrão-ouro é a cromatografia em gel de filtração, que é mais específica, porém mais complexa e cara. A alternativa troca o papel dos métodos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cromatografia em gel de filtração é o método de referência, não o de triagem. O método de triagem mais empregado, por sua simplicidade, boa reprodutibilidade e correlação com o método de referência, é a precipitação com PEG. A alternativa inverte os papéis.
Gabarito: letra C