Qual achado laboratorial é característico da glomerulonefrite pós-estreptocócica?
AProteinúria nefrótica com função renal normal.
BHipocalcemia com aumento de C4.
CAumento isolado de ureia e creatinina.
DGlicosúria com função tubular alterada.
EHematúria microscópica com diminuição de C3.
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GabaritoE — Hematúria microscópica com diminuição de C3.
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Glomerulonefrite pós-estreptocócica: o padrão laboratorial da síndrome nefrítica
Gabarito: letra E. A glomerulonefrite pós-estreptocócica (GNPE) é o protótipo da síndrome nefrítica, cujo achado laboratorial mais característico é a hematúria (presente em 100% dos casos) associada à hipocomplementemia por ativação da via alternativa do complemento, com níveis baixos de C3 e C4 normal ou levemente diminuído. A alternativa E espelha exatamente esse binômio: hematúria microscópica + diminuição de C3.
A GNPE é uma glomerulonefrite pós-infecciosa, classicamente desencadeada por cepas nefritogênicas de Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), após infecção de orofaringe ou de pele. O mecanismo é imunológico: há deposição de imunocomplexos circulantes nos glomérulos, com ativação do complemento predominantemente pela via alternativa. É essa ativação que consome o componente C3, explicando a hipocomplementemia — um dos marcos diagnósticos da doença. A via clássica (que consome C4) é menos envolvida, por isso o C4 costuma estar normal ou apenas levemente reduzido. Esse padrão — C3 baixo com C4 normal — é tão típico que ajuda a diferenciar a GNPE de outras glomerulopatias hipocomplementêmicas, como a nefrite lúpica e a crioglobulinemia, em que ambos (C3 e C4) costumam estar baixos.
Clinicamente, a GNPE manifesta-se como síndrome nefrítica aguda: início abrupto de hematúria (macroscópica, em urina cor de "Coca-Cola", ou microscópica), edema, hipertensão arterial, oligúria e proteinúria geralmente subnefrótica (< 3,0 g/24h). A hematúria é o achado mais sensível — está presente em 100% dos casos. A função renal pode estar discretamente reduzida, mas a doença é autolimitada, com recuperação espontânea na maioria dos pacientes, especialmente crianças. O diagnóstico é clínico-laboratorial, podendo ser confirmado por títulos elevados de antiestreptolisina O (ASO) e pela queda do C3, que se normaliza em 6 a 8 semanas.
A banca explora aqui a confusão entre síndrome nefrítica e síndrome nefrótica. Enquanto a nefrítica é dominada por hematúria e hipocomplementemia (GNPE, nefropatia por IgA, lúpus), a nefrótica é dominada por proteinúria maciça (> 3,5 g/24h), hipoalbuminemia e edema (doença por lesão mínima, glomeruloesclerose segmentar e focal, membranosa). A pegadinha está em oferecer, na alternativa A, a "proteinúria nefrótica" — que é o achado da síndrome nefrótica, não da GNPE. Guarde o par: GNPE = hematúria + C3 baixo; síndrome nefrótica = proteinúria nefrótica + hipoalbuminemia.
A proteinúria nefrótica (≥ 3,5 g/24h) com função renal normal é o padrão da síndrome nefrótica, não da GNPE. Na GNPE, a proteinúria costuma ser subnefrótica (< 3,0 g/24h), e a função renal pode estar discretamente reduzida pela queda da filtração glomerular. A alternativa mistura o achado de outra síndrome com a doença em questão.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A GNPE cursa com hipocomplementemia por ativação da via alternativa, ou seja, C3 baixo — e não "aumento de C4". Na verdade, o C4 costuma estar normal ou levemente diminuído. A alternativa inverte o padrão: não há aumento de C4 na GNPE, e a hipocalcemia não é um achado característico da doença (pode ocorrer em outras nefropatias, mas não define o quadro).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Aumento isolado de ureia e creatinina sugere insuficiência renal de qualquer causa, não é específico da GNPE. Embora a GNPE possa cursar com discreta elevação desses marcadores pela redução da TFG, o achado característico é a hematúria com hipocomplementemia. A alternativa descreve um padrão inespecífico de disfunção renal, sem os elementos que definem a doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Glicosúria com função tubular alterada é o padrão da síndrome de Fanconi ou de outras tubulopatias proximais, não da GNPE. A GNPE é uma doença glomerular, não tubular — o dano é no glomérulo, manifestando-se com hematúria e proteinúria, e não com glicosúria. A alternativa troca o compartimento renal afetado (glomérulo por túbulo).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hematúria microscópica está presente em 100% dos casos de GNPE, e a diminuição de C3 reflete a ativação da via alternativa do complemento pelos imunocomplexos — o marco laboratorial da doença. A combinação hematúria + C3 baixo é o achado mais característico e ajuda a diferenciar a GNPE de outras glomerulopatias. É exatamente o que a alternativa descreve.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre síndrome nefrítica e síndrome nefrótica. A GNPE é o protótipo da nefrítica: hematúria + C3 baixo. A alternativa A (proteinúria nefrótica) é o chamariz para quem confunde as duas síndromes. Na prova, ao ver "glomerulonefrite pós-estreptocócica", lembre-se automaticamente do par hematúria + hipocomplementemia (C3 baixo) — e desconfie de qualquer alternativa que traga proteinúria nefrótica ou aumento de complemento.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte o quadro mental: GNPE = hematúria (100%) + C3 baixo + C4 normal + ASO elevado + proteinúria subnefrótica. Compare com a síndrome nefrótica: proteinúria > 3,5 g/24h + hipoalbuminemia + edema. Se a alternativa trouxer proteinúria nefrótica, é síndrome nefrótica — não GNPE. Essa distinção cai com frequência em provas de nefrologia e clínica médica.