Projeto Terapêutico Singular (PTS) na Atenção Primária
Gabarito: letra D. A principal característica do PTS é a construção de um plano de cuidado interdisciplinar, individualizado e centrado no paciente, que considera a singularidade de cada sujeito e envolve a equipe multiprofissional, a família e as redes de apoio. Essa é a essência do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS), que busca superar o modelo biomédico centrado na doença e no médico.
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma ferramenta de cuidado utilizada principalmente na Atenção Primária à Saúde (APS) e na Saúde Mental, que visa organizar o cuidado de forma individualizada e integral, considerando não apenas a doença, mas a pessoa em sua totalidade — biológica, psicológica e social. Ele é construído a partir de uma avaliação compartilhada entre a equipe multiprofissional e o usuário, levando em conta suas necessidades, desejos, contexto familiar e comunitário. O PTS não é um protocolo rígido, mas um plano dinâmico e flexível, que deve ser revisado e adaptado continuamente.
A lógica do PTS está profundamente alinhada aos princípios do SUS e da Estratégia Saúde da Família (ESF), que valorizam o vínculo, a longitudinalidade e a integralidade do cuidado. O médico de família e comunidade, como especialista em APS, atua como coordenador do cuidado, mas não como detentor exclusivo das decisões. Pelo contrário, o trabalho em equipe é fundamental: enfermeiros, agentes comunitários de saúde, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais contribuem com suas diferentes visões para a construção de um plano mais completo e efetivo. A família e a comunidade também são parceiras essenciais nesse processo, pois o cuidado não se restringe ao consultório — ele se estende ao domicílio e ao território.
Na prática, a elaboração de um PTS envolve algumas etapas: (1) diagnóstico — leitura ampliada da situação de saúde do usuário, incluindo riscos, vulnerabilidades e potencialidades; (2) definição de metas — objetivos de curto, médio e longo prazo, pactuados com o usuário; (3) divisão de responsabilidades — cada membro da equipe assume tarefas específicas; e (4) reavaliação — momentos periódicos para verificar o andamento do plano e fazer os ajustes necessários. Por exemplo, um paciente com diabetes e depressão, em situação de vulnerabilidade social, pode ter um PTS que envolva consultas médicas, acompanhamento psicológico, visita domiciliar do agente comunitário, orientação nutricional e articulação com a assistência social para acesso a benefícios. Esse plano é construído com o paciente, não para o paciente.
A banca explora a contraposição entre o modelo de cuidado centrado na pessoa (próprio da APS e do PTS) e o modelo biomédico tradicional, centrado na doença e na autoridade médica. As alternativas incorretas refletem justamente distorções desse modelo: protocolos rígidos, exclusão da família, restrição ao ambiente ambulatorial e centralização no médico. O critério decisivo para separar as alternativas é identificar qual delas contradiz os princípios da integralidade, da interdisciplinaridade e do cuidado centrado no paciente — que são a base do PTS.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A priorização de protocolos rígidos e padronizados é o oposto da lógica do PTS. Embora protocolos clínicos sejam importantes para embasar decisões, o PTS é individualizado e flexível, construído a partir da singularidade de cada caso. A padronização excessiva desconsidera as particularidades do usuário, seu contexto e suas necessidades específicas, o que contraria a essência do cuidado centrado na pessoa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A exclusão de familiares e redes de apoio é um erro grave. O PTS, ao contrário, valoriza e inclui a família e a comunidade como parceiras no cuidado. A dinâmica familiar influencia diretamente o processo saúde-doença, e o envolvimento da rede de apoio é fundamental para a efetividade do plano terapêutico. A corresponsabilidade entre equipe, família e usuário é um dos pilares da APS.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ênfase no cuidado ambulatorial com exclusão do acompanhamento domiciliar não corresponde à prática do PTS. A visita domiciliar é uma ferramenta importante na APS, especialmente para pacientes acamados ou com dificuldade de acesso. O cuidado no território, incluindo o domicílio, é parte integrante da estratégia de saúde da família e do PTS, que busca aproximar o cuidado da realidade do usuário.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa descreve com precisão a principal característica do PTS: a construção de um plano de cuidado interdisciplinar, individualizado e centrado no paciente. Interdisciplinar porque envolve a equipe multiprofissional; individualizado porque respeita a singularidade de cada sujeito; e centrado no paciente porque coloca o usuário como protagonista do seu próprio cuidado, considerando suas necessidades, desejos e contexto. É exatamente essa a lógica que orienta a elaboração do PTS na APS.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A centralização das decisões de cuidado no médico responsável é uma visão ultrapassada e contrária ao PTS. O cuidado na APS é compartilhado entre a equipe multiprofissional e o usuário. O médico é um dos membros da equipe, mas não o único detentor das decisões. A interdisciplinaridade e a corresponsabilização são princípios fundamentais do PTS, que busca superar o modelo hierárquico e centrado na figura do médico.
A regra de ouro para a prova: o PTS é a materialização do cuidado centrado na pessoa — interdisciplinar, individualizado e construído com o usuário, sua família e a equipe. Qualquer alternativa que sugira rigidez, exclusão ou centralização em um único profissional está em desacordo com esse princípio.
Gabarito: letra D