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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
vu095659
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Mulher, 30 anos, apresenta hirsutismo, acne e irregularidade menstrual. IMC: 27Kg/m² ; PA: 13 × 8 mmHg. Testosterona total: 90 ng/dL (VR < 60 ng/dL); SDHEA: 490 mcg/dL (VR 99 a 407 mcg/dL); 17- hidroxiprogesterona (17OHP) 90 ng/dL (VR <100 na fase folicular).Assinale a alternativa correta sobre esse caso.
  1. AUm teste de estímulo com cortrosina está indicado diante da elevação de SDHEA.
  2. BNíveis de 17OHP inferiores a 300 ng/dL descartam hiperplasia adrenal congênita forma não clássica. Sendo assim, não há necessidade de solicitar um teste de estímulo com cortrosina.
  3. CTrata-se de um caso de síndrome de ovário policístico (SOP) que cursa com hiperandrogenismo devido à produção elevada de testosterona pelas células da teca e à elevação da SHBG.
  4. DTrata-se de um caso de SOP na qual ocorre inibição no recrutamento inicial de folículos primários devido à produção excessiva do hormônio antimülleriano (AMH) pelas células da granulosa.
  5. ETrata-se de um caso de SOP que cursa com elevação dos níveis de aromatase, insulina e SHBG.
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GabaritoD — Trata-se de um caso de SOP na qual ocorre inibição no recrutamento inicial de folículos primários devido à produção excessiva do hormônio antimülleriano (AMH) pelas células da granulosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e hiperandrogenismo

Gabarito: letra D. A paciente apresenta critérios clínicos e laboratoriais de SOP (hirsutismo, acne, irregularidade menstrual, testosterona elevada), e a alternativa correta descreve um mecanismo fisiopatológico central da síndrome: a produção excessiva de hormônio antimülleriano (AMH) pelas células da granulosa, que inibe o recrutamento inicial de folículos primários. As demais alternativas contêm erros conceituais importantes, como a indicação inadequada de teste de estímulo com cortrosina e a descrição incorreta dos níveis de SHBG, aromatase e insulina na SOP.

A SOP é a causa mais comum de hiperandrogenismo em mulheres em idade reprodutiva. O diagnóstico, segundo o Consenso de Rotterdam, exige a presença de pelo menos dois de três critérios: (1) alteração dos ciclos menstruais (oligo/anovulação), (2) hiperandrogenismo clínico (acne, hirsutismo, alopecia) ou laboratorial (elevação de testosterona, androstenediona ou SDHEA), e (3) morfologia ovariana policística à ultrassonografia. É fundamental excluir outras causas de hiperandrogenismo, como hiperplasia adrenal congênita não clássica (HAC-NC), tumores secretores de andrógenos, síndrome de Cushing, hiperprolactinemia e tireopatias.

No caso apresentado, a paciente tem hirsutismo, acne e irregularidade menstrual, com testosterona total elevada (90 ng/dL, VR < 60 ng/dL) e SDHEA discretamente elevada (490 mcg/dL, VR 99-407). O 17OHP basal está normal (90 ng/dL, VR < 100 na fase folicular). A SDHEA é um andrógeno quase totalmente de origem adrenal, e sua elevação isolada pode ocorrer em até 50% dos casos de SOP, não sendo indicativa, por si só, de doença adrenal. A 17OHP basal normal (< 200 ng/dL) praticamente exclui a HAC-NC, tornando desnecessário o teste de estímulo com cortrosina (ACTH) nesse cenário.

A fisiopatologia da SOP envolve uma complexa interação entre disfunção neuroendócrina (aumento da frequência de pulsos de GnRH, levando a relação LH/FSH elevada), hiperandrogenismo ovariano e adrenal, resistência insulínica com hiperinsulinemia compensatória e alterações na foliculogênese. A hiperinsulinemia suprime a produção hepática de SHBG, aumentando a fração livre de testosterona, e potencializa a produção de andrógenos pelas células da teca. Além disso, nas mulheres com SOP, as células da granulosa produzem quantidades excessivas de AMH, que inibe o recrutamento de folículos primários e contribui para a anovulação crônica.

A distinção crucial para esta questão é entre o que é verdadeiro e o que é falso na fisiopatologia da SOP. A alternativa D descreve corretamente o papel do AMH na inibição do recrutamento folicular inicial. As demais alternativas contêm erros: a alternativa A sugere teste de cortrosina sem indicação (17OHP normal); a B afirma que 17OHP < 300 ng/dL descarta HAC-NC, mas o valor de corte correto é < 200 ng/dL; a C erra ao afirmar que há elevação da SHBG (na verdade, há redução); e a E erra ao afirmar que há elevação da aromatase e da SHBG (na verdade, há redução da SHBG e a atividade da aromatase está diminuída nos ovários de mulheres com SOP).

A pegadinha central é a tentativa de confundir o candidato com valores de corte incorretos para 17OHP e com a descrição invertida dos níveis de SHBG e aromatase. É essencial memorizar que, na SOP, a SHBG está reduzida (devido à hiperinsulinemia) e que o teste de cortrosina só é indicado quando há suspeita de HAC-NC, ou seja, quando a 17OHP basal está elevada (acima de 200 ng/dL).

Alternativa A — ❌ Incorreta

O teste de estímulo com cortrosina (ACTH) está indicado para investigar hiperplasia adrenal congênita não clássica (HAC-NC) quando há suspeita clínica ou laboratorial, como 17OHP basal elevada. No caso, a 17OHP está normal (90 ng/dL), o que torna o teste desnecessário. A elevação isolada de SDHEA não é indicação para o teste, pois pode ocorrer em até metade dos casos de SOP. A SDHEA é um andrógeno adrenal, mas sua elevação moderada não é específica de doença adrenal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O valor de corte para 17OHP basal que indica necessidade de teste de estímulo com cortrosina é de 200 ng/dL, não 300 ng/dL. Níveis de 17OHP basal abaixo de 200 ng/dL praticamente excluem a HAC-NC. A alternativa erra ao citar 300 ng/dL como valor de corte, o que poderia levar a uma falsa exclusão do diagnóstico em casos limítrofes. No caso, com 17OHP de 90 ng/dL, o teste realmente não é necessário, mas o valor de corte citado está incorreto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa descreve corretamente que a SOP cursa com hiperandrogenismo devido à produção elevada de testosterona pelas células da teca, mas erra ao afirmar que há elevação da SHBG. Na SOP, a hiperinsulinemia (decorrente da resistência insulínica) suprime a produção hepática de SHBG, resultando em redução da SHBG e aumento da fração livre de testosterona. A elevação da SHBG não é um mecanismo da SOP; pelo contrário, sua redução é um achado característico.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente um mecanismo fisiopatológico da SOP: a produção excessiva de hormônio antimülleriano (AMH) pelas células da granulosa. O AMH é um marcador da reserva folicular e, na SOP, seus níveis estão elevados devido ao grande número de folículos antrais. O excesso de AMH inibe o recrutamento inicial de folículos primários, contribuindo para a anovulação crônica característica da síndrome. Este é um mecanismo bem estabelecido na literatura e distingue a SOP de outras causas de hiperandrogenismo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a SOP cursa com elevação da aromatase, insulina e SHBG. Na SOP, há redução da SHBG (devido à hiperinsulinemia) e a atividade da aromatase nos ovários está diminuída, o que contribui para o desequilíbrio entre andrógenos e estrógenos. A insulina está elevada (hiperinsulinemia), mas a aromatase e a SHBG estão reduzidas, não elevadas. A alternativa inverte os achados fisiopatológicos.

Gabarito: letra D

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