Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — VUNESP 2025

MedicinaNeurologia
Código
vu096017
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Neuropediatria
Sobre a migrânea na população pediátrica, é correto afirmar que
  1. Aa duração mínima das crises é de três horas.
  2. Ba frequência de migrânea crônica é maior em crianças em idade escolar do que em adolescentes.
  3. Ca prevalência, em crianças pré-púberes, é maior em indivíduos do sexo feminino.
  4. Do tratamento profilático com fármacos não é indicado na população pediátrica.
  5. Eos triptanos podem ser utilizados no tratamento da crise em adolescentes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — os triptanos podem ser utilizados no tratamento da crise em adolescentes.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Migrânea na população pediátrica

Gabarito: letra E. Os triptanos podem ser utilizados no tratamento da crise de migrânea em adolescentes, conforme as diretrizes de manejo da cefaleia na atenção primária. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre a duração das crises, a frequência da migrânea crônica, a prevalência por sexo e a indicação de profilaxia em crianças.

A migrânea é uma cefaleia primária recorrente, caracterizada por crises de dor de intensidade moderada a forte, frequentemente acompanhadas de náuseas, fotofobia e fonofobia. Na população pediátrica, o quadro clínico apresenta particularidades: a dor costuma ser bilateral e frontotemporal, com duração mais curta que no adulto, e a fotofobia/fonofobia podem ser inferidas pelo comportamento da criança. O diagnóstico segue os critérios da Classificação Internacional de Cefaleias (ICHD-3), que estabelecem para crianças e adolescentes uma duração da crise de 2 a 72 horas (diferente do adulto, em que o mínimo é de 4 horas).

O tratamento da migrânea divide-se em três pilares: não medicamentoso (repouso, afastamento de estímulos), medicamentoso abortivo da crise e medicamentoso profilático. Para a crise aguda, a escolha do fármaco depende da intensidade: crises leves a moderadas podem ser manejadas com analgésicos comuns (paracetamol, dipirona) ou AINEs (ibuprofeno, naproxeno, diclofenaco); crises moderadas a fortes, ou que não respondem aos analgésicos, têm indicação de triptanos (sumatriptana, rizatriptana, zolmitriptana, entre outros). Os triptanos são os fármacos com maior evidência científica de efetividade na crise aguda de migrânea, inclusive em adolescentes, desde que respeitadas as contraindicações (doença cardiovascular, hipertensão não controlada, etc.).

A profilaxia medicamentosa é indicada quando há crises frequentes (geralmente ≥4 crises/mês) ou que causam incapacidade significativa, mesmo na população pediátrica. Fármacos como propranolol, topiramato e flunarizina podem ser utilizados, com acompanhamento médico. A migrânea crônica (≥15 dias de cefaleia por mês, sendo ≥8 com características migranosas) é menos frequente em crianças em idade escolar do que em adolescentes. Quanto à prevalência, antes da puberdade a migrânea é discretamente mais comum em meninos; após a puberdade, inverte-se, tornando-se mais prevalente em meninas.

A pegadinha central desta questão está em generalizar para a criança/adolescente características que são típicas do adulto (duração mínima de 4 horas, predomínio feminino, contraindicação de triptanos) ou em inverter a frequência da forma crônica entre as faixas etárias. A alternativa E é a única que reflete corretamente a prática clínica baseada em evidências.

Migrânea pediátrica
  • 1Critérios ICHD-3
    • Duração da crise: 2–72h
    • Dor bilateral e frontotemporal
    • Fotofobia/fonofobia inferidas
  • 2Prevalência
    • Pré-púberes: meninos
    • Pós-púberes: meninas
  • 3Migrânea crônica
    • Mais comum em adolescentes
  • 4Tratamento da crise
    • Leve/moderada: analgésicos, AINEs
    • Moderada/forte: triptanos
      • Indicados em adolescentes
      • Contraindicados em doença cardiovascular
  • 5Profilaxia
    • Indicada (≥4 crises/mês)
    • Propranolol, topiramato, flunarizina
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a duração mínima das crises é de três horas. Na população pediátrica, o critério diagnóstico da ICHD-3 estabelece duração de 2 a 72 horas (sem tratamento ou com tratamento ineficaz). O valor de 3 horas não corresponde a nenhum critério diagnóstico; no adulto, o mínimo é de 4 horas. A banca troca o valor correto (2 horas) por um número que não encontra respaldo nos critérios.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a frequência de migrânea crônica é maior em crianças em idade escolar do que em adolescentes. Na realidade, a prevalência de migrânea crônica aumenta com a idade, sendo maior em adolescentes do que em crianças em idade escolar. A alternativa inverte a relação etária: a forma crônica é mais comum à medida que a criança cresce, acompanhando o aumento geral da prevalência de migrânea na adolescência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a prevalência, em crianças pré-púberes, é maior em indivíduos do sexo feminino. Antes da puberdade, a migrânea é discretamente mais comum em meninos; após a puberdade, a relação se inverte, com predomínio no sexo feminino, influenciada por fatores hormonais. A alternativa inverte a distribuição por sexo na faixa etária pré-púbere.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento profilático com fármacos não é indicado na população pediátrica. A profilaxia medicamentosa é indicada em crianças e adolescentes com migrânea frequente (geralmente ≥4 crises/mês) ou incapacitante, assim como em adultos. Fármacos como propranolol, topiramato e flunarizina podem ser utilizados, com monitoramento médico. A alternativa nega uma prática consagrada pelas diretrizes.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que os triptanos podem ser utilizados no tratamento da crise em adolescentes. Correto: os triptanos (sumatriptana, rizatriptana, zolmitriptana, naratriptana, almotriptana, eletriptana) são fármacos específicos para a crise aguda de migrânea, com maior evidência de efetividade, e são indicados em adolescentes com crises moderadas a fortes ou que não respondem a analgésicos/AINEs. A alternativa espelha a recomendação das diretrizes de manejo da cefaleia.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre migrânea pediátrica, memorize os critérios diagnósticos da ICHD-3 que diferem do adulto: duração da crise (2–72h), bilateralidade da dor, e a possibilidade de inferir fotofobia/fonofobia pelo comportamento. Além disso, lembre-se da inversão da prevalência por sexo após a puberdade (antes: meninos; depois: meninas) e de que a migrânea crônica é mais comum em adolescentes. Esses são os pontos que a banca costuma explorar.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu096017