Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — VUNESP 2025
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
vu095789
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Geriatria
Uma paciente de 89 anos vem a consultório com histórico de queda após tropeçar no tapete de sua casa, há 10 meses, e ao escorregar no piso de seu banheiro, há 1 semana. Não tem antecedentes mórbidos. Relata somente que faz uso de alendronato 70 mg/semana, há 2 anos. Ela trouxe as radiografias realizadas por ocasião desses dois traumas. Seus exames laboratoriais estão normais.Em função desse achado, foi realizada uma análise por meio da ferramenta Frax 2.0.Diante do exposto, recomenda-se como tratamento para a paciente
Aácido zoledrônico.
Bromosozumabe.
Cdenosumabe.
Dibandronato.
Eraloxifeno.
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GabaritoB — romosozumabe.
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Osteoporose e fraturas por fragilidade: manejo farmacológico
Gabarito: letra B — romosozumabe. A paciente apresenta fratura por fragilidade (fêmur proximal) em uso de alendronato há 2 anos, com exames laboratoriais normais e alto risco de fratura pela ferramenta FRAX 2.0. Nesse cenário, a recomendação é trocar para um agente anabólico (romosozumabe), que tem maior eficácia na redução de fraturas e é indicado para pacientes com risco muito alto de fratura, especialmente após falha terapêutica com bifosfonato.
A osteoporose é uma doença sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do osso, levando ao aumento da fragilidade e do risco de fraturas. As fraturas por fragilidade — aquelas que ocorrem após trauma de baixa energia, como uma queda da própria altura — são a manifestação clínica mais importante da doença. No caso, a paciente de 89 anos sofreu duas quedas: uma há 10 meses (que gerou a fratura evidenciada na radiografia) e outra há 1 semana. A fratura por fragilidade é um evento sentinela: após a primeira fratura, o risco de novas fraturas aumenta substancialmente, e o tratamento deve ser intensificado.
O tratamento da osteoporose pode ser dividido em duas grandes categorias: os antirreabsortivos (bifosfonatos, denosumabe, raloxifeno) e os anabólicos (teriparatida, romosozumabe). Os bifosfonatos (alendronato, ibandronato, ácido zoledrônico) inibem a atividade dos osteoclastos, reduzindo a reabsorção óssea. O denosumabe é um anticorpo monoclonal anti-RANKL, também antirreabsortivo. O raloxifeno é um modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM), com efeito antirreabsortivo, porém menos potente. Já o romosozumabe é um anticorpo monoclonal anti-esclerostina, que atua de forma dupla: estimula a formação óssea e inibe a reabsorção, sendo classificado como agente anabólico.
A escolha do tratamento depende do risco de fratura. A ferramenta FRAX calcula a probabilidade de fratura osteoporótica maior e de fratura de quadril em 10 anos, com base em fatores de risco clínicos e, opcionalmente, na densidade mineral óssea (DMO). Quando o risco é muito alto — como na paciente com fratura prévia, idade avançada e uso prévio de bifosfonato —, as diretrizes atuais recomendam iniciar com um agente anabólico, como o romosozumabe ou a teriparatida, em vez de continuar com antirreabsortivos. O romosozumabe demonstrou redução significativa do risco de fraturas vertebrais e não vertebrais em comparação com placebo e com alendronato, sendo particularmente eficaz em pacientes com risco muito alto.
A paciente já está em uso de alendronato há 2 anos e sofreu uma fratura por fragilidade durante o tratamento. Isso caracteriza falha terapêutica — a ocorrência de fratura apesar do uso adequado de um antirreabsortivo. Nesse contexto, a conduta recomendada é a troca para um agente anabólico, pois a simples continuação ou troca entre antirreabsortivos não aborda a necessidade de aumentar a formação óssea. O romosozumabe é a opção mais adequada entre as alternativas, pois é o único anabólico listado. A teriparatida também seria uma opção, mas não está entre as alternativas.
A pegadinha da questão está em reconhecer que, apesar de a paciente ter exames laboratoriais normais e estar em uso de alendronato, a ocorrência de fratura por fragilidade durante o tratamento indica a necessidade de escalonar a terapia para um anabólico. Muitos candidatos podem optar por trocar para outro antirreabsortivo (como ácido zoledrônico ou denosumabe), mas isso não é a conduta ideal após falha terapêutica com bifosfonato em paciente de altíssimo risco. O romosozumabe, por ser anabólico, é a escolha correta.
O ácido zoledrônico é um bifosfonato intravenoso, portanto um antirreabsortivo. Embora seja potente e possa ser usado em pacientes com intolerância oral ou má adesão, não é a escolha ideal após falha terapêutica com alendronato em paciente de altíssimo risco. A troca entre bifosfonatos não oferece o ganho de formação óssea necessário nesse cenário.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O romosozumabe é um anticorpo monoclonal anti-esclerostina, com mecanismo de ação duplo: estimula a formação óssea e inibe a reabsorção. É classificado como agente anabólico e é recomendado para pacientes com risco muito alto de fratura, especialmente aqueles que já sofreram fratura por fragilidade em uso de bifosfonato. Estudos demonstram superioridade na redução de fraturas vertebrais e não vertebrais em comparação com alendronato, tornando-o a opção mais adequada para esta paciente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O denosumabe é um anticorpo monoclonal anti-RANKL, portanto um antirreabsortivo potente. Embora seja eficaz na redução de fraturas, não é a primeira escolha após falha terapêutica com bifosfonato em paciente de altíssimo risco, pois não estimula a formação óssea. A troca para outro antirreabsortivo não é a conduta recomendada quando há necessidade de anabolismo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ibandronato é um bifosfonato oral, antirreabsortivo. É menos potente que o alendronato e não demonstrou redução significativa de fraturas não vertebrais. Não é a escolha adequada para uma paciente com fratura por fragilidade em uso de alendronato, pois não aborda a necessidade de formação óssea.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O raloxifeno é um SERM, antirreabsortivo de menor potência, indicado principalmente para prevenção de fraturas vertebrais em mulheres na pós-menopausa. Não é recomendado para pacientes com risco muito alto de fratura ou após falha terapêutica com bifosfonato, pois não reduz fraturas não vertebrais e não estimula a formação óssea.