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Questão de Medicina — Geriatria — VUNESP 2025

MedicinaGeriatria
Código
vu095782
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Assinale a alternativa correta quanto à prescrição de ácido acetil salicílico (AAS) a idosos.
  1. ADe acordo com as diretrizes de 2019 da American College of Cardiology/American Heart Association, a prescrição de AAS a idosos com mais de 70 anos diminui o risco de eventos cardiovasculares.
  2. BPacientes portadores da doença de Binswanger sentem diminuição da progressão da demência quando fazem uso do AAS.
  3. CPara prevenir ou diminuir a progressão da doença de Alzheimer, há indicação de prescrição de AAS.
  4. DDe acordo com uma revisão da BioMed Central Geriatrics (BMC Geriatrics), deve-se indicar a prescrição de AAS para idosos, pois o risco de hemorragias não supera os benefícios.
  5. EÉ importante considerar fatores individuais como o risco de sangramento e a presença de comorbidades ao decidir pela a prescrição de AAS em idosos, mesmo nos casos de prevenção secundária.
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GabaritoE — É importante considerar fatores individuais como o risco de sangramento e a presença de comorbidades ao decidir pela a prescrição de AAS em idosos, mesmo nos casos de prevenção secundária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Prescrição de AAS em idosos: individualização do risco

Gabarito: letra E. A prescrição de ácido acetilsalicílico (AAS) em idosos, mesmo na prevenção secundária, exige avaliação individualizada do risco de sangramento e das comorbidades, pois o benefício cardiovascular deve sempre ser ponderado contra o risco hemorrágico — princípio que a alternativa E reflete corretamente. As demais alternativas apresentam afirmações sem respaldo científico ou diretamente contrárias às evidências atuais.

O AAS é um antiagregante plaquetário que inibe irreversivelmente a ciclooxigenase (COX-1), bloqueando a síntese de tromboxano A2 nas plaquetas. Essa ação reduz o risco de eventos trombóticos, mas aumenta o risco de sangramentos, especialmente gastrointestinais e intracranianos. Em idosos, esse equilíbrio é particularmente delicado: o envelhecimento aumenta a fragilidade vascular, a prevalência de comorbidades (hipertensão, doença renal, diabetes) e o uso concomitante de outras medicações que elevam o risco hemorrágico.

Na prevenção primária, as evidências são controversas. Estudos como o ASPREE (Aspirin in Reducing Events in the Elderly) demonstraram que, em idosos saudáveis, o AAS não reduziu a mortalidade cardiovascular e aumentou o risco de sangramento maior. As diretrizes da American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/AHA) de 2019 não recomendam o uso rotineiro de AAS em prevenção primária para adultos com mais de 70 anos, justamente pelo risco hemorrágico superar o benefício. Já na prevenção secundária (pacientes com doença cardiovascular estabelecida, como infarto prévio, AVC ou doença arterial periférica), o AAS é recomendado, mas a decisão deve considerar o risco individual de sangramento — por exemplo, histórico de úlcera péptica, uso de anticoagulantes ou anti-inflamatórios, disfunção renal ou hepática.

A doença de Binswanger (leucoencefalopatia subcortical isquêmica) e a doença de Alzheimer são demências de etiologias distintas. Não há evidência de que o AAS diminua a progressão de nenhuma delas. No caso da doença de Binswanger, embora haja componente isquêmico, o uso de antiagregantes não demonstrou benefício na progressão da demência e pode aumentar o risco de hemorragia cerebral, especialmente em pacientes com microangiopatia avançada. Para a doença de Alzheimer, não há indicação de AAS — os estudos não mostraram benefício e o risco de sangramento contraindica seu uso.

A revisão da BMC Geriatrics mencionada na alternativa D não sustenta a recomendação de AAS para todos os idosos. Pelo contrário, a literatura atual enfatiza a necessidade de individualização: o risco de hemorragia frequentemente supera o benefício em idosos frágeis ou com múltiplas comorbidades. A decisão deve ser compartilhada com o paciente, considerando expectativa de vida, risco cardiovascular e risco hemorrágico.

A pegadinha central desta questão é a generalização: alternativas que afirmam benefício universal do AAS em idosos (A, D) ou indicação para condições específicas sem evidência (B, C) ignoram o princípio da medicina baseada em evidências e da individualização do cuidado. A alternativa E captura exatamente o que a prática clínica e as diretrizes recomendam: considerar fatores individuais, mesmo na prevenção secundária.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A diretriz da ACC/AHA de 2019 não recomenda AAS para prevenção primária em adultos com mais de 70 anos. Estudos como o ASPREE mostraram aumento do risco de sangramento sem redução significativa de eventos cardiovasculares nessa faixa etária. A alternativa inverte a recomendação: em vez de diminuir o risco, o AAS pode aumentá-lo nesse grupo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Não há evidência de que o AAS diminua a progressão da doença de Binswanger. Embora seja uma demência vascular, o uso de antiagregantes não demonstrou benefício na progressão e pode aumentar o risco de hemorragia cerebral, especialmente em pacientes com microangiopatia avançada. A alternativa atribui ao AAS um efeito que não possui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há indicação de AAS para prevenir ou diminuir a progressão da doença de Alzheimer. Os estudos não demonstraram benefício, e o risco de sangramento contraindica seu uso. A alternativa confunde a fisiopatologia da doença (deposição de proteína beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares) com um processo isquêmico que responderia a antiagregantes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A revisão da BMC Geriatrics não recomenda AAS para todos os idosos. Pelo contrário, a literatura atual enfatiza que o risco de hemorragia frequentemente supera os benefícios em idosos, especialmente na prevenção primária. A alternativa generaliza indevidamente, ignorando a necessidade de individualização.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reflete o princípio da individualização do cuidado: mesmo na prevenção secundária, onde o AAS é recomendado, é essencial avaliar o risco de sangramento e as comorbidades do paciente idoso. Essa abordagem está alinhada com as diretrizes atuais e com a prática clínica baseada em evidências.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a generalização indevida: alternativas que afirmam benefício universal do AAS em idosos (A, D) ou indicação para condições específicas sem evidência (B, C) ignoram o princípio da individualização. O candidato que memoriza "AAS previne eventos cardiovasculares" sem considerar o risco hemorrágico cai nas alternativas incorretas. A chave é lembrar que, em idosos, o risco de sangramento frequentemente supera o benefício, e a decisão deve ser sempre individualizada.

Gabarito: letra E

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