Um homem de 70 anos apresenta dificuldade de atenção, lentidão cognitiva e episódios de confusão que têm ocorrido de forma episódica nos últimos dois anos. Ele tem histórico de hipertensão não controlada e dislipidemia. Exames de imagem revelam lacunas subcorticais e hiperintensidades de substância branca periventriculares em FLAIR. A avaliação clínica descarta sinais de doença de Parkinson ou alucinações visuais.O diagnóstico mais provável e a melhor abordagem inicial de manejo, respectivamente, são:
Ademência de corpos de Lewy; iniciar donepezila.
Bdemência vascular; otimizar o controle da pressão arterial e tratar dislipidemia.
Cdoença de Alzheimer; iniciar terapia com inibidor de colinesterase.
Edemência mista; iniciar anticoagulação para prevenir novos eventos vasculares.
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GabaritoB — demência vascular; otimizar o controle da pressão arterial e tratar dislipidemia.
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Demência vascular: diagnóstico e manejo inicial
Gabarito: letra B. O quadro clínico — homem idoso, hipertenso e dislipidêmico, com declínio cognitivo episódico e achados de imagem de doença de pequenos vasos (lacunas subcorticais e hiperintensidades periventriculares em FLAIR) — é altamente sugestivo de demência vascular, e a abordagem inicial mais adequada é o controle rigoroso dos fatores de risco vascular, sobretudo a otimização da pressão arterial e o tratamento da dislipidemia. A alternativa B espelha exatamente essa combinação.
A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência, ficando atrás apenas da doença de Alzheimer. Ela resulta de lesões cerebrais isquêmicas ou hemorrágicas que comprometem as funções cognitivas. O mecanismo mais frequente é a doença de pequenos vasos, que se manifesta na ressonância magnética como lacunas subcorticais (pequenos infartos) e hiperintensidades da substância branca periventricular na sequência FLAIR. Esses achados, somados ao histórico de hipertensão não controlada e dislipidemia, fecham o diagnóstico com alta probabilidade clínica.
O quadro clínico típico inclui lentidão cognitiva (bradifrenia), dificuldade de atenção e episódios confusionais, frequentemente com flutuação. Diferentemente da doença de Alzheimer, que cursa com perda progressiva de memória episódica, a demência vascular costuma ter um padrão de declínio mais em degraus, com períodos de estabilidade intercalados por pioras súbitas, relacionadas a novos eventos vasculares. A avaliação clínica que descarta sinais de parkinsonismo e alucinações visuais é importante para excluir a demência com corpos de Lewy, que compartilha a flutuação cognitiva, mas se distingue justamente por esses sintomas.
O manejo inicial da demência vascular é fundamentalmente preventivo e vascular: o controle rigoroso da pressão arterial, o tratamento da dislipidemia com estatinas, o controle do diabetes, a cessação do tabagismo e a prática de atividade física são as medidas de maior impacto para retardar a progressão da doença. Diferentemente da doença de Alzheimer, não há medicação específica aprovada para a demência vascular, embora os inibidores da colinesterase possam ser considerados em casos selecionados, com benefício modesto. A anticoagulação não é indicada rotineiramente, a menos que haja uma indicação específica, como fibrilação atrial.
A distinção entre as demências é o ponto central desta questão. A demência com corpos de Lewy cursa com alucinações visuais precoces, parkinsonismo e flutuação cognitiva — todos ausentes no caso. A doença de Alzheimer tem como marca a perda progressiva de memória episódica, sem o padrão vascular de imagem. A demência frontotemporal manifesta-se predominantemente com alterações comportamentais e de linguagem, com atrofia frontal/temporal. A demência mista combina Alzheimer e vascular, mas o enunciado aponta claramente para o componente vascular como predominante.
Guarde a fronteira que separa as alternativas: o padrão de imagem vascular (lacunas + hiperintensidades FLAIR) em um paciente com fatores de risco vascular aponta para demência vascular, e o manejo inicial é o controle dos fatores de risco, não o início de medicação específica para Alzheimer ou Lewy.
