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Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
vu095662
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Homem, 30 anos, refere ginecomastia, fraqueza e disfunção sexual após suspensão de suplementos e medicações hormonais para ganho de massa muscular e performance. Dentre os exames, apresenta: elevação de hematócrito e de transaminases hepáticas e redução dos níveis de testosterona. Assinale a alternativa correta com relação a esse caso.
  1. ATrata-se de um caso de hipogonadismo hipogonadotrófico que cursa com níveis elevados de LDL-colesterol e de HDL-colesterol.
  2. BTrata-se de um caso de hipogonadismo hipergonadotrófico decorrente da ação tóxica de esteroides anabolizantes nos testículos.
  3. CNa recuperação do eixo gonadotrófico desse caso de hipogonadismo hipergonadotrófico, o clomifeno se liga a receptores androgênicos nos testículos e restaura a produção de testosterona.
  4. DPara evitar a ginecomastia, os usuários de esteroides anabolizantes usam anastrozol que aumenta a conversão de testosterona a estradiol.
  5. ENa recuperação do eixo gonadotrófico desse caso de hipogonadismo hipogonadotrófico, o clomifeno inibe a ação estrogênica no hipotálamo e estimula a liberação de gonadotrofinas.
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GabaritoE — Na recuperação do eixo gonadotrófico desse caso de hipogonadismo hipogonadotrófico, o clomifeno inibe a ação estrogênica no hipotálamo e estimula a liberação de gonadotrofinas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipogonadismo por uso de esteroides anabolizantes: hipogonadotrófico e a recuperação com clomifeno

Gabarito: letra E. O caso descreve um hipogonadismo hipogonadotrófico (testosterona baixa por supressão do eixo hipotálamo-hipófise, consequência do uso de esteroides anabolizantes), e o clomifeno, um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM), atua no hipotálamo inibindo a retroalimentação negativa do estrogênio, estimulando a liberação de GnRH e, consequentemente, de LH e FSH — restaurando a produção de testosterona. A alternativa E descreve exatamente esse mecanismo.

O uso de esteroides anabolizantes (AAS) é uma causa clássica de hipogonadismo hipogonadotrófico. Os androgênios exógenos suprimem o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal por retroalimentação negativa: inibem a secreção de GnRH no hipotálamo e de LH/FSH na hipófise. Com a suspensão, o eixo permanece suprimido por um período variável, resultando em testosterona baixa, LH e FSH baixos (ou inapropriadamente normais) — o que caracteriza o hipogonadismo hipogonadotrófico (secundário). Os sintomas descritos — ginecomastia, fraqueza e disfunção sexual — são típicos da deficiência androgênica. A elevação do hematócrito reflete o efeito eritropoético dos androgênios (policitemia), e a elevação das transaminases hepáticas é um efeito adverso conhecido dos AAS, especialmente os 17-alfa-alquilados.

A distinção entre hipogonadismo hipogonadotrófico e hipergonadotrófico é feita pelos níveis de gonadotrofinas (LH/FSH):

Critério

Hipogonadismo hipogonadotrófico (secundário)

Hipogonadismo hipergonadotrófico (primário)

Local do defeito

Hipotálamo ou hipófise

Testículos (gônadas)

Testosterona

Baixa

Baixa

LH/FSH

Baixos ou inapropriadamente normais

Elevados (por falta de retroalimentação negativa)

Causas típicas

Uso de AAS, síndrome de Kallmann, tumores hipofisários, hiperprolactinemia

Síndrome de Klinefelter, orquite, trauma testicular, dano autoimune

No caso, o uso de esteroides anabolizantes suprime o eixo, então o LH/FSH estarão baixos — hipogonadismo hipogonadotrófico. A alternativa B erra ao classificar como hipergonadotrófico e atribuir ação tóxica direta nos testículos (os AAS agem principalmente no eixo central, não por toxicidade testicular primária).

O clomifeno é um SERM (modulador seletivo do receptor de estrogênio) que atua como antagonista do estrogênio no hipotálamo. Ao bloquear a retroalimentação negativa do estrogênio (que normalmente inibe o eixo), o clomifeno aumenta a secreção de GnRH, estimulando a hipófise a liberar LH e FSH, que por sua vez estimulam os testículos a produzir testosterona. É usado off-label na recuperação do eixo após supressão por AAS. A alternativa C erra ao dizer que o clomifeno se liga a receptores androgênicos nos testículos — ele age no hipotálamo, não nos testículos, e não é um agonista androgênico.

A ginecomastia em usuários de AAS ocorre porque os androgênios exógenos são convertidos em estrogênios pela enzima aromatase (presente no tecido adiposo e em outros tecidos). O anastrozol é um inibidor da aromatase, que reduz a conversão de testosterona em estradiol — não a aumenta, como afirma a alternativa D. A alternativa A erra ao afirmar que o hipogonadismo hipogonadotrófico cursa com níveis elevados de LDL e HDL — o perfil lipídico típico do uso de AAS é de LDL elevado e HDL reduzido, mas isso não é parte da definição do hipogonadismo.

A pegadinha central desta questão é a classificação do hipogonadismo: muitos candidatos assumem que o uso de esteroides causa dano testicular direto (hipergonadotrófico), mas o mecanismo predominante é a supressão central do eixo (hipogonadotrófico). Guarde: AAS → supressão do eixo → hipogonadismo hipogonadotrófico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar o caso como hipogonadismo hipogonadotrófico (isso está correto), mas afirma que cursa com níveis elevados de LDL e HDL. O uso de AAS tipicamente eleva o LDL e reduz o HDL (perfil aterogênico), mas essa não é uma característica definidora do hipogonadismo hipogonadotrófico. A dislipidemia é um efeito colateral dos esteroides, não do hipogonadismo em si. Além disso, a elevação simultânea de LDL e HDL não é o padrão esperado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Classifica o caso como hipogonadismo hipergonadotrófico, o que está errado. O uso de esteroides anabolizantes suprime o eixo hipotálamo-hipófise por retroalimentação negativa, resultando em LH e FSH baixos — hipogonadismo hipogonadotrófico (secundário). A ação tóxica direta nos testículos não é o mecanismo predominante dos AAS; eles agem principalmente no nível central.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o clomifeno se liga a receptores androgênicos nos testículos. O clomifeno é um SERM que atua como antagonista do estrogênio no hipotálamo, bloqueando a retroalimentação negativa e estimulando a liberação de GnRH, LH e FSH. Não se liga a receptores androgênicos e não age diretamente nos testículos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o anastrozol aumenta a conversão de testosterona em estradiol. O anastrozol é um inibidor da aromatase, ou seja, diminui a conversão de testosterona em estradiol. É usado justamente para prevenir a ginecomastia em usuários de AAS, reduzindo os níveis de estrogênio.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o mecanismo do clomifeno na recuperação do eixo gonadotrófico no hipogonadismo hipogonadotrófico: o clomifeno inibe a ação estrogênica no hipotálamo (antagonista do receptor de estrogênio), o que reduz a retroalimentação negativa e estimula a liberação de gonadotrofinas (LH e FSH), restaurando a produção de testosterona. A alternativa acerta tanto a classificação do hipogonadismo (hipogonadotrófico) quanto o mecanismo de ação do clomifeno.

Gabarito: letra E

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