Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu095661
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Assinale a alternativa correta com relação à terapia de reposição hormonal na menopausa.
AA administração por via oral acarreta maior impacto na redução dos níveis do LDL-colesterol e de triglicerídeos.
BO etinilestradiol é o estrógeno de escolha para a reposição devido ao seu efeito ósseo benéfico.
CIndependentemente da via de administração (oral ou tópica), o estrógeno eleva angiotensinogênio e antitrombina III.
DAssim como os estrógenos sintéticos e naturais, o estriol previne a perda de massa óssea e deve ser usado apenas na forma de creme vaginal.
EA associação de estrógeno com progesterona não é recomendada quando baixas doses de estrógeno são, isoladamente, administradas por via vaginal no tratamento da atrofia vaginal.
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GabaritoE — A associação de estrógeno com progesterona não é recomendada quando baixas doses de estrógeno são, isoladamente, administradas por via vaginal no tratamento da atrofia vaginal.
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Terapia de Reposição Hormonal na Menopausa
Gabarito: letra E. A associação de progesterona ao estrogênio é necessária apenas quando o estrogênio é usado de forma sistêmica em mulheres com útero intacto, para proteção endometrial. Quando o estrogênio é administrado exclusivamente por via vaginal em baixas doses para tratar atrofia vaginal, a absorção sistêmica é mínima e não há necessidade de progesterona associada — exatamente o que afirma a alternativa E. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre as vias de administração, os tipos de estrógeno e seus efeitos metabólicos.
A terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa consiste no uso de estrogênio isolado ou combinado com progesterona, sendo o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a graves, além de ser indicada para síndrome geniturinária da menopausa e prevenção da perda óssea. A grande questão que organiza todo o raciocínio clínico é: a mulher tem útero ou não? Se tem útero e usa estrogênio sistêmico, precisa de progesterona para prevenir hiperplasia e câncer de endométrio. Se não tem útero (histerectomizada), pode usar estrogênio isolado. E se o estrogênio é usado apenas topicamente (via vaginal), a absorção sistêmica é tão baixa que não há necessidade de proteção endometrial — por isso a alternativa E está correta.
A via de administração do estrogênio faz diferença significativa nos efeitos metabólicos. A via oral expõe o hormônio ao metabolismo hepático de primeira passagem, o que aumenta a produção de angiotensinogênio, reduz a antitrombina III e eleva os triglicerídeos. Já a via transdérmica (adesivos, gel) evita esse efeito de primeira passagem hepática, sendo preferível em mulheres com hipertrigliceridemia, risco de trombose ou doença hepática. Por isso, a alternativa C, que afirma que "independentemente da via" o estrógeno eleva angiotensinogênio e antitrombina III, está errada — o efeito é dependente da via, e a antitrombina III na verdade é reduzida, não elevada.
Quanto ao perfil lipídico, o estrogênio oral reduz o LDL-colesterol e eleva o HDL-colesterol, mas também eleva os triglicerídeos. A via transdérmica tem efeito neutro ou até benéfico sobre os triglicerídeos. A alternativa A inverte esse raciocínio ao afirmar que a via oral reduz triglicerídeos — na verdade, a via oral os eleva.
Sobre os tipos de estrógeno, o estradiol (natural, micronizado) é o estrógeno de escolha para reposição, não o etinilestradiol, que é um estrógeno sintético usado em contraceptivos orais, com potência muito maior e perfil de risco desfavorável para uso na menopausa. O estriol, por sua vez, é um estrógeno fraco, usado principalmente por via vaginal para atrofia, mas não tem eficácia comprovada na prevenção da perda óssea quando usado isoladamente — diferentemente do estradiol e dos estrogênios conjugados.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre as vias de administração e seus efeitos sistêmicos. A banca explora o erro comum de achar que todo estrogênio, em qualquer via, exige progesterona associada. A regra de ouro: progesterona é necessária apenas quando há útero intacto E o estrogênio é usado sistemicamente (oral, transdérmico, adesivo). No uso vaginal isolado para atrofia, mesmo em mulheres com útero, não se associa progesterona.
Terapia de Reposição Hormonal (TRH)
1Estrogênio sistêmico
Com útero
Associar progesterona
Sem útero
Estrogênio isolado
2Estrogênio tópico vaginal
Sem progesterona (absorção mínima)
3Vias de administração
Oral
Eleva triglicerídeos
Eleva angiotensinogênio
Reduz antitrombina III
Transdérmica
Evita 1ª passagem hepática
4Tipos de estrógeno
Estradiol natural
Escolha para reposição
Etinilestradiol
Sintético (contraceptivo)
Estriol
Fraco, não previne perda óssea
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a via oral reduz triglicerídeos. Na verdade, a via oral aumenta os triglicerídeos devido ao efeito de primeira passagem hepática. O que a via oral reduz é o LDL-colesterol e eleva o HDL-colesterol. A via transdérmica, por sua vez, tem efeito neutro sobre os triglicerídeos. A alternativa inverte o efeito real da via oral sobre os triglicerídeos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O etinilestradiol é um estrógeno sintético usado em contraceptivos orais, com potência 4 a 7 vezes maior que a dose de TRH, e não é o estrógeno de escolha para reposição na menopausa. O estrógeno de escolha é o estradiol natural (17-β-estradiol) ou os estrogênios conjugados. Além disso, o etinilestradiol tem perfil de risco trombótico desfavorável para uso em mulheres na pós-menopausa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O efeito sobre angiotensinogênio e antitrombina III é dependente da via de administração. A via oral eleva angiotensinogênio e reduz antitrombina III (efeito pró-trombótico). A via transdérmica evita o metabolismo hepático de primeira passagem e não produz esses efeitos. Além disso, a antitrombina III é reduzida, não elevada. A alternativa erra tanto na independência da via quanto na direção do efeito sobre a antitrombina III.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O estriol é um estrógeno fraco, usado principalmente por via vaginal para atrofia, mas não previne a perda de massa óssea de forma eficaz quando usado isoladamente. A prevenção da perda óssea é atribuída ao estradiol e aos estrogênios conjugados em doses adequadas. A alternativa erra ao afirmar que o estriol previne perda óssea e que deve ser usado apenas na forma de creme vaginal — ele também pode ser usado por via oral, mas não tem indicação para osteoporose.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Quando o estrogênio é administrado exclusivamente por via vaginal em baixas doses para tratar atrofia vaginal, a absorção sistêmica é mínima e não há estímulo endometrial significativo. Portanto, não é necessário associar progesterona, mesmo em mulheres com útero intacto. A recomendação de progesterona se aplica apenas ao uso sistêmico de estrogênio (oral, transdérmico) em mulheres com útero, para prevenir hiperplasia e câncer de endométrio.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de TRH na menopausa, monte mentalmente este fluxo: (1) mulher tem útero? (2) estrogênio é sistêmico ou tópico? Se tem útero E estrogênio sistêmico → associa progesterona. Se não tem útero → estrogênio isolado. Se estrogênio tópico vaginal → sem progesterona, independentemente do útero. Esse raciocínio resolve a maioria das questões sobre o tema.