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Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu096011
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neuropediatria
A principal preocupação em relação à síndrome de hipertensão intracraniana idiopática não tratada adequadamente é com o desenvolvimento de
  1. Aherniação uncal.
  2. Bperda visual.
  3. Cenxaqueca.
  4. Dzumbido.
  5. Ehipertensão arterial sistêmica.
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GabaritoB — perda visual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão intracraniana idiopática: o risco da perda visual

Gabarito: letra B. Na hipertensão intracraniana idiopática (HII), a principal preocupação em relação ao não tratamento adequado é o desenvolvimento de perda visual, que pode ser permanente e bilateral, em decorrência do papiledema crônico e da atrofia óptica. O texto de apoio é explícito ao afirmar que a HII "exige investigação e tratamento imediatos para se evitar uma potencial insuficiência visual bilateral".

A hipertensão intracraniana idiopática, historicamente chamada de pseudotumor cerebral, é uma síndrome caracterizada por elevação da pressão intracraniana (PIC) sem evidência de lesão ocupante de espaço, hidrocefalia ou infecção. Ocorre predominantemente em mulheres jovens com obesidade, e o mecanismo fisiopatológico envolve alterações na reabsorção do líquido cefalorraquidiano (LCR), levando ao aumento da pressão no compartimento intracraniano. Como o crânio é uma estrutura rígida, o aumento da PIC se transmite diretamente ao nervo óptico, que é uma extensão do sistema nervoso central revestida por meninges e banhada pelo LCR.

O papiledema, que é o edema da cabeça do nervo óptico visível à fundoscopia, é o sinal clássico da HII. A elevação crônica da PIC comprime os axônios do nervo óptico, comprometendo o fluxo axoplasmático e, consequentemente, a condução dos estímulos visuais. Se a pressão não for aliviada, ocorre lesão progressiva e irreversível das fibras nervosas, evoluindo para atrofia óptica e perda visual definitiva. Essa é a complicação mais temida da doença, pois, uma vez instalada a atrofia, o dano é permanente e não há tratamento que restaure a visão perdida.

A perda visual na HII pode se manifestar de diversas formas: obscurecimentos visuais transitórios (episódios de escurecimento da visão que duram segundos), visão turva, redução do campo visual (especialmente perda de visão periférica) e, nos casos graves, perda visual central. O texto de apoio destaca que "a perda visual bilateral transitória aguda (obscurecimento visual) pode ser um sintoma de pressão intracraniana elevada provocada por tumor cerebral ou hipertensão intracraniana idiopática (HII); o papiledema é, com frequência, grave". A avaliação oftalmológica com campimetria computadorizada é fundamental para monitorar a função visual e guiar a conduta terapêutica.

O tratamento da HII visa, primariamente, a preservação da função visual. As medidas incluem perda de peso, uso de inibidores da anidrase carbônica (como a acetazolamida) para reduzir a produção de LCR, e, em casos refratários ou com perda visual progressiva, procedimentos cirúrgicos como fenestração da bainha do nervo óptico ou derivação liquórica (shunt). A urgência do tratamento se justifica exatamente porque a perda visual é a complicação mais grave e potencialmente irreversível da doença.

As demais alternativas representam sintomas ou complicações que podem ocorrer na HII, mas não são a principal preocupação prognóstica. A cefaleia, o zumbido e a diplopia (por paralisia do VI par craniano) são sintomas comuns e incômodos, mas reversíveis com o controle da PIC. A hipertensão arterial sistêmica pode estar associada, mas não é uma complicação direta da HII. A herniação uncal, embora seja uma complicação grave da hipertensão intracraniana em geral, é rara na HII, pois o processo é crônico e difuso, sem efeito de massa focal que desloque estruturas.

Guarde o conceito central: na HII, o que está em jogo é a função visual. É esse o desfecho que o médico deve monitorar e proteger, e é essa a complicação que torna a doença uma emergência.

  1. 1PIC elevada
  2. 2Papiledema crônico
  3. 3Atrofia óptica
  4. 4Perda visual permanente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A herniação uncal é uma complicação da hipertensão intracraniana aguda e focal, geralmente associada a lesões expansivas supratentoriais (como tumores, hematomas ou edema cerebral maligno) que deslocam o uncus do lobo temporal através da incisura tentorial. Na HII, o aumento da PIC é difuso e crônico, sem um efeito de massa localizado que predisponha à herniação. Embora a HIC grave possa, em última instância, levar a herniação, esta não é a principal preocupação específica da HII não tratada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A perda visual é a complicação mais temida e a principal preocupação na HII não tratada. O papiledema crônico, causado pela transmissão da PIC elevada ao nervo óptico, leva à atrofia óptica e à perda visual permanente e bilateral. O texto de apoio é claro: a HII "exige investigação e tratamento imediatos para se evitar uma potencial insuficiência visual bilateral". A preservação da visão é o objetivo central do tratamento.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A enxaqueca é uma cefaleia primária, com fisiopatologia própria (envolvendo disfunção vascular e neuronal), e não é uma complicação da HII. Embora a cefaleia seja um sintoma frequente da HII, ela é secundária ao aumento da PIC e não representa o principal risco da doença não tratada. A confusão pode ocorrer porque ambas cursam com dor de cabeça, mas são entidades distintas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O zumbido é um sintoma que pode ocorrer na HII, frequentemente descrito como um som pulsátil sincrônico com os batimentos cardíacos, devido à transmissão da pressão elevada ao sistema venoso intracraniano. No entanto, é um sintoma incômodo, mas não representa o principal risco prognóstico. A preocupação central é a perda visual, não o zumbido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) não é uma complicação da HII. Embora ambas as condições possam coexistir, especialmente em pacientes obesos, a HAS não é causada pela HII e não é o desfecho que se busca prevenir com o tratamento da HII. A tríade de Cushing (hipertensão arterial, bradicardia e depressão respiratória) é um sinal de HIC grave e tardio, mas não é a principal preocupação na HII crônica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as complicações da hipertensão intracraniana em geral e as complicações específicas da hipertensão intracraniana idiopática. A herniação uncal é uma complicação clássica da HIC aguda e focal, mas na HII o processo é crônico e difuso, tornando a perda visual o desfecho mais temido. Lembre-se: na HII, o alvo é a visão.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre HII, foque na tríade: paciente jovem, obesa, com cefaleia e papiledema. A perda visual é a complicação que define a urgência do tratamento. Se a alternativa mencionar "perda visual" ou "insuficiência visual", é quase sempre a resposta correta.

Gabarito: letra B

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