Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — VUNESP 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
vu097347
Banca
VUNESP
Órgão
Prefeitura de Itapevi - SP
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Médico - Ginecologista
Mulher de 43 anos de idade vem ao consultório ginecológico queixando-se de dor mamária bilateral que piora durante o período menstrual. Ao exame físico: mamas de médio volume, densas, com nódulo de cerca de 2 cm móvel, regular, em região retroareolar esquerda e com saída de secreção sanguinolenta à expressão papilar, ipsilateral.Sobre o caso descrito, assinale a alternativa correta.
AA mamografia neste caso não é necessária.
BDeve-se realizar ultrassom de mamas direcionado ao achado clínico e PAAF.
CUma das principais causas que poderiam justificar a descarga papilar sanguinolenta é o fibroadenoma.
DDeve-se fazer boa orientação verbal, ou seja, esclarecer a benignidade do quadro.
EÉ indicado uso de tamoxifeno, 10 mg/dia, por 3 a 6 meses.
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GabaritoB — Deve-se realizar ultrassom de mamas direcionado ao achado clínico e PAAF.
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Descarga papilar sanguinolenta e nódulo mamário: investigação e conduta
Gabarito: letra B. Diante de nódulo palpável associado a descarga papilar sanguinolenta, a conduta correta é a investigação por imagem direcionada (ultrassom) e a confirmação citológica por punção aspirativa por agulha fina (PAAF), pois a secreção sanguinolenta espontânea e unilateral é um sinal de alerta para malignidade — a mamografia isolada pode ser insuficiente em mamas densas, e a orientação de benignidade ou o uso de tamoxifeno seriam condutas precipitadas e sem indicação neste contexto.
A descarga papilar é uma queixa mamária que exige sistematização. A classificação mais útil para a prática clínica divide a secreção em três grandes grupos: (1) serosa, sanguinolenta ou serossanguinolenta, quando é espontânea, unilateral, originária de um único ducto e reprodutível ao exame — este é o padrão que mais preocupa e que demanda investigação por imagem; (2) leitosa e bilateral, que sugere galactorreia e deve ser investigada com dosagem de TSH e prolactina; e (3) purulenta, que sugere processo infeccioso. O ponto central é que a presença de sangue na secreção mamilar é um sinal de alarme: a hipótese de carcinoma deve ser aventada, mesmo que o nódulo palpado tenha características benignas ao exame físico, como mobilidade e regularidade.
No caso descrito, a paciente tem 43 anos, nódulo de 2 cm móvel e regular em região retroareolar esquerda e descarga papilar sanguinolenta ipsilateral. A combinação de nódulo palpável com secreção sanguinolenta espontânea é exatamente o cenário em que não se pode tranquilizar a paciente sem investigação. A conduta recomendada é a realização de ultrassom de mamas direcionado ao achado clínico — que é o melhor método para caracterizar nódulos em mamas densas e para avaliar a região retroareolar — e a PAAF, que permite a análise citológica da lesão e da secreção. A mamografia também pode ser solicitada, especialmente em mulheres acima de 30 anos, mas a alternativa correta destaca o ultrassom direcionado e a PAAF como os passos imediatos e essenciais.
A principal armadilha desta questão é a tentação de classificar o quadro como benigno apenas pelas características do nódulo (móvel, regular) e pela mastalgia cíclica, que é uma queixa comum e geralmente benigna. No entanto, a descarga papilar sanguinolenta é um sinal de alerta que não pode ser ignorado. O fibroadenoma, por exemplo, é um tumor benigno comum, mas raramente causa descarga papilar sanguinolenta — essa associação é muito mais típica de papiloma intraductal ou de carcinoma. Da mesma forma, o tamoxifeno é uma opção para o tratamento da mastalgia cíclica grave, mas não é a conduta inicial diante de um nódulo com secreção sanguinolenta, que exige primeiro o diagnóstico.
Guarde a fronteira que decide esta questão: descarga papilar sanguinolenta espontânea e unilateral é indicação de investigação por imagem e citologia, nunca de conduta expectante ou de tratamento sintomático isolado. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Descarga papilar: Sanguinolenta/serosa (espontânea, unilateral) (Sinal de alarme, Investigar: US + PAAF); Leitosa (bilateral) (Galactorreia, TSH e prolactina); Purulenta (Processo infeccioso)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a mamografia não é necessária. Isso é falso: a mamografia é um método propedêutico de grande valor na detecção do câncer de mama e deve ser considerada na investigação de descarga papilar sanguinolenta, especialmente em mulheres acima de 30 anos. A alternativa erra ao descartar um exame que faz parte da propedêutica armada, ainda que o ultrassom seja o método mais direcionado para o achado clínico em mamas densas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A conduta correta é realizar ultrassom de mamas direcionado ao achado clínico e PAAF. O ultrassom é o método de escolha para caracterizar nódulos em mamas densas e para avaliar a região retroareolar, onde o nódulo está localizado. A PAAF permite a análise citológica da lesão e da secreção, confirmando ou afastando malignidade. Essa é a abordagem que combina imagem e citologia para um diagnóstico definitivo, em vez de conduta expectante ou tratamento sintomático.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o fibroadenoma é uma das principais causas de descarga papilar sanguinolenta. Isso é incorreto: o fibroadenoma é um tumor benigno que raramente se apresenta com secreção sanguinolenta. As causas mais comuns de descarga papilar sanguinolenta são o papiloma intraductal e o carcinoma. A alternativa confunde a etiologia da secreção sanguinolenta com um tumor que tipicamente se apresenta como nódulo móvel e indolor, sem secreção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Propõe apenas orientação verbal e esclarecimento da benignidade do quadro. Isso é perigoso e incorreto: a presença de descarga papilar sanguinolenta espontânea é um sinal de alerta que exige investigação, não tranquilização. A conduta expectante só seria aceitável se a secreção fosse não espontânea, bilateral ou de aspecto leitoso, o que não é o caso. A alternativa ignora o risco de malignidade associado à secreção sanguinolenta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Indica o uso de tamoxifeno, 10 mg/dia, por 3 a 6 meses. O tamoxifeno é uma opção para o tratamento da mastalgia cíclica grave, mas não é a conduta inicial diante de um nódulo com descarga papilar sanguinolenta. Antes de qualquer tratamento sintomático, é obrigatória a investigação diagnóstica por imagem e citologia. A alternativa inverte a ordem lógica: primeiro se diagnostica, depois se trata.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a mastalgia cíclica — queixa comum e geralmente benigna — e a descarga papilar sanguinolenta, que é um sinal de alarme. O candidato que se fixa apenas no nódulo móvel e regular pode cair na alternativa D, que propõe tranquilizar a paciente. Mas a secreção sanguinolenta espontânea e unilateral muda completamente a conduta: exige investigação por imagem e citologia. Fique atento a esse detalhe — ele é o divisor de águas da questão.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, memorize o algoritmo da descarga papilar: se for sanguinolenta, serosa ou serossanguinolenta, espontânea, unilateral e de ducto único → mamografia e ultrassom (acima de 30 anos) ou ultrassom isolado (abaixo de 30 anos), seguidos de citologia. Se for leitosa e bilateral → investigar galactorreia com TSH e prolactina. Essa distinção resolve a maioria das questões sobre o tema.