Demência vascular
1Perfil clínico
Idoso com fatores de risco vascular
Declínio cognitivo episódico
Lentidão e déficit de atenção
2Imagem (doença de pequenos vasos)
Lacunas subcorticais
Hiperintensidades periventriculares (FLAIR)
3Manejo inicial
Controle rigoroso da PA
Tratar dislipidemia
Controle de diabetes/tabagismo
Sem anticoagulação rotineira
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A demência com corpos de Lewy é uma possibilidade diagnóstica a considerar diante de flutuação cognitiva, mas o enunciado descarta explicitamente os dois achados que a caracterizam: sinais de doença de Parkinson e alucinações visuais. Além disso, os achados de imagem (lacunas e hiperintensidades periventriculares) são típicos de doença vascular, não de corpos de Lewy. A donepezila, um inibidor da colinesterase, é usada na demência com corpos de Lewy, mas não é o manejo inicial correto para o caso descrito.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico de demência vascular é sustentado pelo perfil do paciente (idoso, hipertenso, dislipidêmico), pelo padrão de declínio cognitivo episódico e pelos achados de neuroimagem (lacunas subcorticais e hiperintensidades de substância branca periventriculares em FLAIR), que são a assinatura radiológica da doença de pequenos vasos. A abordagem inicial mais adequada é o controle agressivo dos fatores de risco vascular: otimizar a pressão arterial e tratar a dislipidemia. Essa é a medida com maior evidência para prevenir novos eventos e retardar a progressão do declínio cognitivo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência, mas o padrão clínico e de imagem aqui é claramente vascular. Na doença de Alzheimer, a ressonância magnética tipicamente mostra atrofia hipocampal e cortical, não lacunas subcorticais e hiperintensidades periventriculares. Além disso, o declínio na doença de Alzheimer é progressivo e contínuo, não episódico como descrito. O início de inibidor de colinesterase é o tratamento sintomático padrão para Alzheimer, mas não é a abordagem inicial correta para este caso, em que o foco deve ser o controle vascular.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A demência frontotemporal manifesta-se predominantemente com alterações comportamentais (desinibição, apatia, compulsões) e de linguagem (afasia não fluente ou semântica), com atrofia dos lobos frontal e temporal na neuroimagem. O paciente do caso apresenta dificuldade de atenção e lentidão cognitiva, sem alterações comportamentais proeminentes, e os achados de imagem são de doença vascular, não de atrofia frontotemporal. A conduta de "investigar alterações comportamentais" não é a abordagem inicial mais adequada para o quadro descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A demência mista (Alzheimer + vascular) é uma possibilidade, mas o enunciado não traz elementos para esse diagnóstico duplo — não há menção a comprometimento de memória episódica típico de Alzheimer. Mais grave é o erro na conduta: anticoagulação não é indicada para demência vascular, a menos que haja uma indicação específica como fibrilação atrial ou tromboembolismo venoso. Anticoagular um paciente idoso sem indicação clara expõe a risco desnecessário de hemorragia intracraniana, que poderia piorar o quadro cognitivo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as demências que cursam com flutuação cognitiva. A demência com corpos de Lewy (alternativa A) é a grande armadilha, pois também apresenta flutuação — mas o enunciado descarta alucinações visuais e parkinsonismo, que são justamente os critérios que a diferenciam. Outra armadilha é a alternativa E, que sugere anticoagulação: o candidato pode associar "vascular" a "anticoagular", mas a demência vascular não é indicação de anticoagulação — o manejo é controle de fatores de risco. Fique atento: a presença de fatores de risco vascular + imagem de doença de pequenos vasos aponta diretamente para demência vascular e controle de PA/dislipidemia.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as demências na prova, monte um quadro mental rápido: Alzheimer = memória + atrofia hipocampal; Vascular = fatores de risco + lacunas/FLAIR + declínio em degraus; Lewy = alucinações visuais + parkinsonismo + flutuação; Frontotemporal = comportamento/linguagem + atrofia frontal. Quando a questão trouxer imagem com lacunas e hiperintensidades periventriculares, a resposta quase sempre será demência vascular e o manejo será controle de fatores de risco — nunca medicação específica ou anticoagulação.