Lactente de 8 meses de idade, previamente hígido, apresenta lesões dermatológicas polimórficas compatíveis com varicela que se iniciaram hoje. As lesões foram vistas pelas cuidadoras da creche que comunicaram os pais e a Unidade Básica de Saúde da Região. A creche que o lactente frequenta atende crianças de 4 meses a 6 anos incompletos.De acordo com as orientações da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, qual a conduta correta nesse caso?
AO caso-índice deverá ficar afastado da creche por 21 dias e suspender admissão de novas crianças suscetíveis nesse período.
BMonitorar o aparecimento de casos novos, pois somente será considerado surto na creche a partir do segundo caso no período de 7 dias.
CAs crianças a partir de 9 meses de idade, e não vacinadas, deverão receber uma dose da vacina contra varicela.
DAdministrar imunoglobulina específica para todas as crianças menores de 12 meses dentro de 96 horas do contato com o caso índice.
EA varicela não é uma doença de notificação compulsória, não havendo necessidade de notificação no SINAN (Sistema de Informação Nacional dos Agravos de Notificação).
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GabaritoC — As crianças a partir de 9 meses de idade, e não vacinadas, deverão receber uma dose da vacina contra varicela.
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Varicela em creche: conduta de vigilância epidemiológica
Gabarito: letra C. Em surto de varicela em creche, a profilaxia pós-exposição com a vacina antivaricela é indicada para crianças suscetíveis a partir de 9 meses de idade, conforme as orientações da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo. A vacina deve ser administrada em até 5 dias após a exposição, e a alternativa C reflete exatamente essa recomendação, considerando que o lactente de 8 meses ainda não completou a idade mínima para a vacinação de bloqueio.
A varicela é uma infecção viral altamente contagiosa, causada pelo vírus varicela-zóster, cujo único reservatório é o homem. A transmissão ocorre por contato direto com lesões ou por vias respiratórias, e o período de transmissibilidade vai de 1 a 2 dias antes do exantema até 5 dias após o surgimento das primeiras vesículas. Em creches, o controle é especialmente importante porque crianças pequenas, especialmente as menores de 1 ano, têm maior risco de complicações. A vacina contra varicela, de vírus vivos atenuados, foi incorporada ao PNI em 2013, com esquema de 2 doses (15 meses e 4 anos). Em situações de surto, a vacinação de bloqueio é uma medida fundamental para interromper a cadeia de transmissão.
A conduta em surtos de varicela em creches envolve várias medidas simultâneas: afastamento do caso-índice, monitoramento de comunicantes, reforço da higiene das mãos e, principalmente, a vacinação de bloqueio dos suscetíveis. A vacina deve ser administrada em até 5 dias pós-exposição para ser eficaz. Para crianças entre 9 meses e 5 anos não vacinadas, a recomendação é administrar uma dose da vacina antivaricela. Crianças menores de 9 meses, como o lactente de 8 meses do caso, não recebem a vacina de bloqueio, pois a vacina não é licenciada para essa faixa etária. Nesses casos, a conduta é o acompanhamento e, se houver indicação, a imunoglobulina específica para grupos de alto risco.
A notificação de varicela não é compulsória em casos isolados, mas surtos devem ser notificados às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde por meio do módulo de surtos do SINAN. O controle do surto é considerado após 21 dias sem novos casos. A alternativa C está correta porque, no contexto de surto em creche, a vacinação de bloqueio é indicada para crianças a partir de 9 meses não vacinadas, o que se aplica às outras crianças da creche, mas não ao lactente de 8 meses, que é o caso-índice.
A pegadinha desta questão está em distinguir a profilaxia pós-exposição com vacina (indicada para suscetíveis a partir de 9 meses) da imunoglobulina (reservada para grupos de alto risco, como imunocomprometidos e gestantes). A banca explora a confusão entre essas duas medidas e também entre os prazos de afastamento e monitoramento. Guarde a fronteira: vacina de bloqueio para suscetíveis ≥ 9 meses; imunoglobulina para < 9 meses, imunocomprometidos e gestantes; afastamento do caso até todas as lesões estarem crostosas; monitoramento de comunicantes do 8º ao 21º dia.
Varicela em creche: conduta
1Caso-índice
Afastamento até lesões crostosas
Não é 21 dias
2Comunicantes suscetíveis
Vacina de bloqueio (≥ 9 meses)
Até 5 dias pós-exposição
Imunoglobulina (alto risco)
Imunocomprometidos
Gestantes
Recém-nascidos
3Vigilância
Monitorar do 8º ao 21º dia
Notificar surto no SINAN
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O afastamento do caso-índice por 21 dias está incorreto. O período de afastamento é até todas as lesões estarem crostosas, o que geralmente ocorre em torno de 5 a 7 dias após o início do exantema. O prazo de 21 dias refere-se ao período de incubação máximo e ao monitoramento de comunicantes, não ao afastamento do doente. Além disso, a suspensão de admissão de novas crianças suscetíveis não é uma medida padrão; o foco é a vacinação de bloqueio e o monitoramento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A definição de surto não é a partir do segundo caso em 7 dias. Surto é caracterizado pela ocorrência de casos acima do esperado em determinado local e período. Em creches, um único caso já desencadeia medidas de controle, como a vacinação de bloqueio. O monitoramento de comunicantes é feito do 8º ao 21º dia pós-exposição, mas a definição de surto não depende de um número fixo de casos em um período específico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A vacinação de bloqueio é indicada para crianças suscetíveis a partir de 9 meses de idade, não vacinadas, em até 5 dias pós-exposição. No caso, o lactente de 8 meses é o caso-índice, mas as outras crianças da creche, com 9 meses ou mais e não vacinadas, devem receber uma dose da vacina antivaricela. Essa é a conduta preconizada pela Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo para controle de surtos em creches.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A imunoglobulina específica (IGHAV) não é indicada para todas as crianças menores de 12 meses. Ela é reservada para grupos de alto risco: imunocomprometidos, gestantes, recém-nascidos de mães com varicela no período perinatal, prematuros com idade gestacional < 28 semanas, entre outros. Crianças menores de 12 meses sem fatores de risco não recebem imunoglobulina rotineiramente; a conduta é a vacinação de bloqueio (se ≥ 9 meses) ou acompanhamento.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A varicela não é doença de notificação compulsória em casos isolados, mas os surtos devem ser notificados às Secretarias de Saúde por meio do módulo de surtos do SINAN. A alternativa está incorreta ao afirmar que não há necessidade de notificação, pois em contexto de surto (como em creche) a notificação é obrigatória. Além disso, casos graves e óbitos também devem ser notificados.