Questão de Medicina — Endocrinologia — VUNESP 2025
Medicina›Endocrinologia
Código
vu095664
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Endocrinologia
Homem, 40 anos, refere fadiga intensa. Ao exame físico, apresenta hipotensão postural e hiperpigmentação. Dentre os exames, apresenta: hiponatremia, hipercalemia e hipocortisolemia.Sobre esse quadro clínico e laboratorial, pode-se afirmar corretamente que se trata de um caso de
Ainsuficiência adrenal primária (IAP) que também cursa com eosinofilia.
Binsuficiência adrenal secundária (IAS) que também cursa com níveis baixos de SDHEA.
CIAP que também cursa com eosinopenia.
DIAP que também cursa com hiperglicemia.
EIAS que se associa a outras doenças autoimunes.
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GabaritoA — insuficiência adrenal primária (IAP) que também cursa com eosinofilia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Insuficiência Adrenal Primária (IAP) e Secundária (IAS): Diagnóstico Diferencial
Gabarito: letra A. O quadro descrito — fadiga, hipotensão postural, hiperpigmentação, hiponatremia, hipercalemia e hipocortisolemia — é clássico de insuficiência adrenal primária (IAP), e a alternativa correta afirma que ela também cursa com eosinofilia. A hiperpigmentação é o sinal mais específico para diferenciar IAP de insuficiência adrenal secundária (IAS), pois ocorre apenas na primária, devido ao aumento de ACTH. A eosinofilia é um achado laboratorial característico da deficiência de cortisol, presente em cerca de 17% dos casos, conforme a literatura.
A insuficiência adrenal (IA) é uma síndrome caracterizada pela produção insuficiente de hormônios pelo córtex da glândula adrenal. Ela se divide em dois grandes grupos: a primária (IAP), também chamada de doença de Addison, em que a lesão está na própria glândula adrenal; e a secundária (IAS), em que a falha está na hipófise, que deixa de produzir ACTH (hormônio adrenocorticotrófico) em quantidade suficiente para estimular a adrenal. Essa distinção é fundamental, pois os achados clínicos e laboratoriais, bem como a conduta, diferem entre os dois tipos.
Na IAP, a destruição da glândula adrenal leva à deficiência de glicocorticoides (cortisol), mineralocorticoides (aldosterona) e andrógenos. A falta de cortisol retira o feedback negativo sobre a hipófise, resultando em níveis elevados de ACTH. Esse excesso de ACTH, por sua vez, estimula os melanócitos, causando a hiperpigmentação cutânea — um sinal patognomônico da IAP e que não ocorre na IAS. A deficiência de aldosterona causa perda renal de sódio e retenção de potássio, explicando a hiponatremia e a hipercalemia, além da hipotensão postural. Já na IAS, a produção de mineralocorticoides é preservada, pois depende principalmente do sistema renina-angiotensina-aldosterona, e não do ACTH. Por isso, a hipercalemia e a hiperpigmentação não são esperadas na IAS.
A eosinofilia é um achado laboratorial que pode estar presente na IAP. O cortisol tem efeito inibitório sobre os eosinófilos; na sua deficiência, há um aumento relativo dessas células no sangue periférico. Embora não seja um achado tão frequente quanto a hiponatremia ou a hipercalemia, é um dado que reforça o diagnóstico de IAP e que a alternativa A corretamente menciona. É importante notar que a eosinofilia é um achado inespecífico e pode ocorrer em outras condições, mas no contexto de uma IA, ela é um marcador adicional.
A distinção entre IAP e IAS é um ponto central na endocrinologia e frequentemente cobrado em provas. A tabela abaixo resume as principais diferenças:
Característica
Insuficiência Adrenal Primária (IAP)
Insuficiência Adrenal Secundária (IAS)
Local da lesão
Glândula adrenal
Hipófise (deficiência de ACTH)
Hiperpigmentação
Presente (aumento de ACTH)
Ausente
Hipercalemia
Presente (deficiência de aldosterona)
Ausente (aldosterona preservada)
Hiponatremia
Presente
Presente (por deficiência de cortisol, que aumenta o ADH)
Níveis de ACTH
Elevados
Baixos ou normais
Eosinofilia
Pode estar presente
Pode estar presente
Associação com outras doenças autoimunes
Frequente (síndromes poliglandulares)
Pode ocorrer, mas menos frequente
A pegadinha da banca nesta questão está em confundir os achados da IAP com os da IAS. O candidato que não domina a fisiopatologia pode marcar a alternativa B, que menciona níveis baixos de SDHEA na IAS. Embora a SDHEA possa estar baixa na IAS, o quadro clínico apresentado (hiperpigmentação, hipercalemia) é claramente de IAP, não de IAS. A alternativa C inverte o achado, dizendo que a IAP cursa com eosinopenia, quando na verdade pode cursar com eosinofilia. A alternativa D erra ao afirmar que a IAP cursa com hiperglicemia, quando o esperado é hipoglicemia. A alternativa E, por fim, associa a IAS a outras doenças autoimunes, o que é mais característico da IAP.
Insuficiência adrenal
1Primária (IAP)
Lesão na glândula adrenal
Hiperpigmentação (ACTH alto)
Hipercalemia (aldosterona baixa)
Eosinofilia
Associação com doenças autoimunes
2Secundária (IAS)
Lesão na hipófise (ACTH baixo)
Sem hiperpigmentação
Sem hipercalemia
SDHEA baixa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta. O quadro clínico e laboratorial descrito é de insuficiência adrenal primária (IAP), e a eosinofilia é um achado laboratorial que pode estar presente nessa condição. A deficiência de cortisol leva a um aumento relativo de eosinófilos no sangue periférico, pois o cortisol tem efeito inibitório sobre essas células. A hiperpigmentação, a hipercalemia e a hiponatremia são achados clássicos da IAP, e a eosinofilia é um dado adicional que reforça o diagnóstico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que se trata de insuficiência adrenal secundária (IAS). O quadro clínico apresentado — hiperpigmentação, hipercalemia e hipotensão postural — é característico de IAP, não de IAS. Na IAS, a hiperpigmentação não ocorre, pois os níveis de ACTH estão baixos ou normais, e a hipercalemia também não é esperada, pois a produção de aldosterona é preservada. Embora a SDHEA possa estar baixa na IAS, o diagnóstico do caso é claramente IAP.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a IAP cursa com eosinopenia. Na verdade, a deficiência de cortisol pode levar a um aumento relativo de eosinófilos, ou seja, eosinofilia, e não eosinopenia. A eosinopenia é mais comumente associada a estados de estresse ou ao uso de glicocorticoides, que aumentam a migração de eosinófilos para os tecidos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que a IAP cursa com hiperglicemia. Na verdade, a deficiência de cortisol pode levar a hipoglicemia, especialmente em crianças, pois o cortisol é um hormônio contra-regulador que estimula a gliconeogênese. A hiperglicemia não é um achado esperado na IAP.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa erra ao afirmar que se trata de insuficiência adrenal secundária (IAS) associada a outras doenças autoimunes. A associação com outras doenças autoimunes é mais característica da IAP, como nas síndromes poliglandulares autoimunes tipo 1 e 2. Na IAS, a causa mais comum é o uso prolongado de glicocorticoides exógenos, que suprime o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.