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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu095780
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Uma paciente de 95 anos tem o diagnóstico de demência em decorrência da doença de Alzheimer. A aplicação da Funcional Assessment Staging (FAST) mostrou desempenho 7A. A paciente utiliza diversos medicamentos, entre eles, 40 mg/d de atorvastatina.Assinale a alternativa correta quanto à manutenção ou suspensão desse medicamento.
  1. AIndependentemente de sua idade e condição clínica, ainda há benefício para prevenção primária.
  2. BMesmo nessa idade, a prescrição de uma estatina de alta potência traz benefício na diminuição da progressão da demência.
  3. CDeve-se pesar os riscos e benefícios de sua prescrição a uma idosa em fase avançada de doença.
  4. DMesmo que fosse para a prevenção secundária, ela deve ser suspensa devido à baixa expectativa de vida.
  5. ENão há benefício na prescrição de atorvastatina para evolução da demência, independentemente da idade.
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GabaritoC — Deve-se pesar os riscos e benefícios de sua prescrição a uma idosa em fase avançada de doença.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Estatinas em idosos com demência avançada: individualização da prescrição

Gabarito: letra C. Em uma paciente de 95 anos com doença de Alzheimer em fase avançada (FAST 7A), a decisão sobre manter ou suspender a atorvastatina deve ser individualizada, ponderando riscos e benefícios — não há regra absoluta de suspensão ou manutenção baseada apenas na idade ou no diagnóstico de demência. A alternativa C reflete exatamente esse princípio de medicina geriátrica centrada no paciente.

A questão aborda um dos temas mais desafiadores da geriatria: a desprescrição (deprescribing) em idosos frágeis e com demência avançada. A FAST (Functional Assessment Staging) é uma escala que avalia a progressão funcional da demência, variando de 1 (sem declínio) a 7 (demência muito grave). O estágio 7A indica que a paciente já se encontra em fase avançada, com comprometimento significativo da fala e necessidade de assistência para atividades básicas. Nesse contexto, a expectativa de vida é limitada, e o foco do cuidado deve migrar para a qualidade de vida, conforto e controle de sintomas.

As estatinas (atorvastatina, sinvastatina, rosuvastatina, etc.) são medicamentos amplamente utilizados para redução do colesterol LDL e prevenção de eventos cardiovasculares. No entanto, seu benefício em idosos muito avançados (especialmente acima de 85-90 anos) e em pacientes com demência grave é incerto. Estudos mostram que o benefício absoluto da estatina na prevenção primária diminui com a idade e com a redução da expectativa de vida, enquanto os riscos (miopatia, hepatotoxicidade, interações medicamentosas) permanecem. Na prevenção secundária, o benefício também se reduz em idosos com múltiplas comorbidades e fragilidade, mas não desaparece completamente — a decisão deve ser individualizada.

A desprescrição é um processo estruturado de revisão e retirada de medicamentos que não trazem mais benefício ou que podem causar dano, especialmente em pacientes com doença avançada. Diretrizes de geriatria recomendam que, em idosos com demência avançada e expectativa de vida limitada, medicamentos preventivos de longo prazo (como estatinas para prevenção primária) sejam reconsiderados, priorizando medicamentos que melhorem sintomas e qualidade de vida. No entanto, a suspensão não é automática: deve-se avaliar o contexto individual, incluindo o risco cardiovascular, a tolerância ao medicamento e as preferências do paciente e da família.

A pegadinha da banca está em apresentar alternativas absolutas ("sempre", "nunca", "independentemente") que ignoram a necessidade de individualização. A alternativa C é a única que reconhece a complexidade da decisão, ponderando riscos e benefícios — o princípio central da medicina geriátrica e da desprescrição.

1Decisão individualizada
Ponderar riscos e benefícios
Considerar expectativa de vida
Considerar fragilidade
Considerar preferências do paciente/família
2Prevenção primária
Benefício incerto em idoso muito avançado
Suspensão pode ser considerada
3Prevenção secundária
Benefício reduzido, mas não desaparece
Decisão individualizada
4Desprescrição
Processo estruturado de revisão
Prioriza qualidade de vida
Não é automática
Estatinas em idoso com demência avançada
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Estatinas em idoso com demência avançada: Decisão individualizada (Ponderar riscos e benefícios, Considerar expectativa de vida, Considerar fragilidade, Considerar preferências do paciente/família); Prevenção primária (Benefício incerto em idoso muito avançado, Suspensão pode ser considerada); Prevenção secundária (Benefício reduzido, mas não desaparece, Decisão individualizada); Desprescrição (Processo estruturado de revisão, Prioriza qualidade de vida, Não é automática)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que "independentemente de sua idade e condição clínica, ainda há benefício para prevenção primária". Isso é falso: o benefício da estatina na prevenção primária é incerto em idosos muito avançados e com demência grave, e a decisão deve considerar a expectativa de vida e a fragilidade. A palavra "independentemente" torna a afirmação absoluta e incorreta, pois ignora a necessidade de individualização.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que "mesmo nessa idade, a prescrição de uma estatina de alta potência traz benefício na diminuição da progressão da demência". Não há evidência de que estatinas diminuam a progressão da demência de Alzheimer. O benefício das estatinas é cardiovascular, não cognitivo. Além disso, a atorvastatina 40 mg é considerada de potência moderada, não alta. A afirmação confunde o benefício cardiovascular com um suposto benefício cognitivo inexistente.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que "deve-se pesar os riscos e benefícios de sua prescrição a uma idosa em fase avançada de doença". Esta é a conduta correta: a decisão de manter ou suspender a atorvastatina deve ser individualizada, considerando o estágio avançado da demência (FAST 7A), a expectativa de vida limitada, o risco cardiovascular e a qualidade de vida. A desprescrição é recomendada quando os riscos superam os benefícios, mas a decisão deve ser compartilhada com o paciente (quando possível) e a família.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que "mesmo que fosse para a prevenção secundária, ela deve ser suspensa devido à baixa expectativa de vida". Isso é uma generalização incorreta: na prevenção secundária, o benefício da estatina pode ser maior, e a suspensão não é obrigatória apenas pela baixa expectativa de vida. A decisão deve ser individualizada, considerando o risco de eventos cardiovasculares recorrentes e a tolerância ao medicamento. A palavra "deve" torna a afirmação absoluta e incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que "não há benefício na prescrição de atorvastatina para evolução da demência, independentemente da idade". Embora seja verdade que a atorvastatina não tem benefício comprovado na evolução da demência, a afirmação é incorreta porque ignora o benefício cardiovascular potencial do medicamento, que pode ser relevante em alguns pacientes, mesmo com demência. A decisão deve considerar o contexto individual, não apenas a ausência de benefício cognitivo.

Gabarito: letra C — a única alternativa que reconhece a necessidade de individualizar a decisão, ponderando riscos e benefícios, em vez de adotar uma postura absoluta.

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