No tratamento das dislipidemias em idosos, assinale a alternativa correta quanto às suas características.
AA estatina que menos foi associada a miopatia e rabdomiólise foi a sinvastatina em função de sua baixa potência.
BA rosuvastatina é a que menos está associada a miopatias e rabdomiólise devido ao fato de não ser metabolizada pelo citocromo P450.
CMesmo em doses baixas, a atorvastatina é a que mais foi associada ao risco de desenvolver diabetes mellitus.
DA pravastatina é a que menos está associada à interação medicamentosa, pois seu metabolismo não ocorre pelo citocromo P450.
EA pitavastatina tem uma elevada taxa de interação medicamentosa devido ao seu metabolismo ser totalmente realizado pelo sistema do citocromo P450.
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GabaritoD — A pravastatina é a que menos está associada à interação medicamentosa, pois seu metabolismo não ocorre pelo citocromo P450.
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Dislipidemias em idosos: características das estatinas
Gabarito: letra D. A pravastatina é a estatina que menos se associa a interações medicamentosas porque seu metabolismo não depende do citocromo P450, sendo eliminada principalmente por via renal. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre o perfil metabólico e de segurança das estatinas.
O tratamento das dislipidemias em idosos exige atenção especial à farmacocinética dos medicamentos, pois essa população apresenta maior prevalência de comorbidades, uso de múltiplos fármacos e alterações na função hepática e renal. As estatinas, principal classe hipolipemiante, diferem entre si quanto à potência, à via de metabolização e ao potencial de interação medicamentosa — características que determinam a escolha da droga mais segura para cada paciente.
O citocromo P450 (CYP) é o principal sistema enzimático responsável pelo metabolismo de muitas estatinas. As estatinas lipofílicas, como sinvastatina, lovastatina e atorvastatina, são metabolizadas principalmente pela isoenzima CYP3A4. Já a rosuvastatina é metabolizada em pequena parte pelo CYP2C9, e a fluvastatina também utiliza essa via. A pravastatina e a pitavastatina destacam-se por não dependerem significativamente do CYP para sua eliminação: a pravastatina é hidrofílica e eliminada predominantemente pelos rins, enquanto a pitavastatina, embora lipofílica, é metabolizada por vias alternativas (glicuronidação e outros sistemas), com mínima participação do CYP.
Essa diferença metabólica tem implicação clínica direta: estatinas que dependem do CYP3A4 apresentam maior risco de interação com fármacos que inibem essa enzima, como macrolídeos (claritromicina, eritromicina), antifúngicos azólicos e ciclosporina, aumentando o risco de miopatia e rabdomiólise. Por isso, em pacientes em uso de múltiplos medicamentos — situação comum em idosos —, prefere-se estatinas com menor potencial de interação, como pravastatina, fluvastatina e rosuvastatina.
A banca explora justamente a confusão entre potência, metabolismo e risco de efeitos adversos. É fundamental distinguir: (1) a potência da estatina (capacidade de reduzir LDL-c) não se correlaciona diretamente com o risco de miopatia; (2) o risco de interação medicamentosa está ligado à via metabólica, não à potência; (3) o risco de diabetes mellitus associado ao uso de estatinas é maior com estatinas potentes em doses altas, mas não é exclusivo de uma única droga.
Guarde a relação entre via metabólica e interação medicamentosa: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Estatina
Metabolismo (CYP450)
Potencial de interação medicamentosa
Observação clínica relevante
Sinvastatina
Metabolizada pelo CYP3A4
Alto
Maior risco de miopatia com inibidores do CYP3A4
Rosuvastatina
Parcialmente metabolizada (CYP2C9)
Baixo a moderado
Potente, mas menor interação que as do CYP3A4
Atorvastatina
Metabolizada pelo CYP3A4
Alto
Risco de diabetes é dose-dependente (doses altas)
Pravastatina
Não depende do CYP450 (hidrofílica, excreção renal)
Baixo
Menor potencial de interação; segura em idosos polimedicados
Pitavastatina
Mínima participação do CYP (glicuronidação)
Baixo
Metabolismo por vias alternativas; baixa interação
Estatinas e metabolismo: Via CYP3A4 (maior interação) (Sinvastatina, Lovastatina, Atorvastatina); Via CYP2C9 (interação moderada) (Rosuvastatina, Fluvastatina); Sem CYP (menor interação) (Pravastatina (via renal), Pitavastatina (glicuronidação))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a sinvastatina é a estatina que menos se associou a miopatia e rabdomiólise por sua baixa potência. Há dois erros: a sinvastatina tem potência moderada (não baixa) e, principalmente, é metabolizada pelo CYP3A4, o que a coloca entre as estatinas com MAIOR potencial de interação medicamentosa e, consequentemente, maior risco de miopatia quando associada a inibidores dessa enzima. A alternativa inverte a relação: a baixa associação a miopatia não se deve à potência, mas à via metabólica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A rosuvastatina é uma estatina potente, mas seu metabolismo NÃO é totalmente independente do citocromo P450 — ela é metabolizada em pequena parte pelo CYP2C9. Apesar disso, seu potencial de interação é menor que o das estatinas metabolizadas pelo CYP3A4. O erro está na justificativa: a menor associação a miopatias não se deve ao fato de "não ser metabolizada pelo citocromo P450", pois ela é parcialmente metabolizada por essa via. A alternativa apresenta uma informação incorreta sobre o metabolismo da droga.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A atorvastatina, em doses altas, está associada a um pequeno aumento do risco de diabetes mellitus, mas não é correto afirmar que "mesmo em doses baixas" ela é a que mais se associa a esse risco. O risco de diabetes é dose-dependente e observado principalmente com estatinas potentes em doses elevadas, não sendo exclusivo da atorvastatina. A alternativa generaliza e exagera o risco em doses baixas, o que não é sustentado pela literatura.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A pravastatina é uma estatina hidrofílica que não é metabolizada pelo citocromo P450, sendo eliminada predominantemente por via renal. Essa característica confere a ela um baixo potencial de interação medicamentosa, tornando-a uma opção segura em pacientes idosos polimedicados. A alternativa está correta ao afirmar que a pravastatina é a que menos se associa a interações medicamentosas devido ao seu metabolismo não depender do CYP.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A pitavastatina, embora lipofílica, NÃO tem seu metabolismo totalmente realizado pelo citocromo P450. Ela é metabolizada principalmente por glicuronidação e por outras vias, com mínima participação do CYP. Portanto, seu potencial de interação medicamentosa é BAIXO, não elevado. A alternativa inverte completamente o perfil metabólico da droga.
Gabarito: letra D — a pravastatina é a estatina com menor potencial de interação medicamentosa por não depender do citocromo P450 para seu metabolismo.