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Questão de Medicina — Geral — VUNESP 2025

MedicinaGeral
Código
vu096131
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Campinas - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Pediatria
Durante o atendimento de puericultura de um recém-nascido (RN) de 15 dias de vida, a mãe informou que o avô, coabitante domiciliar há 2 anos, foi diagnosticado com tuberculose pulmonar através de escarro positivo e iniciou tratamento há 10 dias. O RN nasceu a termo, sem intercorrências e recebe aleitamento materno exclusivo, em livre demanda, com bom ganho de peso. Recebeu a vacina BCG na maternidade. A mãe e o RN estão assintomáticos e o exame físico do RN está normal. Foi realizada radiografia de tórax e ultrassonografia abdominal do RN, ambas com resultado normal.Qual a conduta correta para esse RN?
  1. AObservação clínica e manter o RN isolado do caso índice em domicílio.
  2. BRealizar prova tuberculínica para decisão do tratamento.
  3. CRealizar lavado gástrico para decisão do tratamento.
  4. DQuimioprofilaxia primária com isoniazida por 3 meses.
  5. ETratamento com rifampicina por 4 meses.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Tratamento com rifampicina por 4 meses.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tuberculose em recém-nascido: quimioprofilaxia primária

Gabarito: letra E. O RN coabitante de caso índice bacilífero, mesmo assintomático e com exames normais, tem indicação de quimioprofilaxia primária — e, como já recebeu a BCG inadvertidamente, a conduta é rifampicina por 4 meses (ou isoniazida por 6 meses), sem necessidade de prova tuberculínica. A base está no Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, do Ministério da Saúde, que orienta exatamente essa conduta para o RN já vacinado.

A tuberculose em recém-nascidos é uma situação de alta gravidade: o RN tem imunidade celular imatura e, quando infectado pelo Mycobacterium tuberculosis, apresenta risco muito elevado de desenvolver formas graves e disseminadas da doença, como a tuberculose miliar e a meningoencefalite. Por isso, a abordagem não é esperar o aparecimento de sintomas — é prevenir a infecção de forma ativa. Quando o RN coabita com um caso índice bacilífero (escarro positivo), a transmissão já pode ter ocorrido, mesmo que a criança esteja assintomática e com radiografia normal. Nesse cenário, a conduta correta é a quimioprofilaxia primária, que visa impedir que o bacilo inalado se estabeleça e cause doença.

O fluxograma do Ministério da Saúde para o RN coabitante de caso índice bacilífero é claro: iniciar quimioprofilaxia primária (isoniazida ou rifampicina), independentemente da prova tuberculínica inicial. Após 3 meses de medicação, realiza-se a PT: se ≥ 5 mm, mantém-se o tratamento (isoniazida por mais 3 meses, totalizando 6, ou rifampicina por mais 1 mês, totalizando 4); se < 5 mm, suspende-se a medicação e aplica-se a BCG. A exceção ocorre quando o RN já foi vacinado com BCG inadvertidamente — exatamente o caso da questão. Nessa situação, a PT perde o valor para decisão (a BCG pode interferir no resultado), e a recomendação é usar isoniazida por 6 meses ou rifampicina por 4 meses, sem realizar a PT.

A alternativa E espelha essa recomendação: tratamento com rifampicina por 4 meses. A rifampicina é uma opção válida pela facilidade posológica (suspensão pediátrica), e o período de 4 meses é o previsto para o RN já vacinado com BCG. A alternativa D (isoniazida por 3 meses) estaria correta apenas se o RN não tivesse recebido a BCG — nesse caso, após 3 meses de isoniazida, faria a PT para decidir a continuidade. Como a BCG já foi administrada, o esquema muda.

A pegadinha central da questão está em reconhecer que a BCG já aplicada altera a conduta: o candidato que decora o fluxograma básico (isoniazida 3 meses + PT) marca a letra D, mas esquece que a vacinação prévia invalida essa estratégia. A banca explora exatamente essa distinção entre o RN não vacinado e o RN vacinado inadvertidamente.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Apenas observar clinicamente e manter o RN isolado do caso índice é conduta passiva e insuficiente. O RN coabitante de caso bacilífero tem indicação formal de quimioprofilaxia primária, pois o risco de adoecimento é alto e as formas graves são devastadoras. O isolamento domiciliar é uma medida complementar de prevenção da transmissão, mas não substitui a medicação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Realizar prova tuberculínica para decisão do tratamento é o procedimento do fluxograma apenas para o RN não vacinado com BCG. Como o RN da questão já recebeu a BCG na maternidade, a PT não está indicada para decidir a conduta — a recomendação é tratar diretamente com isoniazida por 6 meses ou rifampicina por 4 meses, sem PT. A PT poderia ser útil em outras situações, mas não aqui.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O lavado gástrico é um método diagnóstico para tuberculose doença (TB ativa), utilizado em crianças pequenas que não conseguem expectorar, para pesquisa de BAAR/cultura. Não é um exame para decidir quimioprofilaxia em RN assintomático. Como o RN está assintomático e com radiografia e ultrassonografia normais, não há suspeita de TB ativa — e a conduta é preventiva, não diagnóstica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A quimioprofilaxia primária com isoniazida por 3 meses é a conduta para o RN não vacinado com BCG: após 3 meses, faz-se a PT para decidir se mantém o tratamento (se ≥ 5 mm) ou se interrompe e vacina com BCG (se < 5 mm). Como o RN da questão já foi vacinado, o esquema correto é isoniazida por 6 meses (ou rifampicina por 4 meses), sem PT. A alternativa troca o esquema do RN não vacinado pelo do vacinado.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O RN coabitante de caso índice bacilífero, já vacinado com BCG inadvertidamente, tem indicação de quimioprofilaxia primária com rifampicina por 4 meses (ou isoniazida por 6 meses), sem necessidade de prova tuberculínica. A rifampicina é uma opção válida pela facilidade posológica (suspensão pediátrica), e o período de 4 meses é o previsto para essa situação específica. A alternativa espelha exatamente a recomendação do Ministério da Saúde.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o RN não vacinado e o vacinado com BCG. O fluxograma básico (isoniazida 3 meses + PT) vale para quem não recebeu a BCG; quem já recebeu — como o RN da questão — deve ser tratado com isoniazida por 6 meses ou rifampicina por 4 meses, sem PT. Guarde essa distinção: ela decide a questão.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver um RN coabitante de caso bacilífero, pergunte-se: já recebeu BCG? Se sim → isoniazida 6 meses ou rifampicina 4 meses, sem PT. Se não → isoniazida 3 meses, depois PT (≥ 5 mm mantém; < 5 mm suspende e vacina). Essa pergunta resolve a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra E

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